segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Que dupla!


Só estes dois avançados, dariam o quinto melhor ataque da prova. É obra! A continuar assim, Soares vai ter de esperar... É também impressionante a forma como já jogam juntos e como se complementam. Aboubakar é melhor finalizador e consegue jogar de costas para a baliza com qualidade, enquanto que Marega procura mais as costas da defesa e as arrancadas pelas alas. Os dois últimos golos são paradigmáticos das soluções que esta dupla atacante tem para oferecer. Nem foi preciso um grande jogo de Brahimi, de Ricardo ou de Corona para que se fizessem 5 golos e mais umas 5 oportunidades claras para fazer mais. 

Destaco a dupla, mas a exibição de Aboubakar tem de merecer um destaque adicional. Em primeiro lugar, está em todos os golos, sofreu o penalti, isolou Brahimi para a nossa primeira grande oportunidade de golo e já tinha tido dois cabeceamentos muito perigosos. Nota máxima!

O jogo tornou-se fácil, mas começou com várias situações em que o Vitória aproveitou o nosso lado esquerdo. O Alex dormiu um pouco e o Marcano ficou várias vezes um para um com o extremo que, sem Paciência na equipa, era o jogador adversário mais perigoso e que deveria ter merecido mais atenção. A transição entre Felipe e Reyes foi harmoniosa e fez todo o sentido, dadas as últimas exibições descontroladas de Felipe.

Destacaria portanto que voltámos a não entrar muito bem no jogo. É a terceira vez consecutiva. É de estranhar visto que era uma das nossas melhores armas, no início da época. O jogo acabou por se resolver nos últimos 15 minutos da primeira parte e foi um descanso a partir daí. Esta exibição foi importante, porque vínhamos de dois empates e há muito tempo que não entrávamos num jogo com a pressão de estar atrás na classificação. Boa resposta!

Quanto à qualidade do nosso jogo, diria que estamos outra vez numa fase ascendente. Evitámos mais aquelas bolas para a frente, sem critério, e a movimentação dos nossos jogadores fez com que a bola entrasse muitas vezes no miolo, sobretudo com Aboubakar, Herrera e os dois alas. Já sabemos que Reyes dá mais qualidade do passe que Felipe, mas parece-me que é uma evolução da equipa e não dos jogadores. A título de exemplo, Ricardo é um jogador típico de ala, mas que jogou muitas vezes por dentro. Foi uma exibição bem agradável, a todos os níveis.

Individualmente, MVP para Aboubakar, bem ajudado por Marega. Voltei a gostar da dupla Danilo e Herrera, cuja mobilidade beneficia muito o rendimento geral da equipa. Reyes cumpriu bem apesar do amarelo parvo que viu. Maxi é muito consistente e ainda hoje estou para perceber por que motivo Layun chegou a estar à frente dele nas opções. Dos jogadores que entraram, gostei do André André.

Para quinta-feira, o sorteio poderia ter sido melhor, mas jogamos no Dragão e temos uma óptima oportunidade de nos aproximarmos mais um pouco do pic-nic no Jamor.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Primeiro objectivo cumprido


Depois de duas semanas bastante complicadas, com prejuízos arbitrais gritantes, mas também com um nível exibicional mais baixo do que o que o FCPorto já mostrou este ano, sobretudo nas Aves e nos primeiros 20 minutos do clássico, nada melhor do que um golo 'madrugador' na verdadeira final que tivemos hoje. Este ano despachámos o campeão francês e há um ano despachámos o campeão inglês em circunstâncias semelhantes. A única diferença é que o Leicester apareceu no Dragão com a  qualificação garantida e o Mónaco apareceu já eliminado. Pouco importa. Só temos de aproveitar o facto de nos mantermos na luta até ao final e de nos termos colocado nesta posição confortável de depender do nosso resultado no Dragão. Em suma, mantemos a nossa consistente presença nesta fase da Champions League e cumprimos o nosso primeiro objectivo do ano no grupo mais difícil dos últimos anos. É importante e este grupo merece ir vendo o seu esforço recompensado!

É óbvio que este feito sai ainda mais valorizado pelo desempenho dos nossos rivais, sobretudo o Benfica, cujo percurso europeu deste ano só os pode fazer 'corar de vergonha'. Mas, por muito gozo que nós estejamos a dar aos nossos amigos benfiquistas, há outras conclusões a tirar: dada a disparidade de rendimento europeu como é possível a classificação do campeonato nacional não reflectir tamanha diferença de rendimento? Somos obrigados a concluir que a classificação está 'abençoada'...

Mas as boas notícias não se resumem à passagem à fase seguinte. Voltámos a ver bom futebol neste FCPorto. As oportunidades de golo não desapareceram nos últimos jogos, mas a qualidade de jogo vinha decaindo. Estávamos a ter muita dificuldade em encontrar Brahimi em boas condições para criar e a recorrer demasiado aos lançamento longos a partir dos defesas. Convém, no entanto, referir que a entrada em jogo voltou a ser bastante atabalhoada, apesar do golo aos 9 minutos. Mas a equipa foi crescendo e o terceiro golo já é uma excelente jogada, em que aproveitámos todas as potencialidades do esquema montado por Sérgio Conceição. Na segunda parte, o jogo seguiu no mesmo tom apesar dos golos sofridos.

Individualmente houve grandes exibições individuais. O MVP óbvio é Aboubakar com dois golos e uma jogada e assistência primorosas no terceiro golo. Gostei muito da exibição de Alex Telles que já merecia o golo, num remate que já andava a ensaiar há muito tempo. Gostei também de Herrera que esteve muito melhor na construção. E isto é fundamental. Neste esquema é preciso que Herrera seja mais do que um jogador com disponibilidade física e que corre com bola e atrás dela. É preciso que ele assuma a construção e permita uma saída alternativa quando Brahimi aprece muito marcado. No fundo pretende-se que Herrera seja mais Oliver... Danilo também esteve bem apesar de alguns pequenos erros iniciais. Foi importante Soares voltar aos golos e é pena que Marega não o tenha conseguido. A lesão do Otávio assusta um pouco e faz lembra a recaída que Soares também já teve este ano. Pela negativa, Felipe. Já sei que a expulsão é exagerada, mas ele andava a 'pôr-se a jeito' há alguns jogos. Vá lá que não teve consequências a não ser o facto de os olheiros da selecção brasileira terem assistido aquilo.

Para terminar o árbitro. O resultado pode abafar um pouco as decisões, mas a arbitragem foi muito má! Tem decisões erradas em quase todos os lances complicados, sempre em nosso prejuízo, e só não foi uma exibição pior do que a da passada sexta-feira, porque o Sueco não tem o 'auxílio' do VAR.

A viagem a Setúbal vem em boa hora. Eles andam de rastos e nós vamos aparecer muito motivados por este resultado e pelo do Bessa (hopefully).

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Crónica, passados dois dias...


Pensei em fazer a crónica uns dias depois, para retirar alguma emoção e para ver se conseguia arranjar alguma capacidade analítica que fosse além do «isto foi um roubo» ou «falhámos demasiados golos». Não resultou. Continuo tão ou mais revoltado do que o que estava na passada sexta-feira. Foi uma vergonha! Muitos elogiam esta recente política de denúncia constante dos meandros do futebol português e do chamado 'polvo' que o tem dominado. Normalmente repete-se esta ideia de que «isto não vai dar nada mas, pelo menos, eles ganham vergonha e vão acalmar um bocado»... Notam alguma diferença? Pois... Tudo na mesma... Pela via da política e dos tribunais não vamos lá. Por cada verme que denunciamos, outros trinta aparecerão. Resta fazer o que fizemos antes e montar as nossas equipas para serem muito melhores do que o adversário. Melhor não bastará. Teremos de ser muito melhores e trabalhar o dobro. É injusto mas já provámos na nossa história recente que não é impossível.

Vamos ao jogo. Continuo com sérias reservas em relação à tendência da evolução da nossa forma de jogar, desde que trocámos Oliver por Herrera. Já sei que foi dessa forma que sufocámos o adversário de sexta-feira durante toda a segunda parte e em Alvalade durante quase todo o jogo. Também sei que isto tem resultado bem, com a excepção dos últimos dois jogos. E já sabemos o que aconteceu nesses dois jogos... Ou seja, em condições normais, este estilo de jogo funcionaria. Mas eu acho que podemos fazer melhor, se mudarmos uma ou duas peças. Temos de ter mais alternativas de jogo além da bola longa e do ataque à profundidade de Marega e das incursões individuais de Brahimi. Esta forma de jogar tem feito com que passemos partes grandes do jogo, sem que o consigamos dominar. Na sexta-feira, enquanto o Benfica conseguiu ter 'pedalada', dominou o jogo. A vantagem é que a 'pedalada' deles acabou aos 20 minutos. E a partir daí sofreram. Mas puderam notar que, nesses momentos iniciais, eles conseguiram pressionar os nossos defesas até ao momento em que tiveram de chutar para longe, sem critério. Chegámos a ver momentos em que Brahimi estava 1 para 4 e de costas para a baliza adversária. Estes 4 para 1 acontecem porque o nosso jogo pelo chão é previsível. Pelo chão, ou a bola entra no lateral ou entra no Brahimi. É fácil. Temos de aranjar alternativas e espero que este regresso de Otávio possa trazer algo, visto que já percebemos que Oliver não conta. Infelizmente...

O resto do jogo foi marcado pelo desperdício. A sorte é sempre um factor, mas também conta o facto de as nossas melhores oportunidades terem ido parar aos pés de Marega. Que tem sido uma grande revelação mas que está longe de ser um brilhante finalizador. Marega é mais um jogador de quantidade do que de qualidade. Um pouco como o futebol que Sérgio Conceição tem vindo a implementar nos últimos jogos. A ideia é chegar lá tantas vezes que uma há de entrar. Essa táctica é válida mas, em jogos como o de sexta-feira, a sucessão de oportunidades trouxe muita intranquilidade e isso afecta a nossa capacidade para concretizar.

Quanto à arbitragem, nada a dizer que não tenha sido repetido por todos os portistas. Foi um escândalo! Quase tão escandaloso como a tentativa de branqueamento que se seguiu por parte dos artistas do costume. Dou especial destaque a bandalhos como Duarte Gomes e Pedro Henriques que consideram o lance do Luisão, de difícil análise. Este é dos lances de mão mais clássicos e mais fáceis de analisar. O defesa tenta jogar a bola e por 'nabice' a bola sobra para a mão. A intenção nada interessa nestes lances. Havendo o VAR para comprovar que a bola toca na mão, nenhum destes lances deveria passar. É uma vergonha que esta gente se disponha a estes papeis. Depois temos o lance do golo de Herrera. Temos de ser claros: um árbitro assistente que não consegue ver que há um jogador que põe toda a gente em jogo, não pode apitar. É incompetente demais. Teremos de estar atentos às próximas nomeações, porque este tipo não poderá apitar nos próximos jogos ou meses, se possível.

Individualmente, gostei bastante da exibição de Danilo. Para mim foi o MVP. Nota igualmente positiva para os nossos laterais que anularam por completo os adversários e que foram das nossas melhores armas ofensivas. Gostei também da entrada de Otávio que mexeu claramente com o jogo. Pelo contrário, esperava mais da entrada de Soares. A esse propósito, se a intenção era a de manter dois avançados, preferia que tivesse saído Marega visto que Aboubakar é melhor finalizador. Mais uma vez, Felipe voltou a ser o mais nervoso em campo. Marega teria nota negativa pelos falhanços mas, na verdade, foi uma peça muito importante no momento em que nós entrámos no jogo. Foram as suas arrancadas que nos puseram numa posição de domínio a partir do meio da primeira parte.

Na quarta-feira teremos mais um jogo decisivo, desta vez sem VAR e sem os árbitros portugueses. Será possível pedir a mesma intensidade e um pouco mais de serenidade na finalização? O Oliver já nem peço...

domingo, 26 de novembro de 2017

Patinagem


Finalmente vacilámos no campeonato. Era uma questão de tempo, por várias razões. Abordarei apenas três. É muito difícil manter estas series vitoriosas porque no futebol há sempre imponderáveis como os que vimos no sábado. Juntou-se uma má exibição do FCPorto a uma má arbitragem, um péssimo relvado e um erro individual grave de Corona. Sendo assim, até nos ocorre aquela sensação de que poderia ter sido pior. Mas essa sensação saiu abafada porque tivemos várias oportunidades para sair vivos. Seja nos pés de Aboubakar, seja no apito de Rui Costa. Sobretudo este último factor que nos deixa bem alerta para o que nos vão tentar fazer enquanto estivermos no primeiro lugar. O lance do penalti sobre Danilo é tão escusado e tão claro, que é óbvio que o árbitro e o VAR têm de ser penalizados e ir para a 'jarra' por uns tempos. Não imagino outro desfecho minimamente sério para um erro destes.

Mas estes imponderáveis não justificam tudo. E falar do empenho extra dos adversários até fica mal a Sérgio Conceição. Não basta dizer que 'jogámos mal' ou que ' os gajos pareciam que estava a jogar na Champions' ou que 'hoje não era o nosso dia'. Há que perceber que esta incapacidade de controlar o jogo é agudizada pelas opções técnicas. O facto de nós não termos médios com capacidade de ter bola e de gerir o jogo em posse é uma opção clara do treinador, que tem tido sucesso e que se repete há mais de 10 jogos. Se Sérgio Conceição quer 'partir o jogo' tem levar com as consequências. Por um lado, consegue ter oportunidades e muita gente na área adversária. Por outro, vai ter de esperar que Sá esteja tão inspirado como esteve nestes dois últimos jogos, porque já se viu que, às vezes, a 'manta é curta'. Costumo repetir esta ideia por aqui. Se os treinadores dos grandes apresentam estratégias que tornam o jogo mais aleatório, têm de estar preparados para jogos como o de sábado porque é inevitável e vão acontecer com frequência. Em suma, foi o nosso pior jogo do ano. Muitos falarão do jogo em Leipzig, que foi muito mau, mas há que ter em consideração a valia do adversário. Pode acontecer mas este resultado veio em má altura. Era muito importante chegar a sexta-feira com a possibilidade de 'arrumar' já com um dos adversários. 

Apesar do apagão que tivemos até ao golo do Aves, não deixa de ser de elogiar a reacção da equipa ao golo sofrido. Com menos um jogador, conseguimos encostar o adversário e, ao contrário do que disse Lito no final do jogo, apenas houve oportunidades do FCPorto após o empate. A começar por aquela de Aboubakar. Ainda assim, se era para acabar o jogo com Marega e André Pereira na frente, para quê tirar logo Aboubakar? Assim queimámos uma substituição.

Individualmente, destaco dois jogadores: Ricardo e Sá. Dou o MVP a Ricardo pelo golo. Afinal, ao contrário do que se viu na Turquia, o homem tem pé esquerdo. Sá ajudou a adiar o golo adversário que parecia inevitável, mesmo antes da expulsão de Corona. Soares regressou muito bem, e só a prudência justifica que tenha saído antes de Aboubakar. A entrada de Marega mexeu com o jogo. Danilo destaca-se sempre nestes jogos de muita luta, mas continua a demonstrar deficiências posicionais que já não se compreendem nesta altura. Pela negativa todos os outros. Destaque sobretudo para Herrera, que é o maior símbolo deste futebol sem cérebro, e para Brahimi que, desta vez, não conseguiu colmatar a falta de criatividade no meio-campo. Nota mínima para Corona que teve um erro que nos deixou demasiado expostos à inevitabilidade de perder pontos. Este posicionamento de Corona como um dos elementos mais recuados nas ressacas das bolas paradas, sempre pareceu arriscada. A verdade é que só no ontem é que isso nos trouxe problemas.

Na sexta-feira, já não dará para arrumar de vez com as papoilas. Mas, no que pudermos ajudar...

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Estofo Europeu


Lembram-se daquela sucessão de agoiros que nos foram lançando nesta época? Primeiro era porque defrontámos equipas fracas na pré-época, depois era porque ainda não tínhamos jogado com um grande e depois era porque só tínhamos equipa para 'consumo interno'. No geral, todas estas teorias resultam de outra doutrina pré-concebida que determina que o nosso plantel é curto. Sérgio Conceição tem vindo a fazer por provar que todos estavam errados menos o Presidente que, pelas declarações de ontem, já adivinhava isto tudo e muito mais... Quanto a essas declarações, custa-me comentar porque ele apresenta como contraponto a esta aposta de sucesso, uma outra aposta sua, que agora ele considera desastrosa... Bizarro no mínimo, mas adiante. Sérgio tem vindo a demonstrar que a sua gestão do plantel é capaz de sobreviver às competiçoes internas, às baixas por lesão e até à dificuldade das competições europeias. O nosso estatuto Europeu ficou definitivamente selado ontem, em que confirmamos a continuidade nas Competições Europeias, mantendo uma probabilidade elevada de continuar na Champions. Mas mais que isso, conseguimos, com maior ou menor dificuldade, conquistar pontos no campo daquela que tem sido a melhor equipa do grupo.

Vamos a essa questão da 'maior ou menor dificuldade'. O onze apresentado foi mais conservador do que o habitual. Voltámos a ter Sérgio Oliveira a fazer dupla com Danilo e tivemos Ricardo Pereira na direita, tratando-se de uma opção mais segura do que Corona ou Marega que estava indisponível. Apesar desta táctica de proteger melhor a nossa baliza, as nossas entradas em jogo foram complicadas. Sobretudo na segunda parte em que sofremos bastante, apesar de não termos permitido grandes oportunidades. Recordo que, tirando o golo sofrido, os lances perigosos surgiram invariavelmente de remates de fora da área. Isto sucedeu porque, nessas alturas, o FCPorto teve muita dificuldade em sair a jogar. Ora isto não poderá surpreender ninguém, dado o onze apresentado. Com esta configuração de meio campo, teremos sempre períodos em que vamos 'cheirar a bola' porque não a conseguimos segurar com qualidade. A única solução boa de saída é Brahimi. Isto é limitativo e demonstra que, ao contrário do que se poderia admitir aos adeptos, o empate foi sempre encarado como um cenário bem razoável. Foi uma opção conservadora de Sérgio Conceição, mas que resultou na maior parte do jogo. Polémico ao não, parece-me razoável que se planeie o jogo contando com o facto de o adversário, que joga em casa, apenas precisar de um empate.

Individualmente, dou o MVP a Brahimi apesar de ter gostado também das exibições do Sá, do Marcano e do Sérgio Oliveira. Brahimi parece ser o único jogador que 'põe sal' neste esquema de jogo e isso, para mim, é decisivo. A exibição de Sá e aquela defesa a remate de Quaresma poderão ser muito importantes para a sua afirmação. É que a sombra de Casillas vais pesar bastante. Ricardo também tem nota positiva apesar daquele falhanço horrível. Felipe esteve soberbo no nosso golo e péssimo no do adversário. 

Segue-se o jogo nas Aves. Muita atenção! Parece que as 'papoilas' estão a apostar mais nesse jogo do que no da semana seguinte...

domingo, 19 de novembro de 2017

Ufa!



O jogo de sexta-feira tinha tudo para dar asneira. As selecções, as lesões e a habitual gestão do plantel nestes jogos que antecedem jogos importantes da Champions, afectam a forma de jogar de qualquer equipa. Ainda por cima era um jogo de Taça de Portugal. Para ajudar, o Portimonense voltou a demonstrar, no Dragão, ser uma equipa que parece talhada para nos causar problemas defensivos. Para terminar, não pude ver o jogo no Dragão e a solução que arranjei para ver o jogo, ia caindo regularmente e caiu de vez após o segundo golo do Portimonense. Tudo a ajudar... Valeu a nossa já habitual, mas que não deixa de ser surpreendente, capacidade em transformar a garra em golos, que chegaram de forma épica no período de compensação.

Voltemos ao início. A equipa entrou no jogo de forma um pouco mais dócil do que nos é habitual. Ainda assim, marcámos logo um golo e criámos várias outras oportunidades para tornar o resultado mais confortável. Como não concretizámos, e como o Portimonense conseguiu fazer tudo o que queria no ataque, a equipa acabou por tremer. De tal forma, que o resultado certo ao intervalo seria um empate com mais golos. Na segunda parte controlámos melhor o adversário, mas passámos a criar menos perigo. O segundo golo do Portimonense é um golo típico sofrido em jogos no Dragão. Um remate de longe, num momento em que a equipa parecia estar melhor posicionada para contra atacar do que para defender. Pensei que estava feito, porque esse golo surgiu numa altura em que o Portimonense já não estava com capacidade para chegar lá à frente, como tinha demonstrado na primeira parte. Ia ser um daqueles jogos em que se iria perder metade do tempo em lesões do adversário e em que íamos ter 10 oportunidades de golo até ao final sem que a bola entrasse. Não se cumpriu nem uma coisa nem outra. Por um lado,  o tempo que se perdeu foi justamente compensado com 7 minutos adicionais. Por outro, apesar da expulsão, o FCPorto não conseguiu arranjar muitas oportunidades de golo, mas conseguiu arranjar forças para ir buscar a vitória nos 7 minutos na compensação. Épica vitória e um valente susto!

Individualmente, tenho dificuldade em escolher o MVP. Pode ser o Alex Telles porque está em dois dos nossos golos. Gostaria no entanto de destacar Oliver, mais concretamente o seu posicionamento mais perto de Danilo do que de Aboubakar. De tal resultou uma exibição apenas regular de Oliver e uma má exibição de André André que continua com uma enorme dificuldade em desempenhar aquela função híbrida. E na Turquia? Teremos o regresso de Herrera para a posição em que jogou Oliver ou para a posição em que jogou André André? E quem sai da equipa? Julgo que o Sérgio vai optar pelo Herrera e pelo André André, mas nesse caso, voltaremos a ter o André em subrendimento. Não teria sido melhor testar o Oliver numa posição mais adiantada? Casillas voltou com uma exibição regular, como seria de esperar. É de valorizar aquele discurso no grito final e tal poderá indiciar a manutenção da titularidade na Turquia. Destaque negativo para Felipe que está a inventar bastante e sobretudo para Ricardo Pereira que esteve a dormir durante toda a primeira parte. Hernani, quando for dispensado em Janeiro, não se poderá queixar de falta de oportunidades. Até deslocaram o Corona do seu flanco para que o menino pudesse jogar na sua posição... Um último destaque para a estreia de André Pereira. Não tremeu, mas está bem longe do potencial de Galeno, Rui Pedro ou Gonçalo Paciência.

Na terça-feira, o jogo é a horas proibitivas para mim e para muitos. vou tentar isolar-me do mundo e puxar atrás ao chegar a casa. Aviso portanto família e amigos que vou ter o telefone desligado.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Grande semana!


Quando comecei a escrever o post estávamos a 4, para depois estar a 5, para voltar a estar a 4 pontos de distância para o segundo. Jogos apitados por Xistra são assim. Ontem o empate era o resultado mais conveniente para o artista. Os seus protegidos aproximam-se do segundo lugar, sem que fiquem demasiado ameaçados na sua posição de terceiro.

Mas o aumento da nossa vantagem consumou-se. E aconteceu na mesma semana em que voltámos a estar em posição de qualificação na Champions. Seria difícil imaginar uma culminação melhor para um ciclo de jogos que se adivinhava muito difícil. É certo que não sucumbimos nos resultados, mas a parte física está a rebentar  por todos os lados. Basta ver Felipe que se agarra a quem passa perto dele para não cair de cansaço... É raro dizer isto mas, esta pausa para selecções e Taça de Portugal vem em óptima altura. Teremos tempo para recuperar as lesões que temos e que exigem sobretudo repouso. 

Perante tanto cansaço, no jogo de ontem, emergiu o nosso 'tanque'. Vamos lá abordar o 'elefante na sala'. Herrera foi o MVP da partida. Não o atribuo por meras razões estatísticas e por ter estado nos dois golos. Foi o melhor porque demonstrou um fulgor físico durante o jogo que se destacou dos demais. E já percebemos que a parte física é muito valorizada neste esquema em que Sérgio Conceição, por causa da pressão que se pretende colocar no adversário. É neste campo que Herrera se distingue dos outros médios do plantel. Tem uma capacidade física ímpar no nosso plantel e é o que aguenta melhor este ritmo estonteante que se exige aos nossos médios. Eu diria que é o único que aguenta porque, sempre que Danilo o tenta fazer, fica uma 'cratera' atrás dele e a sua recuperação 'a trote' é bem visível em campo, nomeadamente nos jogos com o Leipzig. Nos últimos dois jogos, Herrera juntou a isso um bom desempenho ofensivo, sobretudo nas bolas paradas em que ataca o segundo poste. Mas abordando as minhas recentes reservas quanto à titularidade do Herrera, muitos dirão que tenho de reconhecer o erro. Quem me lê regularmente sabe que me recuso a desligar o cérebro, só porque vamos à frente. Como pessimista militante, está na minha natureza antecipar possíveis problemas e procurar soluções. Eu até percebo a ideia da aposta em Herrera mas continuo a achar que não é a melhor solução no plantel. Acho que é uma solução que faz com que a equipa tenha menos qualidade com bola e que impede que se constitua uma alternativa criativa no meio campo. Com este onze, restringimos a criatividade ao trabalho de Brahimi e Corona, sendo que este último nem sempre joga. Basta que Brahimi tenha um jogo menos bom, como por exemplo neste último jogo com o Leipzig, e deixamos de ter soluções. Nesse jogo 'safamo-nos' pela nossa qualidade nas bolas paradas, que têm sido tão importantes nos últimos jogos. Mas ninguém me consegue convencer de que um jogador mais evoluído tecnicamente não traria mais soluções à nossa frente de ataque. Muito falamos do caso Casillas, mas o caso Oliver é absolutamente inexplicável. Sérgio tira-o da equipa porque acha que ele não lhe dá o que se exige a um médio num esquema de dois elementos no meio campo. Mas agora já sabemos que ele também não serve para um meio campo a três. Depois deste último jogo, eu pergunto se haverá alguém que não esteja à frente de Oliver nas opções de Sérgio Conceição? Com uma equipa tão debilitada nas opções ofensivas, até um jogador da equipa B foi opção. A conclusão óbvia é que Sérgio é alérgico a talento no meio campo. Quer jogadores práticos e duros. Para mim esse é um erro porque ajuda a partir a equipa e, num plantel muito 'espremido', nos priva de uns dos jogadores mais talentosos do plantel. Mas se é para ser assim, ainda bem que o Herrera está num bom momento de forma.

O jogo foi muito marcado pelo cansaço e pelas ausências. A vitória foi natural e confirmou-se de forma demasiado tardia no jogo. As oportunidades foram aparecendo a uma cadência interessante e desperdiçamos muitas jogadas perigosas com más decisões e más finalizações. Apesar disso, a equipa manteve-se tranquila até à confirmação da vitória que nos deixa mais confortáveis.

Individualmente, além da exibição de Herrera, não gostei propriamente de nenhuma exibição. Brahimi esteve melhor na primeira parte do que na segunda. Aboubakar marcou um golaço mas esteve sempre muito longe do jogo. André André continua meio perdido naquela posição que não é a dele. Se se aproxima de Aboubakar, perde mais vezes a bola. Se recua, está em cima de Herrera. Ainda não se percebeu o que Sérgio pretende dele nesta posição. Corona entrou bem e foi pena que o miúdo não conseguisse marcar. Reyes cumpriu, apenas. Pela negativa Felipe. Já sabemos que os nossos adversários, que há um ano gozavam com as nossas queixas, estão hoje transformados nuns 'calimeros'  que se queixam por tudo e por nada e que escolheram o Felipe como o novo Paulinho Santos. Isto não é um problema. A questão é que os dois lances que se discutem do Felipe são incrivelmente desnecessários e demonstram alguma desconcentração. Gosto de Felipe agressivo mas concentrado.

Venha a pausa. Se houvesse página web com o boletim clínico ia lá fazer 'refresh' regularmente, neste período.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Tenso e Intenso


Não fizemos uma grande exibição e voltámos a demonstrar muitas dificuldades perante o poderio ofensivo do Leipzig. Mas saí do Dragão com uma satisfação plena. A razão é simples, o FCPorto enfrentou uma equipa que demonstrou ser superior tecnicamente, mas que não conseguiu sobreviver à fúria do Dragão. Tal como tem acontecido sucessivamente, este FCPorto de Sérgio Conceição, supera-se perante as adversidades.

E a primeira veio logo nos primeiros minutos. Depois do que aconteceu com o Besiktas, poucos antecipavam que Sérgio apostasse numa frente de ataque reforçada e antecipava-se o regresso de Sérgio Oliveira ao onze. Corajosamente, apesar da ausência de opões ofensivas no banco, apostou-se em Corona para reforçar o ataque, num claro sinal de que se pretendia entrar forte e resolver o jogo cedo. A lesão de Marega veio complicar as contas. É que no banco faltavam as outras opções já testadas nessa posição: Soares e Otávio por lesão e Galeno que julgo que nem está inscrito. Sérgio teve de improvisar e optou por mudar o esquema de jogo com a entrada de André André, num esquema mais parecido ao que tivemos em Leipzig. Como seria de esperar, fiquei logo aziado por não se ter optado por Oliver, que tem outros argumentos ofensivos. Ainda agora me custa a perceber a opção de Sérgio Conceição, mas a verdade é que a estrelinha que nos tem acompanhado voltou a atuar em força. Perante uma substituição claramente defensiva, num jogo em que era obrigatório ganhar, do canto ganho por Marega na sua última jogada em campo, surge o nosso primeiro golo. Melhor era impossível. O problema é que a pressão dos alemães era muito forte e o nosso meio campo teve grande dificuldade no controlo do jogo. O Leipzig dominou o jogo como quis até ao golo do empate. Isto apesar de não ter tido grandes ocasiões de golo. Houve poucas no jogo. Estranhamente ou não, o Leipzig desapareceu após o golo do empate. Gostaria de dizer que o FCPorto passou a dominar o jogo, mas não consigo. Passámos a jogar melhor do que na primeira parte mas, pareceu mais um aumento de intensidade e da garra, do que domínio das operações. Parecia um domínio mais consentido pelo adversário do que conquistado, até porque Brahimi não conseguia pegar no jogo e Corona já dava sinais de cansaço. O segundo golo de bola parada veio dar à equipa a confiança de que precisava. A partir daí, todos os cortes eram festejados como se se tratasse de um golo, até ao efectivo golo de Maxi que trouxe a explosão geral de um estádio que esteve sempre com a equipa, mesmo quando passámos mal na primeira parte. Por falar em Maxi, mais uma vez a estrelinha de Sérgio Conceição a funcionar... Até agora, as entradas em jogo de Maxi significavam sempre uma subida de Ricardo no terreno. Desta vez, foi ao contrário e deu golo. Inexplicável, mas isso torna o momento do golo ainda mais saboroso.

Em suma, foi um jogo que não dominámos e que ganhámos no único pormenor em que fomos muito superiores ao adversário: na garra, na intensidade e na vontade de vencer.

Individualmente não consigo dar um MVP. Estatisticamente, Danilo foi decisivo com um golo e uma assistência.  Herrera também marcou e cresceu no segundo tempo. Mas não consigo esquecer o desnorte destes dois na primeira parte. Tiveram 180 minutos para perceber como controlar as investidas de Keita e Forsberg e nem com a ajuda de André André deixámos de sofrer com a acção desses jogadores no miolo. Se tivesse de escolher iria mais para Marcano ou Corona que não estiveram soberbos mas que tiveram exibições mais consistentes. Destaque negativo para Brahimi que, depois de vários jogos em que foi o melhor, não conseguiu soltar-se da apertada marcação que sofreu.

Voltamos no sábado e Sérgio faz bem em queixar-se do calendário. Não se percebe porque é que os interesses televisivos se hão de sobrepôr aos interesses de um clube, numa semana em que fomos os únicos a obter um vitória na Champions. Mais uma adversidade para ultrapassar!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dragão de Ouro


Valeu a pena ver a cerimónia dos Dragões de Ouro para ver aquele momento simbólico de passagem de testemunho entre Madjer e Brahimi. Por testemunho entenda-se 'varinha mágica', porque é de mágicos que estamos a tratar. É interessante constatar que a magia de Madjer era decisiva, mesmo na selvajaria que era o futebol português nos anos oitenta. Pois, hoje em dia, Brahimi também brilha perante um Boavista e uma arbitragem que também fazem lembrar esses tempos. 

Quanto aos lenhadores do Bessa, nada que não fosse de antecipar. Era escusada tamanha complacência de Hugo Miguel. Este foi talvez o fator que mais equilibrou o jogo no primeiro tempo. também não ajuda a falta de qualidade de passe e de posse que temos no meio campo, com a dupla Danilo e Herrera. Com estes dois em campo, torna-se mais importante o papel dos mágicos das alas, nomeadamente Brahimi, que é o que retém a bola com mais qualidade. Assim o jogo torna-se mais previsivelmente lateralizado, apesar da imprevisibilidade que estes dois trazem a qualquer jogada em que participam. Em suma, a primeira parte do jogo não foi boa porque não se jogou pelo miolo, quer pela complacência do árbitro com os lenhadores boavisteiros, quer pela inépcia de Herrera e Danilo em receber a bola dentro do bloco adversário. Tudo mudou com o primeiro golo. Aboubakar desceu para fazer o papel de médio e logo desmontou a defesa adversária. A partir daí, tivemos mais espaços que a equipa em geral e Herrera em particular, passaram a ocupar com maior eficácia. Apesar de um ou dois percalços na nossa área, era uma questão de tempo até ao resultado se avolumar. Concretizou-se com uma biqueirada de Marega. Destaque também para o desarranjo táctico que Jorge Simão apresentou na segunda parte do jogo. É um mister que não aprecio e é sempre bom ter razão e vê-lo a fazer implodir a sua equipa com apenas uma substituição.

Mais uma vez, tal como aconteceu em quase todos os jogos fora de casa, saí com a sensação de que teríamos empatado ou perdido um jogo com estas características e com aquela primeira parte, com o FCPorto de Nuno Espírito Santo. É impossível de provar mas, ainda assim, dou-o como adquirido. De facto, mesmo com estas bizarrias que nunca vou entender como as opções de Sá por Iker e Herrera por Oliver, este FCPorto de Sérgio Conceição parece ter uma disposição mental e uma atitude competitiva diferentes e isso nota-se nas reacções aos resultados menos positivos ou a primeiras partes menos conseguidas.

Individualmente, dou o MVP a Brahimi que continua a ser o farol da equipa, apesar de jogar a partir da ala esquerda. Mais um grande jogo do nosso mágico. Aboubakar também voltou a estar muito bem e foi decisivo na jogada que desbloqueou o jogo. Gostei também das exibições de Ricardo e Corona. Este último, a jogar assim, pode dar ao Sérgio mais confiança para a aposta em dois médios e dois alas, nomeadamente no jogo de quarta-feira. Marega continua a ser Marega. Jogo aparentemente fraco mas em que é, mais uma vez, decisivo. Habituem-se! Gostei também da entrada de André André que, esta época, tem sido o nosso décimo segundo jogador que mais traz à equipa. Devia ter entrado 10 minutos mais cedo. Pela negativa, não tenho grandes destaques. A dupla de centrais esteve uns furos abaixo do resto da equipa, sobretudo Felipe. Esta dupla é um dos esteios da equipa e são a melhor herança do  anterior treinador. Mas, com um meio-campo mais 'pezudo' como o que temos actualmente, notam-se muito mais as dificuldades de construção e o nervosismo aumenta.

A má exibição na Alemanha tornou o resultado da próxima quarta-feira num jogo absolutamente decisivo. Qualquer resultado que não seja a vitória deixa-nos fora. Tirando Sá e Herrera, espero que o onze se repita.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ainda a questão do guarda redes


Como é óbvio, esta crónica não é sobre o caso Casillas. O título foi apenas uma miserável tentativa de 'click bait'. Na verdade, com um ataque assim, até poderíamos ter jogado com o guarda-redes dos sub15 e goleávamos na mesma. Continuarei a não concordar com a opção até que me digam o verdadeiro motivo. Para já, o que Sérgio diz é que é uma opção técnica. Tal como Herrera também o é. A própria opção por Layun, nas ausências de Ricardo, é absurda para mim e para muitos. Mas, por muito que eu queira criticar algumas opções, perante a evidência dos resultados, tudo se torna um pouco deslocado. Vou deixar de falar destas opções estranhas. Tal como Sérgio Conceição, talvez eu esteja a insistir num erro. A minha natureza de treinador de bancada, faz-me concentrar nos Herreras e noutros nabos de quem todos os treinadores tanto gostam, quando devia estar a desfrutar deste excelente arranque da equipa na Liga. Também o Sérgio, não se segura e não consegue deixar de arranjar novas frentes de batalha, apesar de estar a competir num campeonato de Padres de Missas e de convenientes falhas de comunicação no VAR. Está na nossa natureza...

Ontem o jogo foi bastante bom. Em primeiro lugar, tivemos uma assistência muito boa para um jogo em Outubro, com uma equipa da metade inferior da tabela. Mas o mais importante foi o facto de a assistência ter sido premiada com uma exibição intensa da equipa. Sérgio Conceição prometeu uma reacção muito forte e cumpriu. A equipa do Paços entrou com um verdadeiro espírito 'lenhador' mas, antes mesmo do empate, já tínhamos tido 3 oportunidades de golo claras. Esse lance resultou de uma série de erros até ao erro final de Herrera e é um lance que pode acontecer e acontece normalmente nestes jogos em casa. O mais importante é a reacção a estes imponderáveis. Estávamos a meio de uma reacção a uma derrota europeia e tivemos de reagir a um empate que não merecíamos. E a reacção foi muito boa! De um empate desconfortável, fomos para o intervalo com um confortável 4-1. Esta é a verdadeira fortaleza do Dragão! De goleada em goleada. Os guarda redes que nos visitam têm de se preparar para ir buscar a bola ao 'saco' várias vezes.

Sérgio Conceição voltou ao 1-4-4-2 e voltou a 'avalanche' ofensiva. Os quatro da frente fizeram exibições boas e, apenas essa conjugação, chega para 90% dos jogos no Dragão. Para complementar, Ricardo arrancou uma exibição portentosa, sendo um claro MVP. Marcou um golo, teve duas assistências e foi muito agressivo no ataque às segundas bolas, percorrendo todo o corredor com autoridade. Este esquema de jogo pede laterais assim. Capazes de fazer o corredor todo. Quanto às restantes exibições, não há nenhuma nota que não seja muito positiva. A menos exuberante, talvez tenha sido a de Danilo.

Na terça-feira temos Taça da Liga. Espero ver outra vez Dalot e, já agora, Fede Varela, que já merece.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Caso Casillas e o experimentalismo


Já sei que foi apenas um jogo e que tanto Sérgio Conceição como a equipa têm estado bem acima do esperado. Se me dissessem que íamos perder 3-2 em Leipzig, no momento do sorteio, eu não poderia estranhar. É uma equipa boa e com muitas soluções ofensivas de qualidade mundial. Mas o jogo de hoje foi horrível! É um resultado extremamente enganador porque é escasso para os alemães. Tenho dificuldade tirar alguma coisa do jogo que não sejam perplexidades. 

Mas a maior perplexidade é Sérgio Conceição. Imaginem esta situação: vamos ver um espectáculo de magia e, a certa altura, o ilusionista apresenta um número em que faz desaparecer do palco um elefante. Brilhante! Só nos resta aplaudir de pé tal façanha. Já estávamos surpreendidos por alguém conseguir enfiar um elefante no Rivoli, quanto mais fazê-lo desaparecer! E se, no número seguinte, o ilusionista, no meio de um truque de cartas, apresentar dificuldades em baralhar, deixar cair as cartas no palco e não acertar na carta que o membro da audiência escolheu, nem à quinta tentativa? É caso para duvidar. Poderá ter tido sorte, antes? Mas era um elefante adulto! E isto é um simples truque de cartas... Bem, julgo que dá para perceber a ideia. O que pretendo dizer é que Sérgio Conceição conseguiu o mais difícil. Após a primeira derrota, estabilizou a equipa numa base de confiança, demonstrou que tinha capacidade de se adaptar às dificuldades que os jogos nos foram trazendo e passou incólume a uma semana em que jogava em Alvalade e com o campeão francês. Agora era preciso estabilidade. 'Colher os frutos' do trabalho das últimas semanas. Ontem bastava empatar. Bastava apresentar um onze sólido, confiante, experiente e capaz responder perante a antecipável pressão inicial de um adversário que precisava de pontos. Para quê inventar? Por que é que não apresentámos o nosso melhor onze? Porque é que não apresentamos o nosso guarda-redes mais experiente e que transmite mais tranquilidade à defesa? Porque é que se insistiu em apresentar o nosso lateral direito que defende pior, quando essa é a única posição do plantel em que temos 3 opções válidas (4 se contarmos com Dalot)? Podia perder na mesma, mas era completamente escusado perder de maneira a que seja possível assacar responsabilidades a um treinador, até agora unânime e justamente aplaudido. Era escusado dar à imprensa adversária um caso para encherem as suas páginas e os programas de 'paineleiros'. Para quê tanto risco? Ninguém me garante que o erro de José Sá não pudesse ser cometido por Casillas. Ele, recentemente, também teve muitas culpas no segundo golo do Besiktas. Mas sou capaz de garantir que um erro de Casillas não deixaria a defesa tão intranquila como se viu ontem. E o que se pedia era tranquilidade. A pressão estava do outro lado.

O jogo foi muito fraco. Já sabíamos que esta solução de meio campo trazia mais transpiração que inspiração mas, ao contrário do que vimos nos jogos anteriores, o preenchimento dos espaços foi péssimo. Cedo se viu que o Leipzig passava facilmente pela pressão dos nossos médios através da colocação de um dos alas em zonas interiores, mas não se fez nada quanto a isso. Vimos a mesma jogada repetida vezes sem conta  e sem que se conseguisse resolver. Bastava um médio mais posicional. Mas não foi um jogo bom de Danilo. Foi uma das exibições de que menos gostei. Outro problema foi a saída para o ataque. Aboubakar fez o possível para tentar segurar a bola, mas bastou uma exibição menos inspirada de Brahimi (muito marcado) e o nosso futebol ofensivo desapareceu. Porque, com este onze, só há Brahimi. O resto são correrias. No lado direito, ao intervalo, Marega e Layun tinham uma média de 30% de passes acertados. E mesmo assim, fizemos dois golos. Incrível! E as substituições? No intervalo com o Besiktas, depois de uma primeira parte muito melhor do que a de hoje, Sérgio muda dois jogadores. Porque não tentar o mesmo 'efeito de choque'? Sem Soares no banco, este esquema com Marega deixa o treinador sem soluções no banco. Mas é por culpa própria. Como se viu nos minutos em que jogou, Corona podia perfeitamente ter sido titular e passaríamos a ter uma solução ofensiva no banco. Assim, Marega fez a sua pior exibição da época e o Sérgio não o podia tirar, porque estava a perder e queria ter gente na frente. Só espero que Sérgio Conceição perceba todos os erros que cometeu e a sorte que teve em não ter sido goleado hoje. Se perceber isso, talvez possamos sair desta 'montanha russa' emocional que tem sido esta  edição da Champions.

Individualmente, gostei de Aboubakar, de Felipe e de Alex Telles. Marcano este no melhor, mas há dois golos em que acaba por comprometer. Num deles com algum azar. Brahimi cresceu na segunda parte e podia ter ficado até final. Não gostei nada de Danilo. Esteve pior até que Herrera e Sérgio Oliveira, que acabaram por passar ao lado do jogo. Layun foi o que se esperava defensivamente e, na frente, exagerou nos cruzamentos de fase recuadas. Deveria ter procurado a linha mais vezes, sobretudo na parte final do jogo. Mas o pior foi mesmo Marega. Ele andava a esconder todas estas 'nabices' com duas ou três jogadas por jogo, em que tem sido decisivo. Sem isso, sobram só as habituais perdas de bola e os passes falhados. Por último, gostei da entrada de Corona e esperava um pouco mais de Oliver, apesar de ter jogado melhor que qualquer um dos restantes médios.

No sábado regressamos ao campeonato. Antecipa-se mais uma experiência engraçada quando recebermos o onze titular.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Ideias breves sobre a Taça


Foi um jogo sem história por dois motivos. Por um lado não foi possível ao adversário dispor da sua maior arma, que é o pelado ou sintético minúsculo em que as equipas deste escalão jogam. Por outro lado, esta regra absurda de que os clubes têm de usar um mínimo de 8 jogadores que jogaram no últimos três jogos. No caso do FCPorto foram três jogos importantíssimos em que não houve grande margem para poupanças. Disto resultou que tivemos jogadores de distritais a enfrentar jogadores como Brahimi. Isto não beneficia ninguém. As possibilidades de 'haver taça' são cada vez mais remotas e o FCPorto perde a oportunidade de fazer descansar todos os seus melhores jogadores para o crucial embate de terça-feira. E seguimos com este experimentalismo legislativo das instâncias federativas. A tentarem imiscuir-se na gestão de plantel dos clubes sem proveito algum para ninguém. Mais vale estar quieto...

Individualmente, não tenho grandes destaques a não ser as caras novas. Comecemos por Dalot. Sempre que aparece um talento destes, os adeptos entram em histerismos e já deve haver gente a pedir que se venda Layun e Maxi no Mercado de Inverno e Ricardo Pereira no Verão. Eu, que acompanho as camadas jovens há anos, até costumo embarcar nessas ondas. Por isso, aqui vai: Dalot parece ter condições para ser opção válida para o plantel já na próxima época. É apenas uma questão de tempo até se afirmar como titular do FCPorto. Quanto mais cedo melhor, porque, talentos destes, não costumam ficar no futebol português muito tempo. Galeno é um caso diferente. É fundamental na equipa B e tem uma velocidade estonteante. Mas acho que foi um erro não se tentar colocá-lo na primeira liga. O que faz agora já fazia no ano passado e assim não evolui. Precisa desse teste para ser uma opção de relevo e útil para Sérgio Conceição. No jogo de sexta-feira entrou bem e até esteve melhor que Hernâni. Jorge Fernandes não teve trabalho e é um jogador que é presença habitual nos treinos da equipa principal. Mas na B terá que trabalhar bastante porque a dupla de Diogos tem dado garantias e podem ultrapassá-lo. Por último, Luizão. Quando vi que ia entrar fiquei logo aborrecido. Lembrei-me de Inácio no ano passado e pensei logo: «algum empresário está a fazer dinheiro com esta opção». Quem segue a equipa B, percebe a preponderância que Fede Varela tem e que é claramente o jogador de meio campo que está mais perto da equipa principal. Luizão chegou agora e passado dois meses já se estreia sem ter feito muito por isso. Estranhei muito esta opção.

Este jogo foi apenas uma formalidade. Venha a Champions em mais uma deslocação de dificuldade máxima. Uma vitória, quase que elimina este adversário.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Sabe a pouco


Pode parecer injusto, porque a equipa, no geral, esteve bastante bem. Mas fiquei com esta sensação de que perdemos uma boa oportunidade de ter já um bom avanço em relação aos nossos adversários. É essa sensação vem daquela primeira parte. 

Confesso que não me recordo de ter visto, nestes últimos 4 anos, uma exibição em Lisboa com tamanha autoridade, como a que vimos na primeira parte de hoje. Sporting sempre a 'cheirar a bola' e a falhar muitos passes perante a nossa pressão. Falhou nessa altura mais qualidade na finalização.Aboubakar por 3 vezes, Marega e Brahimi perdoaram em lances claros de golo.

Na segunda parte, o jogo foi mais equilibrado e por 3 factores. Em primeiro lugar, houve alguma quebra física. É natural, mas Sérgio guardou as substituições durante demasiado tempo. Já sei que nós estávamos a jogar com o resultado, mas foram riscos desnecessários. Por falar em riscos desnecessários, Layun. É fácil falar agora, porque não aconteceu nada de muito mau. Mas, para mim, Layun é a terceira opção para lateral no FCPorto. Não está em causa o empenho do jogador, que deu tudo pela equipa. É uma questão de qualidade defensiva. O que nos valeu é que Jesus demorou a perceber que era ali que estava o 'ouro' e só lá meteu o Gelson na segunda parte. Para mim, este também foi um dos factores que fizeram com que o jogo fosse muito mais equilibrado nesse período. Eles passara a ter ali um foco de perigo e insistiram por lá até ao final do jogo.
Mas há um último factor de equilíbrio na segunda parte. Não conseguiria fazer uma crónica sobre um jogo do FCPorto apitado pelo Xistra sem lhe dedicar pelo menos um parágrafo. Já nos tinha brindado com uma arbitragem bem 'axistralhada' em Braga e hoje não desiludiu. É nas coisas que não aparecem nos resumos, que Xistra mostra que é já um artista maduro. Na única falta que assinalou nas proximidades da área do Sporting, faltou o segundo amarelo para William. Mas esta foi uma excepção porque há um lance sobre Otávio e um pé na cara de Sérgio Oliveira em que ficaram livres muito perigosos por marcar. Já nas imediações da nossa área... Era só cair. Valeu que os nossos centrais estão quase imbatíveis em lances aéreos. Entre cantos e faltas foram cerca de 12 lances e só um, em que William cabeceia em fora-de-jogo, deu perigo.

Dissecando um pouco mais o jogo, tem sido atribuído muito destaque ao reforço do meio campo com Herrera e Sérgio Oliveira. É justo porque transforma a equipa numa máquina de recuperar bolas. Mas o segredo está no critério com que lançamos os ataques, logo após a conquista da bola. E nesse momento, quem tem brilhado é Brahimi que está em grande forma. Mas de uma maneira geral, toda a equipa procura sair com qualidade. Até Felipe, que tanto gosta de mandar para a bancada. 

Individualmente, MVP para Brahimi. Num jogo de boas exibições de quase todos, Brahimi destacou-se dos demais como maestro da equipa. Estava a anotar notas altíssimas para Alex e para Danilo, mas o Alex deu ao adversário a sua única oportunidade de golo no jogo e Danilo foi dos que mais acusou a quebra física na segunda parte. Destaco os centrais que estiveram impecáveis. Estava preparado para pôr Layun nos destaques pela negativa. Mas não consigo. Gelson é um grande adversário e Layun fez o melhor que lhe foi possível, visto que nem sempre teve o apoio de Herrera ou Marega. Mas repito que foi um risco e não é por ter corrido bem que mudarei de opinião.

Estamos num grande momento e o sucesso desta metamorfose de um FCPorto descontroladamente atacante, num FCPorto mais compacto, dá muita confiança no treinador. E a este propósito, é caricata esta insistência da imprensa na nossa perda dos primeiros pontos. Sérgio Conceição respondeu com a inconfidência sobre o que disse no grito final aos jogadores: «Assim, vamos ser campeões, car#$&#!»

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

FCPorto Europeu



Tínhamos terminado a anterior crónica com uma referência à última versão da desconfiança da 'imprensa'/comentadores cartilheiros. Na primeira versão, a pré-temporada só foi boa porque não enfrentámos equipas fortes. Depois, começou o campeonato e a série de vitórias começou a ser desvalorizada porque ainda não tinha chegado o primeiro teste difícil. Passámos em Braga e o problema passou a ser que o FCPorto era uma equipa talhada para as competições internas. E agora? O que nos falta? Ainda não jogámos com um grande? Já sei! É a profundidade do plantel: «O FCPorto está muito forte, mas se não tiver lesões ou castigos...» Ouvi isto ontem, logo num dia em que Sérgio inventou mais um jogador que pode passar a ser chamado ao onze. Já perceberam que as dúvidas não vão desaparecer porque são alimentadas pela 'clubite'. O que temos de fazer é seguir de teste em teste, indiferentes a todo cenário que nos rodeia. Perdoem-me o 'lugar comum': Vamos jogo a jogo!

O resultado de ontem trouxe boas notícias e pode até ter dado algumas pistas sobre o que Sérgio Conceição pretendeu com a recente aposta em Herrera. Temos plano B! Já desconfiava que se iria apostar no reforço do meio-campo. Como Otávio não tem correspondido, pensei que fosse Oliver a acompanhar Danilo e Herrera. A aposta foi ainda mais conservadora, em termos do tipo de jogador, mas muito mais arriscada porque se apostou num jogador que ainda nem sequer tinha estado no banco e, provalvelmente, nem nos convocados. Todos nos lembrámos do Costa em Manchester do Marek Cech em Londres e tantos outros exemplos de surpresas que os técnicos inventam para reforçar o meio campo neste tipo de jogos. A diferença é que esta funcionou. Os 3 médios condicionaram muito o jogo do Mónaco e limitaram-nos a um futebol quase totalmente lateralizado. Será que a introdução paulatina de Herrera no onze foi pensada em preparação para este plano B? Será que Sérgio Conceição andava a ensaiar um FCPorto mais musculado e com maior protecção em redor da sua área? Ou então sou eu que quero a todo o custo que ele seja um génio e estou a inventar por ele... É um facto que Herrera é o nosso médio com melhor chegada à área adversária. Todos conhecemos as suas dificuldades ao nível do passe e as suas irritantes 'paragens de cérebro'. Ainda ontem vimos exemplos disso, nomeadamente na jogada imediatamente anterior ao nosso primeiro golo. Mas tem passada larga, consegue progredir pelas alas, finaliza bem e é uma boa opção para jogos em que cedemos o controlo ao adversário. Mas se tivermos de controlar o adversário com bola... Muda-se de esquema. Insisto que o Plano B terá sido essa a melhor notícia do jogo de ontem.

A outra é que Sérgio conseguiu tirar boas notas da derrota com o Besiktas. Não podemos jogar todos os jogos de 'peito aberto'. Há adversários melhor apetrechados, em melhor momento e que reagem melhor ao futebol 'de parada e resposta' que costumamos apresentar. Ontem demos a iniciativa, empurrámos o adversário para as laterais e saímos rápido para o ataque. Parece simples, mas não seria assim tão óbvio à partida. Sobretudo para uma equipa que estava obrigada a ganhar para se manter na disputa do primeiro lugar. Mas o jogo era em casa da equipa mais forte do grupo e há que saber jogar com as nossas limitações e com as deles. Poderão reparar que foi rara a ocasião em que saímos para o ataque sem critério. Havia sempre uma opção para sair com qualidade, sobretudo com Brahimi, e havia sempre a alternativa em profundidade, sobretudo com Marega. Grande vitória e grande exibição de Sérgio Conceição! 

Individualmente, vou dar o MVP em dupla. A nossa dupla de avançados esteve soberba, com um a marcar e outro a assistir. Marega parte da ala mas é sempre um avançado. Basta ver o seu posicionamento no segundo golo. Estava à espera para atacar o meio e não a ala. Brahimi também teve nota muito alta e o segundo golo é mérito seu. Vou esquecer que Felipe foi provavelmente o único jogador que fez passes longos disparatados, para destacar que foi um monstro no jogo aéreo, que foi muitas vezes o único recurso do adversário. Por último, destaco Ricardo que, para mim, fez a sua melhor exibição da época. Tudo o resto com nota bem positiva.

Em Alvalade já estarão bem menos confiantes do que há uma semana. Temos de capitalizar!

domingo, 24 de setembro de 2017

Aqueles 6 minutos


O jogo valeu pelo seu todo e não apenas por uma parte de 6 minutos. Mas aquele período foi especialmente importante. A equipa já vinha acumulando várias oportunidades de golo nos primeiros 20 minutos, mas seguiu-se um período em que os jogadores do FCPorto desencadearam uma série de ataques, com tamanha intensidade, que só poderia ter resultado em KO. Por muito que a posse de bola seja importante, esta é a melhor forma de controlar estes jogos. Aproveitar o momento em que o adversário está em baixo, para conseguir um resultado confortável, o mais rapidamente possível.

«E o Herrera?» - pergunta a turba de defensores que nos invadiu na semana passada, em fúria. Bem, quanto a Herrera, lembro-me de uma grande jogada. Quando se viu envolvido numa grande combinação entre Aboubakar e Brahimi, Herrera tomou a melhor opção e optou por não intervir na jogada. Assim, nada saiu estragado. Se ele tiver mesmo que jogar, é este o Herrera que eu aprecio... Mais a sério, neste jogo não se notou a ausência de Oliver. Ao contrário do jogo anterior, controlámos por completo as operações e, apesar de encontrar erros na exibição de Herrera, como no primeiro golo do adversário, o que fez de positivo foi muito mais relevante. Ainda assim, continuo confiante que Oliver vai ser titular nos próximos dois jogos, porque é melhor jogador, mas sobretudo porque interpreta melhor este esquema de Sérgio Conceição.

Voltemos ao jogo. Tínhamos previsto por aqui que estes resultados 'gordos', mas com golos sofridos, passariam a ser mais vulgares. Mas o primeiro, acabou por aparecer à sétima jornada pelo que, para já, a tendência para os jogos em casa é a de não sofrer golos e marcar muitos. De resto, os golos sofridos não mancham em nada a boa exibição. Foi talvez o primeiro jogo em que se pode dizer que todos os quatro mais avançados apresentaram boas exibições individuais. Brahimi foi o melhor em campo, Corona assiste para o segundo e terceiro golos e Aboubakar e Marega 'molharam a sopa'. Quando assim acontece, é quase impossível sair do Dragão com um bom resultado. O jogo foi um acumular de oportunidades de golo, sendo que a grande maioria do perigo criado, rondou a área do Portimonense. É de recordar que há 15 dias, esta equipa vendeu bem cara a derrota na Luz, onde foi bastante prejudicada, acabando a jogar com 10 jogadores. Equipa interessante, mas que apanhou um FCPorto demasiado forte.

Individualmente, MVP óbvio para Brahimi. Além dos outros 3 da frente, boa exibição do Alex Telles e notas positivas para todos os outros. Destacaria apenas Ricardo Pereira. É um destaque porque ele não se tem destacado nem pela a positiva nem pela negativa. A título de exemplo, quando jogou Layun, notou-se logo que o Ricardo não estava lá. Mas as expectativas que deixou na pré-época ainda não se confirmaram. Julgaria que em jogos como o de sexta-feira, ele brilharia muito mais. Espero que o melhor de Ricardo ainda esteja para vir.

Na terça-feira, novo teste de fogo. Para já, ainda temos de levar com a conveniente desconfiança  dos 'comentadeiros'. Apesar de termos 7 vitórias seguidas, com vitórias em Braga e Vila do Conde, 'é pouco porque não chega para a Europa'... Já os 'topamos a léguas', mas era bom que lhes tirássemos esse demagógico argumento.

domingo, 17 de setembro de 2017

Mesmo com Herrera...


Vou ter de rever aquela primeira parte com o Besiktas. Tenho de perceber o que é que aconteceu para que se prescinda de Oliver nestes cerca de 135 minutos tão importantes para a equipa. Para mim, tem sido um dos melhores jogadores da equipa e dos que melhor se adaptou a este esquema de Sérgio Conceição. É o único jogador que consegue colar as duas partes da equipa evitando, na medida do possível, um jogo demasiado partido. Além de que é, para mim, impensável prescindir dos melhores, quer na Champions, quer numa das deslocações mais difíceis do ano na Liga portuguesa. Muito contente com o resultado, mas muito assustado com as opções iniciais de Sérgio Conceição. 

Quando um Grande enfrenta uma equipa que tenta jogar, o plano terá de ser o de evitar que eles joguem da forma a que estão habituados. Para nós isso devia ser simples: evitar que eles tenham bola. E aqui entra o meu choque com a ausência de Oliver das opções iniciais. E o susto começou com o anúncio do onze mas ainda não passou com a alegria da vitória. Será que Sérgio Conceição irá recorrer ao músculo, quando as coisas correrem mal ou quando o adversário for mais difícil? Poderão referir que a equipa, até não jogou mal. De facto, trouxemos os 3 pontos, mas terá sido uma grande exibição? Eu não acho. Em primeiro lugar, este foi o primeiro jogo do ano em que não tivemos a primazia em termos de posse de bola. Fizemos também menos 150 passes que o adversário. Isto para não falar do facto de Herrera ter sido o jogador em campo com mais perdas de bola. 11 vezes! Danilo e Oliver têm até agora uma média pouco superior a 2 por jogo... Marega, Aboubakar e Brahimi têm médias entre 5 e 6... Para não 'bater mais no ceguinho', concluirei que o Sérgio arriscou e saiu-se bem. Apenas espero que esta solução não seja recorrente.

Mas se me queixo da falta de posse de bola e de Herrera, também tenho de elogiar a outra 'face da moeda'. O jogo ganhou-se na raça e nas muitas recuperações de bola que conseguimos. Algumas no meio campo ofensivo. Outro dado estatístico interessante é o das faltas. Foram 25, quase o dobro das do adversário. Demonstra a clara diferença em termos de agressividade, que foi fundamental para o resultado final. Pena que não tivéssemos conseguido capitalizar essas recuperações e transformá-las em jogadas de golo. A partir do momento que chegámos ao golo, numa bola parada, o jogo ficou de feição para a nossa estratégia de saídas rápidas para o ataque. Pecámos demasiado no último passe e até na finalização. Ainda deu para duvidar um pouco com aquele golo atípico, que misturou uma 'nabice' do Felipe com um posicionamento deficiente de Ricardo, que tinha acabado de chegar ao lugar de lateral esquerdo.

Individualmente, dou o MVP a Danilo. É isto que precisamos: agressividade, segurança e amplitude de acção. Há quem diga que isto só sucede quando tem um jogador mais defensivo ao lado. São opiniões. Para mim ele jogou bem porque jogou ao seu nível. Ou melhor, jogou bem, apesar de Herrera. Não sei bem se o MVP é justo, porque Marega também fez por merecer. Grande intensidade e grande velocidade. Pena que os pés nem sempre acompanhem... Também gostei de Brahimi. Pela negativa, além de Herrera, Aboubakar teve um jogo muito discreto. Especial destaque para aquela jogada irritante em que trava e não aparece no segundo poste para aproveitar a oferta de Marega. Otávio esteve bastante trapalhão no último passe.

Falta uma vitória para chegarmos a Alvalade com o pleno. Será muito importante que se concretize este objectivo!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ilusão, depressão


Há várias lições a aprender depois do jogo de hoje. Mas o mais importante é não embarcar em ondas, sejam de depressão, depois de resultados adversos, sejam de euforia quando corre bem.

Vamos à primeira lição. Já aqui tínhamos avisado que a defesa estava ainda longe do nível do ano passado, apesar do enganador registo até hoje. Compreendemos que o desígnio é outro e que se aceita sacrificar alguma segurança defensiva para conseguir ter mais talento na frente e mais homens nas zonas de finalização. Sendo assim, temos de saber reagir aos golos sofridos com uma intensificação da pressão. Foi possível reagir bem ao primeiro golo, mas deu-me a ideia que o segundo golo nos 'matou'. A partir daí a equipa jogou sempre em esforço e de uma forma demasiado descontrolada para uma Champions. É certo que isso nos valeu algumas oportunidades no início da segunda parte, mas também fez com que a equipa caísse muito no final do jogo.

Esta quebra física também é algo muito importante para os próximos tempos. Já sabemos que o plantel é curto, mas não vamos entrar em teorias de que não chega para este nível. Tivemos um adversário muito maduro e eficaz que teve um jogo que lhes correu excepcionalmente bem. Ainda assim, Sérgio tem de aprender a lidar com estas limitações. O jogo de Sábado já poderia ter posto algum travão a este ímpeto de 'vamos para cima deles com tudo'. Já sei que é o que nos tem entusiasmado neste treinador, mas o plantel disponível e a própria competição da Champions obriga a precauções extra que terão de ser tidas em consideração nos próximos jogos. Dou dois exemplos. Sem Aboubakar, não chocava ninguém se Sérgio optasse por ter um avançado no banco. Preferiu dar um sinal à equipa de que era para manter a dinâmica do início de época, mas limitou as suas próprias opções. Com 'todas as fichas' no plano A, o plano B é bem mais fraco. Óbvio. Outro exemplo é a dupla troca ao intervalo. Mais uma vez, tenta mudar o jogo de uma forma radical, para surpreender o adversário. E até resultou, visto que tivemos várias ocasiões para empatar no início da segunda parte. Mas quando o adversário refrescou a equipa, o FCPorto desapareceu do jogo. Concordo que alguma coisa teria de mudar. Mas optou-se por gastar duas substituições que fizeram falta a partir dos 70 minutos, quando a equipa quebrou fisicamente. Para mim, bastaria a troca de Otávio por Corona. Manteríamos a possibilidade de refrescar o meio-campo mais tarde, evitando a quebra final que nos impediu de forçar o empate, pelo menos.  Se o plantel é curto, torna-se fundamental ser mais cauteloso na sua gestão.

A última questão que quero abordar é a do dilema entre talento e intensidade. É óbvio que Corona e Oliver fizeram alguma coisa que irritou o treinador. Algo que desequilibrou a equipa na primeira parte e que fez com que o Sérgio sentisse a necessidade de optar pela segurança trazida por André André. Mas não vos deu a sensação que ficámos muito dependentes de Brahimi? Não faltou ali talento para fazer melhor? Isto para falar da diferença de talento e de qualidade entre André e Oliver e entre Corona e Marega. Esta é uma competição que não é muito complacente com diferenças de talento. É para ser jogada entre os melhores e há que fazer com que os nossos jogadores mais talentosos se sintam confortáveis para render nestes jogos, por muito que não consigam atingir a intensidade de um Marega.


Individualmente, dou o MVP a Brahimi. Foi o jogador mais perigoso e o que mais se aproximou do seu nível. Pela negativa, não faltam candidatos. Posso destacar o Danilo porque me pareceu o que jogou mais abaixo do seu nível, nomeadamente no lance do primeiro golo em que perdeu a oportunidade de matar o lance no meio campo ficando a 'filmar' o resto da jogada. Mas há outros jogadores que tiveram erros graves. Marcano deixa-se antecipar no primeiro golo, Casillas podia ter feito mais no segundo, etc. Uma última menção para Hernâni. Parece que este nível é demasiado para ele. Isto torna-se perigoso visto que ele era a única opção ofensiva no banco...

Em suma, foi um jogo que não correu nada bem. Fomos penalizados por um segundo golo, com Casillas mal batido, numa altura em que estávamos por cima. Este momento marcou a equipa, mas ainda assim, com o penalti não marcado e com maior eficácia na última decisão, estaríamos a fazer uma crónica diferente. Não vale a pena deprimir. Com mais eficácia poderia ter sido um jogo diferente, mas o resultado não choca ninguém. Temos de ir para o jogo com o Rio Ave de cabeça limpa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Cuidado com as entradas!


Não! Não estou a falar dos 'sarrafeiros' que têm escapado ao 'rigor' do VAR. Nem tão pouco me refiro ao facto de, mais uma vez, perante a selvajaria do adversário, voltámos a ser nós a ver o primeiro amarelo. Estou-me a referir à nossa entrada em jogo. Sérgio Conceição habituou-nos na pré-época e nas primeiras quatro jornadas, a um FCPorto que entra com autoridade nos jogos e que tentar resolver os jogos cedo. Não foi o que vimos no Sábado, algo que se torna estranho, visto que jogámos depois dos nossos adversários directos e dado que há um jogo de Champions na quarta-feira. Ou seja, não faltavam razões para resolver a questão, o mais cedo possível.

É certo que entrámos muito melhor na segunda parte e que, nessa altura, marcámos cedo. Mas a equipa não estava tão bem como nos últimos jogos e bastou uma exibição menos conseguida de alguns jogadores para que tivéssemos alguma 'tremideira'. O 'soar do alarme' veio com as duas oportunidades do Chaves e logo se partiu para a tentativa e concretização de um resultado mais seguro. 

Mantivemos, mais uma vez a baliza inviolável, mas é uma estatística algo enganadora. Não sinto a equipa mais capaz defensivamente do que no ano passado. Antes pelo contrário. Mas reconheço que dificilmente o poderia ser, dada a forma como ataca. Muito menos se jogar o Layun que continua a ser o nosso pior lateral... Avançando o aparte, quero reforçar que é uma surpresa para mim esta sequência de baliza inviolável. Para mim, iríamos ter muito mais resultados 4-2 do que 1-0, mas não tem sido bem assim. O que é importante é não sobrevalorizar este facto e descansar com vantagens mínimas. Pelo que se viu no Sábado, isso pode ser e foi muito perigoso. Atento a isso, Sérgio Conceição lança André André nos dois jogos e Herrera em Braga. Um reconhecimento claro de que a equipa ainda não é ainda capaz de controlar o resultado com o esquema inicial. Ora isso torna ainda mais preocupante a nossa primeira parte de sábado. Tivemos a 'carne toda no assador' sem que tivemos qualquer proveito desse facto. Já sei que as preocupações são um pouco prematuras, mas não gostei muito do jogo de sábado e, dadas as exibições da concorrência, era um bom jogo para fazer uma demonstração de força.

Individualmente, dou o MVP a Marega. Há um mês isto seria impensável, mas foi jogador mais intenso e de rendimento mais constante. Gostei também de Marcano e das entradas de André André e de Soares. Pela negativa, Corona nem se viu e Danilo esteve bastante abaixo do habitual. Felipe também esteve problemático. Mas o destaque negativo vai para Layun. Não sei como foi possível enganar tanta gente durante tanto tempo. Hoje em dia, é um risco ter Layun em campo, mesmo nos jogos em casa.

Venha a Champions! Que saudades!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Capa frugal



Não têm faltado elogios a Sérgio Conceição e aos seus primeiros meses de trabalho no FCPorto. Nós aqui, não temos fugido à regra. Mas... Escusam de me 'dar baile'! Esta capa do jornal O Jogo incomodou-me bastante. Já sabemos que é uma notícia encomendada. É assim a imprensa desportiva e já estamos habituados. O problema é que se tenta 'cavalgar' nesta onda de unanimismo em torno do treinador para nos passar ideias erradas e para esconder um defeso que foi muito complicado. Ainda por cima usa termos como 'Frugal' o que, na capa de um desportivo, é para rir... 

Para não me alongar em críticas ao processo de construção do plantel, porque estou a gostar da equipa e porque, para já, quero apenas desfrutar, vou propor apenas uma capa alternativa, frase a frase: 

Título - Conceição está a fazer uma casa bem jeitosa, dada a pouca mobília que lhe dão;

Subtítulo - Balanço de um Verão num T1 em Armação de Pêra, para quem está habituado a cruzeiros em veleiros nas Ilhas Gregas;

Rodapé:
-  Carga salarial aliviada: Alívio com os 18 atletas que saem e os 18 que foram emprestados, mal chega para aliviar o facto de permanecerem no plantel todos os jogadores caros;

- Recuperação de ativos: 6 jogadores regressaram pela 'porta grande' ao Dragão, mas a porta de saída para os miúdos do Olival parece ser ainda maior;

- 7 saídas e apenas uma entrada: 4 Guarda-redes e apenas 3 centrais, um 'trinco' e três avançados, para duas posições na frente de ataque;


Que venha rápido o campeonato porque, só vendo a equipa a jogar é que eu esqueço o resto...

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Teste superado



Normalmente a foto inclui o nosso MVP da partida, mas resolvi abrir uma excepção. Esta foto de Corona é mais uma imagem perfeita da revolução de Sérgio Conceição. Corona, que sempre pareceu um jogador que joga mais para ele do que para a equipa, aparece capaz arrancar a camisola com a felicidade de um golo. E fá-lo num ano em que se exige dele o dobro em termos defensivos e ofensivos. Há um lance que personifica o novo Corona que é um em que perde a bola em zona comprometedora e, segundos depois, aparece a cortar em mergulho de cabeça na área. Poderíamos dizer o mesmo ou arranjar lances com semelhanças de Aboubakar, de Marega, de Brahimi, etc. Começo a tender para concluir que treinar em futebol é 80% de psicologia e 20% de conhecimentos técnicos e de táctica. E o trabalho do treinador, nesse campo da psicologia, parece notar-se na atitude em geral e nestes pequenos pormenores como o festejo de um golo ou o grito colectivo no final dos jogos. Para quem não viu o de ontem, recomendo que voltem atrás na box. Foquem sobretudo o Otávio, Ricardo, Alex Telles e Oliver no final. Isto pode desaparecer com as contrariedades, mas parece claro que temos ali um bom espírito de grupo.

Passando ao jogo, esse espírito de grupo foi fundamental numa vitória em 'teste de fogo'. É certo que o Braga não chegou sequer a fazer um remate enquadrado com a baliza, mas chegou a ameaçar várias vezes, no final da primeira parte, e pareceu jogar sempre no limite da agressividade, bastante protegidos pela a habitual 'xistralhada'. Muitas faltas, muita luta e foi preciso o FCPorto adaptar-se a isso. Poderão reparar que as jogadas mais perigosas do Braga surgiram todas de lances em que os nossos jogadores não se conseguiram soltar da pressão ou até de lances faltosos do adversário. Lembro-me de duas perdas de bola de Brahimi em zona proibida e de dois lances que se sucederam a momentos em que, tanto Ricardo como Felipe, tinham a situação aparentemente controlada e perderam a bola. Ora, na segunda parte, não houve nada disso. Controlámos muito melhor o jogo e só as faltas de Xistra causaram alguns momentos de dificuldade. Ofensivamente, entrámos muito bem, como tem sido habitual. O jogo não foi mais descansado porque estivemos bastante desinspirados na finalização, especialmente Aboubakar, que teve um 'hat trick' de falhanços escandalosos. Tivemos oportunidades suficientes para ter resolvido o jogo bem mais cedo. Mas, mais que o desperdício, o grande destaque do jogo foi a forma como o controlamos na segunda parte. Com o resultado em 0-1, o Braga entrou uma vez na nossa área nos últimos 15 minutos e foi na sequência de uma falta desnecessária de Ricardo. Isto demonstra confiança, segurança e boa cultura táctica.

Individualmente, dou o MVP a Danilo que reinou naquela selvajaria que é um meio campo em jogos apitados pelo Xistra. Nota bastante alta para os laterais Ricardo e Alex Telles. Nota alta também para os jogadores que entraram na segunda parte, sobretudo o Otávio e o André, que foram fundamentais para segurar a vitória. Pela negativa, Aboubakar que falhou demasiados golos fáceis.

Chegada a primeira interrupção competitiva, estamos em boa posição. Seria muito importante chegar a Alvalade só com vitórias.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Calor


Não me lembro de uma tarde tão quente no Dragão. Arrisco dizer que se transpirou mais na bancada do que no campo. Não está em causa o esforço da equipa que, mais uma vez, foi impecável ao nível da entrega. Temos de contar com mais um fenómeno deste FCPorto de Sérgio Conceição, que é o de ter enchido o Dragão por 3 vezes consecutivas. 

Para tal, considero que o futebol que o novo treinador trouxe é importante, mas não é o único factor. Nota-se que a organização está mais apurada e preocupada em criar uma festa em redor do estádio que enriqueça ainda mais a experiência, nomeadamente para as famílias que vêm à bola. Algo que não ajuda é a qualidade inenarrável dos cartões de sócio. O meu, além de já nem se notar a minha foto, falhou pela terceira vez e os meros dez euros que me custou há um ano, começam a ser muito caros para a qualidade. Pela fila que estava à minha frente para resolver o problema, percebo que não fui só eu a ter azar na compra.

Vamos ao jogo. A equipa soube responder bem  ao muito calor que se fazia sentir, alimentando-se
talvez do calor que vinha das bancadas. De resto, se tivéssemos que explicar rapidamente o que mudou com Sérgio Conceição, bastaria exemplificar com os golos de hoje. No primeiro golo, tínhamos 3 para 3 na zona de finalização para atacar o óptimo cruzamento do Alex. E cheguei a contar 6 e 7 jogadores do FCPorto na área, em lances de bola corrida. Mas o segundo golo é mesmo paradigmático. Vemos claramente outra das características importantes deste FCPorto, que é a pressão em todo campo, e temos também  4 para 2 na carreira de tiro, algo que permitiu falhar duas vezes antes da concretização do golo. O último golo resulta igualmente desta necessidade de pôr pressão constante nas defesas contrárias. Esta atitude tem-nos valido muitos golos neste início de época e que pode ser uma das chaves no jogo da próxima semana em Braga.

Gostei que Aboubakar tivesse conseguido recolher uma boa dose de confiança, que é fundamental para um jogador nesta posição. Mas o que me deixa mais contente é esta fúria com que a equipa ataca os resultados. Esta intensidade ofensiva é o fio condutor das exibições da equipa que não descansa enquanto não tem um resultado seguro e, mesmo nessas alturas, poderá a qualquer momento marcar golos como o terceiro de Aboubakar. Irritou-me um pouco algum desconforto na minha bancada com o facto de não termos conseguido uma goleada igual à dos adversários.

Individualmente, MVP claro para Aboubakar. Teve menos oportunidades claras do que no jogo com o Estoril, mas com a eficácia que se lhe exige. Já Marega, fez um jogo bem melhor do que o que tinha feito contra o Estoril e não conseguiu marcar. Destaque para o excelente remate à barra e o passe que isolou Hernâni. De resto não tenho grandes destaques. Alex esteve melhor que a surpresa Maxi, mas o passe para o primeiro golo pode ajudar a esquecer que não fez um grande jogo ao nível do cruzamento. Oliver continua a ser dos melhores e esteve, mais uma vez, melhor do que Danilo, que vem melhorando a cada jogo. Nos centrais destaque para os pés de Marcano que estavam ligeiramente tortos. Corona voltou a estar melhor que Brahimi (limitado) e Otávio (desastrado). Iker sujou o equipamento uma vez, na segunda parte.

O próximo jogo em Braga é capaz de ser o jogo mais difícil de um calendário inicial que me pareceu simpático. Teremos uma semana para carregar o Ricardo com anti-histamínicos, antipiréticos e, eventualmente, antibióticos... Ironias à parte, será importante encetarmos uma 'invasão' ainda maior que a do ano passado!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Mais dois pontos!



Já sabíamos que o jogo era complicado, já lá vão 124 anos de história e só tínhamos ganhado por uma vez em Tondela! Já sei que os ‘haters’ vão dizer que só lá fomos jogar duas vezes…

Tirando dados estatísticos e analisando o jogo pelo jogo, acho que é pacífico dizer que ganhamos sem brilho mas temos que levar em linha de conta várias situações. Desde logo, a forma de jogar do Tondela: o mister Sérgio falou em futebol direto e bolas longas no avançado, a isto eu chamo ‘jogar à distrital’ e ao Porto custou adaptar-se a este futebol, até porque o nosso futebol este ano caracteriza-se por pressão altíssima mas como podíamos pressionar alto se a bola não parava no setor defensivo do Tondela? Era sempre chutão na frente!

O Porto chegou a pecar neste aspeto: entrou no jogo deles e respondeu muitas vezes ao futebol direto do adversário com muitas bolas igualmente diretas para Aboubakar e Marega, mas sempre que tentamos sair rápido para o ataque com rápidas variações de flanco, vamos chamá-las de basculações, criamos sempre perigo e foi assim que chegamos ao golo no qual temos que destacar a assistência primorosa de Telles!

Desta vez tenho uma frase que foi dita no final do jogo quando se falava do aproveitamento do Aboubakar: “se ele falhar muitos golos mas golearmos por 4-0 e quando não faturarmos ele marcar o golo da vitória, para mim está perfeito…”.

Era preciso o segundo golo para evitar qualquer balde de água fria e estivemos perto, principalmente na bola ao poste do Vincent. O Tondela já tinha colocado mais um avançado agressivo na disputa da bola como é Tomané e perante os nossos defesas (leia-se Felipe) que caem na armadilha da falta fácil, ganhou vários livres perto da área que podiam causar alguns calafrios. Engraçado que se calhar o maior calafrio foi provocado por aquela jogada típica de futebol de praia entre Iker e Felipe…

Nota para as 3 alterações do mister Sérgio, todas de tração atrás. Gosto do pragmatismo, chega a uma altura do jogo que mais vale meter as trancas na porta e não esticar demasiado a equipa mas fico com a sensação que Óliver sai demasiado cedo do terreno de jogo e aí perdemos o cérebro (eu sei que Herrera ter entrado não ajuda, mas mesmo assim...).

Foram mais dois pontos... em relação ao ano passado! Venham os próximos, venha mais um Mar cheio azul!