sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Grupo fraco - Parte 6



Nuno Espírito Santo, que já tinha falhado um objectivo com a eliminação da Taça de Portugal, conseguiu agora alcançar um dos objectivos para a época, que é o da passagem aos oitavos de final da Champions League. É até um objectivo que vem traduzido nas expectativas de receitas nos orçamentos anuais, portanto é um bom resultado para Nuno e para a equipa. É óbvio que será fácil desvalorizar o feito porque todos percebemos que tivemos alguma sorte no sorteio. Não vale a pena esconder que todos antecipámos menos dificuldades e todos apontávamos para o primeiro lugar do grupo. E percebemos também que o calendário também ajudou visto que chegámos ao último jogo com a possibilidade de decidir tudo em casa e frente a um adversário em poupança. Ainda assim, é importante perceber o enquadramento e valorizar a avalanche ofensiva, demonstrada pelo segundo jogo consecutivo, e em clara resposta evolutiva em relação ao período de seca de golos que atravessámos. Este é um FCPorto a crescer numa altura crucial do campeonato e numa altura em que os nossos adversários parecem estar numa tendência inversa. Há que capitalizar o momento já no Feirense.

Quanto ao jogo, tivemos a mesma receita que tivemos com o Braga. Movimentações ofensivas muito interessantes, com alas muito desequilibrantes, com uma dupla ofensiva muito agressiva, com dois laterais que são dois alas, com Oliver a pautar e o trio de gigantes a proteger. É este o plano de Nuno e funcionou ontem na perfeição. É certo que tivemos muito melhor construção e muito menos bolas bombeadas. A isso ajuda o facto de Brahimi estar sempre pronto a receber e dos movimentos de Jota em apoio aos médios e centrais. Mas o fundamental foi o facto de Oliver ter assumido todo o nosso jogo e lhe terem dado espaço para isso. Há que usar mais estas opções para termos qualidade em posse e evitar o 'chuveirinho'. Ajudou também a inspiração individual de Corona que esteve sublime. Não me lembro de o ver perder um lance e ele é daqueles jogadores que arrisca tanto, que é até normal e aceitável perder 50% dos lances. Apenas poderei criticar a entrada tremida na segunda parte. Se noto evolução na construção ofensiva, ainda não vejo a equipa com capacidade de, em vantagem, manter o adversário longe da nossa baliza. Continuamos a recuar demasiado. As constantes exibições inspiradas da nossa dupla de centrais têm ajudado a camuflar esta perigosa tendência, mas ela existe e é um ponto em que devemos evoluir.

Individualmente dou o MVP a Corona. Esteve brilhante. Este Corona é um jogador de nível mundial. Às vezes dá a sensação que lhe é indiferente fazer um golo daqueles ou não fazer nada. O próprio festejo  diz-nos isso. Uma atitude competitiva mais parecida à de Jota e de André Silva poderão fazer com que ele chegue ao topo do futebol mundial. O talento individual já lá está. Brahimi não ficou muito atrás, tal como os dois avançados. Ainda assim, gostei ainda mais de Oliver. Nota-se quando o jogo corre bem a Oliver. Basta contar as oportunidades de golo. É um jogador que está a aproximar-se da sua melhor forma e vem em boa altura. De resto, não tenho notas negativas, nem no banco. Nuno escolheu os melhores e mexeu bem no jogo.

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