segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Anti-crise



Foi um grande momento no Dragão! Um momento em que um miúdo portista, em estreia, marca com aquela frieza e classe, aos 94 minutos, seria sempre um momento único e apoteose. Mas há agravantes. Aquele remate marcou a diferença entre voltar a entrar no campeonato ou abandoná-lo por completo. Foi conseguido no último minuto o que nos salvou das aflições que o habitual recuo da nossa linha defensiva, tão normal este ano, nos poderia trazer. Marcou também um raro momento de união entre as expectativas dos adeptos e as opções de Nuno. Magoa-se Otávio, entra o Brahimi. Faltam golos entra o miúdo em vez do Depoitres. Tudo opções que agradam aos adeptos, numa altura em que os desenhos já pouco convencem. Aliás, não conheço um único portista que não tenha suspirado um «Outra vez???» quando souberam que Nuno tinha dado outra palestra com desenhos... Outra agravante é a de este golo pôr a nu alguns dos paradoxos da política desportiva dos últimos anos. Esta noção absurda de que vale mais ter no banco um estrangeiro de 6/7 milhões, do que um jovem talento português está em causa. Este é um país que, estranhamente, é um viveiro de futebolistas talentosos. Vê-se nas seleções e nos clubes. Neste momento, em que continuam a escasear os meios de financiamento, é insano não tentar aproveitar melhor estes talentos.

Este jogo acaba por se reduzir a um momento de talento no passe de Jota e na calma e classe da finalização de Rui Pedro. Mas, passado um dia, já me consigo lembrar da agonia que foi ver a forma como estávamos a sucumbir à pressão da seca de golos. André Silva joga sempre bem, mas acabou sempre por estragar o que de bom foi fazendo, quer no penalti que ganhou, no passe para jota, nos cabeceamentos e no incrível remate por cima da barra na segunda parte. Agora que já marcou Rui Pedro, o próximo tem de ser do André Silva para acabar com esta ansiedade que, estatisticamente, até nem faz grande sentido visto que já tem imensos golos este ano. Mais até do que eu esperaria de um miúdo de 21 anos a quem se pede que resolva todos os nossos problemas. Depois tivemos Otávio que já estava a acusar o nervosismo antes de sair, tal como Oliver, e Brahimi que, depois de uma boa entrada, já estava a ligar o 'complicómetro'. É difícil dar notas negativas perante tamanho empenho, mas é um facto que nem sempre estávamos a escolher os melhores caminhos para a baliza. Exagerámos nas bolas para Brahimi e Corona, na esperança que resolvessem sozinhos. Muita sofreguidão no ataque, portanto. Defensivamente e no ataque às segundas bolas estivemos muito bem! Nesse aspecto Felipe e Danilo estiveram imperiais e mantiveram o jogo nos tais 60 metros que Nuno Pretende. Por falar em Nuno, estou para perceber as opções na esquerda. Layun foi um claro 'tiro-ao-lado'. Por um lado, o Braga tem bons atacantes e os extremos até têm marcado mais golos que os avançados. Tirar, neste jogo, o lateral que defende melhor não faz sentido algum. Pelo desenrolar do jogo, acabou por nem serem precisas grandes atenções defensivas. Nem assim Layun conseguiu inverter esta minha convicção de que os titulares nas laterais estão bem escolhidos em Maxi e Alex. Maxi que seria o meu MVP, não fosse o golo de Rui Pedro. Tem uma intensidade contagiante para a equipa e para as bancadas. É impressionante! Para terminar, Herrera entra para a esquerda e não percebi bem a utilidade. Para isso entrava Alex Telles. Notas altas para Corona e Jota.

Na quarta-feira continuamos esta semana em que se decide toda a época. Convem marcar cedo, para bem da nossa saúde cardíaca!

PS: Sei que há muitos portistas que só agora começaram a conhecer Rui Pedro. É normalíssimo. Mas convem dizer, na senda do post que aqui fiz sobre Rui Jorge, que Hélio Sousa também optou inexplicavelmente por não o convocar para a primeira ronda  de qualificação de sub19. Os resultados estiveram à vista e só no último minuto é que conseguimos a qualificação para a ronda de Elite perante colossos do futebol Europeu como Bulgária, Bielorrússia e Dinamarca. Ou seja, íamos ficar na primeira ronda de qualificação, quando vínhamos de uma serie de 3 semi-finais seguidas. Num dos anos, com a geração de André Silva, Rafa e Gelson até fomos à final. É de referir que só ganhamos um dos jogos e que os avançados convocados ficaram a zero. Ainda assim não cabia o melhor marcador da Youth League e o único sub19 português que já marcou golos nas ligas profissionais. Temos boas gerações de jogadores. Basta não complicar e pôr a jogar os melhores!

1 comentário:

Anónimo disse...

Rui Jorge é tão a voz do dono que enquanto Nuno Santos estava no plantel do Benfica era imprescindível, agora no V. Setúbal, nem convocado é.