segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Temos um problema


Faltam golos. Não é preciso ser um génio para perceber isso. Mas o problema é um pouco mais complicado do que a mera inspiração no momento de finalizar. Mas este é um sintoma recorrente e é disso que se fala. Mas agora o problema é o treinador. Perguntamos nós: só agora? O nosso problema e a 'sorte' de NES é que têm aparecido atenuantes ou elementos que nos distraem. As arbitragens, a primeira parte com o Benfica, a juventude do ataque, a garra da equipa e nomeadamente a dos centrais e de Danilo, têm servido para que muitos tenham a tendência de dar o benefício da dúvida a um sistema que só funcionou na Madeira e na primeira parte com o Benfica. E com isso continuamos iludidos a elogiar o Danilo e o Marcano e a dizer que o Oliver não é tão bom como pareceu da primeira vez, que o Otávio já não está em forma e que o André Silva e o Jota ainda não estão preparados. Repito o que disse aqui na terça-feira: «gosto da atitude mas acho que está a ser desperdiçada em ideias que são curtas para o talento individual que temos na frente». Uma equipa como o FCPorto tem de procurar a posse. Não pode desperdiçar tanto jogo em bolas longas sem sentido e num desgaste constante dos nossos avançados. Nuno Espírito Santo registou o slogan 'Somos Porto' mas o conceito dele está incompleto. Não basta correr mais. Há que correr melhor, há que procurar controlar o jogo, há que assumi-lo com autoridade. Nuno foca-se na intensidade, na necessidade de chegar rápido à frente, na necessidade de pôr pressão constante na defesa contrária. Serão ideias válidas mas totalmente desajustadas do plantel que temos à disposição. É um desperdício ter no plantel Oliver, Otávio, Corona, Brahimi, Ruben Neves e estar a pôr 50% das bolas a sobrevoá-los, só porque André Silva e Jota gostam de procurar o espaço nas costas da defesa. É um esquema de jogo limitador do talento individual, que é o mais nos distingue dos nossos adversários habituais.

Quanto ao jogo, poderão ir ver o que se disse aqui do jogo de Tondela e de Setubal. Pouco mudou. Individualmente, dou o MVP a Marcano que esteve bem na defesa e ainda criou a nossa melhor oportunidade. Felipe também esteve bem. O resto foi bastante mediano e até fraco como foi o caso da exibição de Jota. Mas o grande destaque negativo vai para o auxílio do banco. Dali não veio ajuda nenhuma e Depoitre continua a assustar bastante. Há um remate que é mesmo ridículo. É até embaraçoso discutir esse lance.

Na terça-feira não há crónica. Depois faz-se uma geral para a Taça da Liga. Tirando esse, nos próximos jogos, joga-se o futuro de Nuno Espírito Santo. Há uma mês parecia improvável.

6 comentários:

miguel87 disse...

Pergunta rétorico-sarcástica da semana:
Se o Lopetegui, esse incompetente terrivel e causador de todos os males, foi despedido quando ficou a 4 pontos do primeiro lugar à 16ª jornada e depois de fazer 3 pontos nos confrontos com rivais directos, como é que o NES, a 7 pontos do primeiro lugar à 11ª jornada e com 1 ponto exactamente nos mesmos confrontos directos, ainda é treinador do Porto?

Deixando o humor negro de lado, Prata, acho que tocas no ponto principal do nosso problema particular: o estilo de jogo, completamente desfazado da realidade de um clube como o nosso e o plantel que temos. Como já escevi no comentário ao post anterior, jogamos como equipa pequena, pressão muito baixa e linhas ainda mais baixas, estamos constantemente com 60 a 70 metros para galgar até à baliza adversária. Esse desgaste paga-se caro na hora da definição da jogada de ataque. Por outro lado, quando os adversários nos deixam a iniciativa, vemos uma equipa sem ideias e sem noção de como abordar o ataque organizado, simplesmente por estão formatados para o outro registo.
Também referes, e bem, que temos potencial para muito mais, mas aí voltamos ao mesmo, o treinador não tem capacidade para isso. Existe uma frase célebre de alguem do futebol que diz qualquer coisa como "um bom treinador pode acrescentar cerca de 5% ao potencial dos jogadores, mas um mau treinador é capaz de retirar até 20% da capacidade dos mesmos"... Acho que é fácil começar a constatar isso nesta equipa. Em pouco tempo estamos a passar do elogio aos grandes craques que são A. Silva, Octavio e Oliver para o bota-abaixo e o afinal não são assim tão bons, só esforçados... enfim!
Já sei que para os centrais e trinco é só elogios, mas mal era se uma equipa que se encosta frequentemente à baliza, com um GR experiente e centrais regulares, não dessem essa consisência defensiva!

Acima falei no problema em particular, o que me leva ao problema em geral que é aquilo que já venho a dizer há algum tempo: não adianta centrar a discusão e o problema no treinador e/ou jogadores!
Enquanto esta direcção se mantiver à frente do clube/SAD, as coisas não vão melhorar e a tendência será sempre para piorar.
Os resultados - bons ou maus - não aparacem por acaso, nem as coisas se fazem de um dia para o outro. Aquilo que vivemos hoje em dia é resultado de 2 actos de gestão fundamentais e que, para mim, são fácilmente identificados e marcam o momento em que a estrutura e organização do Porto deixou de ser "à Porto":

1) construção do plantel: passamos dos ciclos de 3 a 5 anos para renovações quase anuais
2) politica de contratações: passamos de contratações cirurgicas baseadas no departamento de scouting do clube (reconhecido e elogiado mundialmente) para as contratações em massa a catalogos de fundos e empresários de ligações dúbias e compadrios

E isto passou-se num periodo de época e meia/duas épocas, entre as saidas de AVB e VP.
A seguir a isso temos assistido às consequências desses actos e a repetição das mesmas situções... P.Fonseca/L.Castro, Lopetegui/Peseiro, Nuno/(inserir próximo bode espiatório).

Por isso, apesar de perceber que o que nos move são as incidência dentro das quatro linhas e saber que será sempre a discussão principal, acho que chegamos a uma altura e a um estado de coisas que é preciso começar a redireccionar o discurso e começar a debater o que está realmente a falhar e o que é necessário para mudar as coisas.

É a minha opinião e a leitura que faço, vale o que vale, mas tento-me cingir aos factos.

Anónimo disse...

Prata, concordo a 100% com a tua análise.

Abraço

Artur

Lamas disse...

Isto está mesmo mau... o Artur a concordar a 100% com o Prata... fdx!!! ;)

prata disse...

Até fui ler outra vez... :)

Anónimo disse...

Embaracoso sera falar de quem joga pouco tempo e apontar esses como os responsaveis. Depoitre tem quantos minutos de jogo? Sera que quem joga menos tempo tem mais responsabilidade do quem joga o tempo todo todos os jogos?!
Tera sido uma falha mais escandalosa do que a que o Oliver teve? Nao foi seguramente. Depoitre evidenciou uma qualidade que falta ao nosso numero 8 - coragem, tomates para tentar. Movimentou-se com qualidade e teve uma finalizacao extremamente infeliz (faltara jeito ou porque como nao pode errar tera propensao a errar mais?). Quantas vezes o Andre S se movimentou para se encontrar em posicao tao boa de finalizacao?
Culpar jogadores que quase nao jogam nao me parece muito correto.
Sera como culpar o Varela etc. Ja se arrumou o bode expiatorio (Herrera). Quem se segue na linha de tiro? Por falar no mexicano, se ele fosse o nosso 8 titular teriamos mais cabelos brancos pelos passes errados, mas tambem teriamos mais pontos (finaliza e assiste).

Anónimo disse...

Subscrevo inteiramente o post do anónimo das 7:55