terça-feira, 15 de agosto de 2017

Mais dois pontos!



Já sabíamos que o jogo era complicado, já lá vão 124 anos de história e só tínhamos ganhado por uma vez em Tondela! Já sei que os ‘haters’ vão dizer que só lá fomos jogar duas vezes…

Tirando dados estatísticos e analisando o jogo pelo jogo, acho que é pacífico dizer que ganhamos sem brilho mas temos que levar em linha de conta várias situações. Desde logo, a forma de jogar do Tondela: o mister Sérgio falou em futebol direto e bolas longas no avançado, a isto eu chamo ‘jogar à distrital’ e ao Porto custou adaptar-se a este futebol, até porque o nosso futebol este ano caracteriza-se por pressão altíssima mas como podíamos pressionar alto se a bola não parava no setor defensivo do Tondela? Era sempre chutão na frente!

O Porto chegou a pecar neste aspeto: entrou no jogo deles e respondeu muitas vezes ao futebol direto do adversário com muitas bolas igualmente diretas para Aboubakar e Marega, mas sempre que tentamos sair rápido para o ataque com rápidas variações de flanco, vamos chamá-las de basculações, criamos sempre perigo e foi assim que chegamos ao golo no qual temos que destacar a assistência primorosa de Telles!

Desta vez tenho uma frase que foi dita no final do jogo quando se falava do aproveitamento do Aboubakar: “se ele falhar muitos golos mas golearmos por 4-0 e quando não faturarmos ele marcar o golo da vitória, para mim está perfeito…”.

Era preciso o segundo golo para evitar qualquer balde de água fria e estivemos perto, principalmente na bola ao poste do Vincent. O Tondela já tinha colocado mais um avançado agressivo na disputa da bola como é Tomané e perante os nossos defesas (leia-se Felipe) que caem na armadilha da falta fácil, ganhou vários livres perto da área que podiam causar alguns calafrios. Engraçado que se calhar o maior calafrio foi provocado por aquela jogada típica de futebol de praia entre Iker e Felipe…

Nota para as 3 alterações do mister Sérgio, todas de tração atrás. Gosto do pragmatismo, chega a uma altura do jogo que mais vale meter as trancas na porta e não esticar demasiado a equipa mas fico com a sensação que Óliver sai demasiado cedo do terreno de jogo e aí perdemos o cérebro (eu sei que Herrera ter entrado não ajuda, mas mesmo assim...).

Foram mais dois pontos... em relação ao ano passado! Venham os próximos, venha mais um Mar cheio azul!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Tasse, Mano!


Chega a ser até um pouco ingrato face ao caudal ofensivo do Porto e às oportunidades que dispusemos (vamos esperar que Aboubakar tenha falhado quase tudo no jogo de ontem) que o nosso abre-latas tivesse uma colaboração tão decisiva de um adversário. Não é que a vitória estivesse em causa ou os alarmes já estivessem a soar, afinal de contas já tínhamos feito golos (invalidados) e sofrido faltas para grandes penalidades (não assinaladas), mas a assistência de Mano foi primordial para abrir caminho para mais uma goleada.

A pressão que os nossos jogadores incutem na recuperação de bola mesmo na zona defensiva do adversário proporciona muitos erros nas equipas que defrontamos, tal como vimos no jogo de apresentação contra o Depor. O reverso da medalha é que se o adversário consegue sair desta zona de pressão ficamos muito mais expostos e vamos obrigar Casillas a fazer muitas mais defesas espetaculares como as de ontem. Acho que vale a pena o risco.

Como alguém dizia no intervalo do jogo: “Se há um ano atrás me dissessem que no jogo inaugural para a Liga 2017/18, o primeiro golo iria ser marcado por Marega, eu se calhar mandava-o ir brincar com o c******…”. Acaba por ser um bom elogio ao trabalho efetuado pelo Sérgio Conceição até ao momento: uma equipa sem reforços, recuperou prostrados e aplicou uma intensidade e dinâmica totalmente diferentes. Vamos ver até quando.

Relativamente ao jogo, o MVP é de Oliver: constrói jogo junto aos centrais, recupera bolas, cria desequilíbrios na frente (ver 2º golo) e ainda faz duas assistências! Grande jogo, merecia que Brahimi o assistisse depois de mais uma brilhante jogada para o 5-0 aos 73m! Parece, também, que encontramos um capitão à moda antiga! Renovem já com ele!

Uma última nota para o VAR (vídeo-árbitro) a mostrar logo na 1ª jornada que se calhar as coisas não estão muito diferentes: FCP prejudicado (penalty por assinalar); slb beneficiado (invalidado golo regular). Tudo normal…

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Primeiras impressões


Após quatro jogos televisionados e um jogo ao vivo, já podemos dizer que temos uma ideia do que mudou neste FCPorto de Sérgio Conceição. 

Começando pelo mais óbvio, mudaram apenas dois titulares. Mas se a troca de Maxi por Ricardo parece uma mera e natural sucessão, a entrada de Aboubakar no onze é uma representação perfeita da ruptura com o passado recente, que Sérgio Conceição está a implementar. Todos recordarão a dificuldade que NES teve em conciliar a utilização de dois pontas-de-lança, com o seu estilo de jogo mais conservador. Ao contrário do seu antecessor, Sérgio percebeu que já tinha uma linha defensiva com qualidade suficiente para implementar um sistema mais ousado e que garanta mais gente na área e mais poder de fogo. Nuno também a tinha e até foi ele que a desenvolveu na temporada passada. O problema é que não conseguiu transformar a solidez defensiva, numa base de sustentação para uma equipa cada vez mais atacante. Aqui esteve um dos maiores erros de Nuno. Temos portanto mais gente na frente, algo que parece bastante natural dado que teremos as despesas do jogo, perante equipas fechadas em redor da sua área, em 90% dos jogos.

Ora com a entrada de Aboubakar, sai um médio. Sobrarão responsabilidades acrescidas para Danilo e sobretudo para Oliver. Danilo ainda não está completamente adaptado e André André tem estado melhor nessa posição. Mas nota-se que é apenas uma questão de ritmo de jogo, visto que tem de percorrer uma zona de acção maior, tendo começado mais tarde. Ainda hoje, Danilo teve uma excelente abertura para o segundo golo e uma péssima abertura para a jogada mais perigosa do Deportivo no jogo. Já Oliver, parece estar a adaptar-se na perfeição, tendo sido um dos grandes destaques da pré-temporada. Exige-se aos médios, amplitude de movimentos, muito pulmão e muita agressividade no ataque à segunda bola e na reacção à perda da bola. Dá a ideia de que os médios estão a responder bem. Até o Herrera e o Sérgio Oliveira saem beneficiados.

Por último, uma alteração que se nota bem é o posicionamento dos laterais e dos extremos. Aqui dá a ideia que Sérgio tem dois planos. Um mais conservador em que um dos extremos é Ricardo Pereira, garantindo mais solidez  e mais segurança na transição defensiva e mais foco nos cruzamentos para a área. A outra, mais utilizada, é a versão com Corona e Brahimi (ou Otávio). Aqui a movimentação é simples. Com o campo em perspectiva vertical, tentem dividir o campo em cinco. A faixa central é para os avançados e para os médios. As faixas laterais estão reservadas aos laterais, que fazem o corredor todo e que procuram posicionar-se e receber já no último terço do terreno. Já os extremos, procuram fazer movimentos em direcção a zonas interiores e tentam receber nas faixas intermédias para rodar , organizar e colocar na ala ou nos avançados em constante movimento. É a vantagem de ter extremos com estas características.

Quanto ao 'reverso da medalha' temos transições defensivas mais... Vamos dizer excitantes. Preparem-se para  muitas situações em que o adversário avançará para a nossa área em igualdade ou mesmo superioridade numérica. E isso não acontece só nos contra-ataques. Dado o posicionamento muito adiantado de Oliver e Danilo na pressão à saída de bola do adversário, não tem sido invulgar que a bola entre nas costas dessa pressão, ficando o adversário com muitos metros para correr. Nota-se aqui algum risco que, para já, está a compensar largamente e que acredito que, na maior parte dos jogos, vai compensar.

'Grosso modo' são estas as alterações mais significativas e parece que estão a funcionar. De resto, deixarei apenas pequenas notas:
- Falta esclarecer o papel de Indi e Reyes no plantel. Eu diria que ficará um deles mas, se vendermos o outro, faltará um defesa no plantel;
- Falta esclarecer também o papel de Maxi e Layun. O primeiro é demasiado caro para ser suplente e o segundo tarda em ser colocado, com o seu rendimento a piorar a cada jogo. Entretanto eles vão jogando e a retaguarda de juventude portista, Rafa e Dalot, continua no banco. Dava-lhes jeito os minutos nesta pré-época;
- Naturalmente, Rui Pedro e Marega seriam o plano B do esquema de dois avançados, mas apenas vi jogar um deles e com Otávio nas costas;
- Temos uma quantidade invulgar de jogadores em fim de contrato e apenas ouvi falar de tentativas de renovação com dois;

Para concluir, tenho ouvido várias vezes que ainda não defrontámos grandes adversários e que isso tende a desvalorizar os bons resultados obtidos até agora, nomeadamente na imprensa e no comentário desportivo. Já sabemos as habituais intenções dessa imprensa, mas também tenho ouvido portistas a dizê-lo. É como a história dos reforços. De certeza que já ouviram os vossos amigos ou colegas de clubes adversários a tentarem picar-vos com a nossa 'falta de dinheiro' para contratar. A imprensa também foi insistindo bastante nessa 'tecla'. Em duas semanas a crítica e o motivo de gozo passaram a ser um elogio. Pois eu acho que esse aspecto do planeamento da pré-temporada foi bom e que também se transformará em motivo para elogio. Pelo caminho defrontamos já três adversários de primeira liga, que é o nosso objectivo principal, ganhamos e conseguimos dar à equipa um capital de confiança que vai ser importante nos primeiros jogos do campeonato.

Venha daí o campeonato! A propósito, que dia esquisito para começar...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Apito morreu!



Já sei que o FCPorto jogou e até acabei agora mesmo de ver o jogo em diferido. Tinha decidido que iria fazer uma crónica conjunta dos 3 primeiros jogos de preparação televisionados, para dar mais alguma consistência às opiniões e às primeiras impressões sobre o futebol deste FCPorto de Sérgio Conceição. Esta estratégia também me iria dar umas mini-férias das crónicas aqui no blog, mas tive de interromper.

Já devem ser poucos os que nos seguem desde essa altura, mas o blog foi criado em 2006 e, logo nos seus primeiros anos, fomos confrontados com o maior ataque alguma vez feito ao clube. E fomos comentando à medida que os ataques se iam sucedendo. Nessa altura o FCPorto de Jesualdo Ferreira era avassalador por cá, e o adversário decidiu que «teria de fazer as coisas por outro lado». Tem aspas porque é uma citação de uma das escutas do processo. Apenas uma das tais que foram ignoradas. Ora o «por outro lado» teve muito mais vertentes do que o que seria de esperar. Tivemos o lado judicial com a inquinação do processo para o impedir de chegar a Lisboa. Tivemos o disciplinar através de um lacaio colocado no Conselho de Disciplina da Liga. Tivemos também o lado federativo com o golpe palaciano na reunião do Conselho de Justiça da Federação. Tivemos o lado literário com um livro fabricado e reescrito para incluir informação do processo e para que se reabrisse na justiça desportiva um processo morto pela justiça civil. Mais tarde, foi o mesmo livro que serviu como pretexto para a formação de uma 'task force' nomeada pelo Procurador Geral da República, para reabrir todos os processos anteriormente arquivados. Por fim, tivemos o lado cinematográfico com o filme sobre o livro, realizado pelo marido da autora não oficial do livro.

Simplificando, o processo inicial contra o FCPorto morre nos tribunais, mas parte do processo vem para os jornais. Essas fugas de informação são transformadas em memórias de uma ex-mulher de Pinto da Costa e incluídas num livro que serve posteriormente como prova adicional no processo na justiça desportiva, e para reabrir o processo no justiça civil. Mais 'Kafkiano' era difícil... A verdade é que tudo isto foi-se desmoronando até que morreu definitivamente na sexta-feira passada. Mas não escapamos ilesos e as revelações recentes do nosso Director de Comunicação são a prova de que o crime acabou por compensar. Mas foi «por outro lado»...

O denominado 'Apito Final' não era o fim da linha. Quem orquestrou isto foi derrotado em toda a linha. Mas o Apito não acabou. Há que denunciar e responsabilizar os artistas que se dispuseram a participar nisto. Esta gente entrou em conluio numa gigantesca vigarice, foi derrotada e têm nome:
- Luís Filipe Vieira, BTV e Rui Gomes da Silva;
- Ricardo Costa e Hermínio Loureiro;
- Francisco Mendes da Silva, Álvaro Batista, Eduardo Santos Pereira, João Abreu e José Pereira dos Reis - os 5 vogais do Conselho de Justiça da Federação que decidiram à revelia de Presidente e Vice Presidente desse órgão.
- Freitas do Amaral que passou um parecer 'encomendado' a validar o golpe palaciano no Conselho de Justiça;
- Pinto Monteiro, Maria José Morgado e a 'super equipa' de investigação que perdeu processo atrás de processo;
- o Realizador João Botelho e o seu ex-marido Leonor Pinhão.

O apito morreu! Venham as consequências para os obreiros desta vergonha!

E, já agora, comecem a corrigir as classificações da época de 2007/2008. Por exemplo, como podem ver na imagem, o jornal O Jogo ainda não o fez.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Ruben Neves



Quando há negócios como este do Ruben Neves sobressaem logo duas correntes antagónicas entre os adeptos, ambas irritantes. A primeira são os puristas: «O FCPorto tem de ser feito de portistas», «isto é um escândalo», «ninguém se demite na SAD», «o presidente já não está bom da cabeça e os abutres tomaram conta do clube», «o Jorge Mendes está-nos a dar cabo do clube». etc. Depois temos os pragmatistas: «o FCPorto sempre foi um clube vendedor», «a situação financeira do clube exigia vendas até 30 de Junho», «o Ruben nem sequer era titular e o importante é manter o Danilo», «que interessa ser o Wolverhampton, se o jogador foi, é porque quis ir», etc..

Eu, que normalmente estou mais próximo dos pragmatistas, desta vez estou mais próximo do lado oposto. Esta não é uma venda normal. Quando o FCPorto aposta num jogador como ativo para fazer render, a venda tem sempre duas características: valores avultados e o momento da venda é definido por nós. Mesmo quando não há tubarões disponíveis, há sempre um Dinamo de Moscovo ou um Zenit. 

Vamos directos ao assunto: esta venda de Ruben Neves é assustadora, porque nos confronta com uma realidade do FCPorto que muitos de nós insistem em ignorar ou negligenciar. Estamos a vender um jogador que não queríamos vender neste momento, por um valor abaixo do normal para este perfil de jogador e para o habitual em jogadores vendidos pelo FCPorto, para um clube 'barriga de aluguer' controlado por um empresário que vai tentar, tão cedo quanto possível, fazer com Ruben Neves a mais-valia que deveria ser o FCPorto a fazer.

Hoje em dia temos de nos habituar a um FCPorto tão sôfrego para chegar às vitórias, que não tem tempo nem engenho para fazer uma gestão a médio prazo e para sequer valorizar e tratar bem os seus melhores activos. Vejo alguns portistas chocados com o valor da transferência, mas vejo o mundo inteiro que segue o futebol jovem, chocado com o destino deste que é dos maiores talentos portugueses dos últimos anos. Mais um sintoma do absurdo do negócio.

Quem me lê habitualmente poderá argumentar que escrevo isto porque o Ruben era o meu jogador preferido do FCPorto. É verdade que isso tem influência, mas estaria igualmente assustado se fosse o Danilo a ser vendido, nesta altura, por estes valores e para este clube.

Foi-se o mais jovem capitão do FCPorto o mais jovem a marcar com a nossa camisola, um portista verdadeiro, que foi obrigado a ir jogar para a segunda liga inglesa para o clube 'barriga de aluguer' de um empresário. Logo o Jorge Mendes...

Boa sorte Ruben! Espero mesmo que um dia regresses.

PS: Este post está escrito há mais de uma semana há espera do anúncio e do valor da transferência. Decidi não esperar mais.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Sérgio Conceição


Já aqui falamos dele, mas foi 'de raspão'. Sérgio Conceição é o novo treinador do FCPorto e contará com o meu total apoio. Dirão que é normal que disponha do benefício da dúvida dos adeptos, mas não é bem assim. Há treinadores que eu não aprecio e que não quero no FCPorto. Por incrível que pareça até consigo concentrar todas as principais características que não gosto num único treinador: Jorge Jesus. Este até foi um dos nomes falados. Eu diria que a única coisa que gosto nele é o facto de saber muito de treino e de futebol. Não chega? Para mim não, porque tudo o resto desvia do perfil que defendo.

Comecemos pelo próprio perfil de treinador experimentado, que é um perfil que não é o nosso habitual. É certo que não correu mal com Jesualdo e com Adriaanse, mas é nosso hábito promover o crescimento dos treinadores com a equipa. Transformar treinadores promissores em treinadores campeões. Já sei que temos falhado consecutivamente nos últimos anos em apostas com esse mesmo perfil. Assim, será normal que se ponha em causa o método, que tão boas provas deu no passado. Mas este é um perfil que eu prefiro. 

Mas também não é qualquer treinador promissor que cabe no nosso clube. Dou um exemplo de um treinador jovem que parece que já tem um ego do tamanho do de Jesus. Nem foi considerado mas, a título de exemplo, Jorge Simão fez uma boa primeira volta no Chaves. Se tivesse ficado por lá mais tempo, seria normal que chegasse ao final com cotação alta. Mas partilha com Jesus, um traço de personalidade altamente inquietante: o egocentrismo. O FCPorto construiu-se em equipa e com um único culto de personalidade que é o Presidente. Tudo o resto é secundário em relação ao desígnio do FCPorto.

Por último, o que mais me desagrada em Jorge Jesus. Trata-se de um treinador que se habituou a ter Presidentes que lhe fazem as vontades, em termos de plantel. Pavoneia-se muito quanto às suas capacidades, mas faz 'birra' se não tem os jogadores caros de que gosta. É muito vulgar vermos este treinador a queixar-se de não ir mais longe porque não pode e em óbvias críticas implícitas e explícitas ao plantel. Segundo consta, este foi um dos problemas com Marco Silva. Não seria um treinador que me desagradava, mas o rumor de que exigia que houvesse grande investimento na equipa, tirou-o logo da minha lista de preferências.

Ora Sérgio Conceição não reúne nenhum destes defeitos. Terá outros, como a relativa inexperiência a este nível e o temperamento explosivo. Mas estes, ao contrário dos atrás descritos, não são um 'dealbreaker' para mim. Além disso, fez formação no FCPorto, foi campeão várias vezes pelo clube e fez uma carreira internacional diversificada e enriquecedora como jogador. Como treinador teve altos e baixos, mas vem do seu melhor desempenho, em Nantes. É uma aposta segura? Não. É até muito arriscada! Mas está perfeitamente enquadrada no perfil habitual do treinador do FCPorto. Além disso é portista, que é uma característica que me habituei a apreciar em toda a gente.

Como o futebol não é uma questão de sorte, desejo um bom trabalho ao Sérgio Conceição!

terça-feira, 20 de junho de 2017

O caso do André Silva


Poderá ter passado despercebido, mas André Silva é a venda mais cara de sempre de um 'produto' da nossa formação. Os valores ultrapassam os de Ricardo Carvalho e os de Bruno Alves. Mas convem dizer que estes jogadores saíram mais tarde: André sai aos 21, Ricardo Carvalho aos 26 e Bruno Alves aos 28. Se fizermos exercícios de mais valias, este será certamente um dos melhores negócios da história do clube. Só me lembro de um claramente melhor e foi o de James Rodriguez, que saiu inflacionado para lixar o Sporting.

Isto é importante, dado o apuro financeiro em que vivemos. Estaremos perante uma mudança de paradigma? 

Desenganem-se os que pensam que este é um daqueles artigos românticos a pedir para que se metam os míudos e a defender uma 'sportinguização'. Não é. Estou a tentar perceber uma tendência de mercado. Eis a minha teoria: se ganhamos, é fácil vender os jogadores que queremos vender. Se não ganhamos só há mercado para o refugo e para os produtos das camadas jovens. Ou seja, em altura de aperto, quem nos salva é um produto da formação. André Silva valorizou-se mais num ano e um terço de Equipa A do que Corona em dois, que Brahimi em três e que Herrera em quatro. O nosso modelo de negócio sempre foi o de comprar Coronas baratos e vender caros, dois ou três anos mais tarde. Mas a verdade é que já não o conseguimos. Temos Danilo, Herrera e Brahimi na montra e ninguém lhes pega pelos valores pedidos. Porquê? Porque hoje em dia, para os 'tubarões', é preferível pagar caro por um miúdo. Dá ideia que fecham os olhos quando o jogador tem menos de 21 anos. Vejam os casos recentes do futebol português como o André Silva, o Renato Sanches, o Gonçalo Guedes, o João Mário, etc. O próprio Ruben Neves, a jogar pouco, é dos ativos mais valiosos do plantel e não deve haver reunião em que se tente vender o Danilo, em que não perguntem pelo Ruben... E também devem perguntar pelo Rui Pedro e pelo Dalot... Outro exemplo é o de Moreto e de Idrisa. Segundo o que tem constado nos jornais, só nestes dois sub19, fez-se pouco mais do que 4 milhões de euros. Haverá algum clube disposto a dar 4 milhões por um Depoitres ou por um Adrian Lopez? E estamos a falar de jogadores que nunca jogaram na equipa principal, apesar de Moreto ser capitão dos juniores. Bastaram os jogos na youth league e pelas selecções jovens.

Chegamos portanto à minha conclusão. Neste momento do mercado mundial, 'meter os miúdos' compensa. Espero que a malta perceba isso e que se volte a pensar a formação em condições. É que os miúdos não aparecem do nada. Quem está atento à formação, percebe que a última fornada que trabalhou com o famoso treinador holandês, que perdemos para o Liverpool, está a acabar. Os resultados deste ano e do ano passado dos sub15 são absolutamente assustadores, quer em convocatórias para as selecções nacionais, quer em resultados desportivos. Há que fazer algo e rápido, porque o nosso futuro tem de passar por aí.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Época 2016/17 - Acabaram os bons rapazes?


Para fechar esta série de artigos, deixámos o melhor para o fim. Este foi um primeiro ano de mandato especialmente mau, para Pinto da Costa e para o FCPorto. Os títulos foram anormalmente poucos, nas várias as modalidades. Esta semana tivemos de levar com mais uma deprimente declaração de Fernando Gomes. É bom saber que ele só fala de ano a ano porque é assustador, sobretudo para portistas que se dão ao trabalho de ler as contas e que conseguem interpretá-las. Ainda bem que só falou após os resultados da oferta, porque este discurso de culpabilização dos treinadores não dá segurança a nenhum investidor. Para ajudar, no dia seguinte saiu a confirmação do que já todos sabíamos sobre o consulado Fernando Gomes na condução financeira do clube: o clube está numa situação financeira descontrolada, pelo menos de acordo com os parâmetros da UEFA. Já parece longínquo mas Antero zarpou no início da época tendo sido substituído pelo Eng. Luís Gonçalves, que me parece ter um perfil bastante diferente. E aqui chegámos ao meu ponto. Apesar de todas as contrariedades directivas e desportivas, há uma atitude diferente perante o estado de coisas no futebol português. Há quem diga que isto tem a ver com a entrada de Luís Gonçalves, mas também há quem me garanta que o homem é um desastre, que não consegue ter foco e que dispara para todos os lados ao mesmo tempo. Sendo assim, vou concentrar o mérito desta ruptura com a 'postura de bons rapazes' em Francisco J. Marques.

O director de comunicação do FCPorto começou por mudar o discurso através da newsletter que criou. Chegámos a apresentar aqui queixas de que não chegava e que se tinha de ir mais longe. Ora, este ano, marcou o fim da postura de 'bons rapazes', pelo menos ao nível da comunicação. Isto começou por funcionar junto dos adeptos mas, muito recentemente passou a acossar os órgãos de comunicação benfiquistas. Querem melhor exemplo de que estão a 'acusar o toque' do que a capa de hoje do jornal A Bola? Foram buscar o Calheiros!!! Ainda agora começou e já estão desesperados? Que se segue? Vão dar mais uns trocos ao Jacinto Paixão ele ler um depoimento, como fizeram na última vez?

Mas o mais escandaloso é que só agora a generalidade da comunicação social ter divulgado amplamente os factos relatados pelo Francisco J. Marques. Ele já tinha divulgado e-mails entre administradores do Benfica a tratar de bilhetes para o presidente da Associação do Árbitros. Já tinha divulgado documentos que comprovavam inequivocamente o apoio a claques ilegais, em 3 momentos diferentes, sempre com documentação nova e antes mesmo do assassinato deste ano, por elementos dessa mesma claque. Desmascarou a presença de Luís Filipe Vieira nas várias listagens de credores de bancos intervencionados, factura a pagar por todos, incluindo portistas, benfiquistas e sportinguistas. Deu até um exemplo de um investimento imobiliário fantasma que foi o destino de um avultado financiamento pela Caixa Geral de Depósitos e que está parado há mais de 3 anos. Semanalmente, foi dando amplitude às queixas dos portistas sobre o escândalo arbitral que se viveu este ano. Mas a primeira vez que 'bateu' foi com a cartilha. Foi ele que divulgou que há jornalistas, ex-jornalistas, professores universitários, deputados e ex-ministros, que se dispõem a um humilhante papel de 'correia de distribuição' da 'voz do dono'. Provou o espírito acrítico com casos concretos e desmascarou os supostos independentes Carlos Janela, Rui Pedro Braz, e que os que chegaram a clamar serem independentes como o Gobern. Foi ou não foi delicioso ver o Gobern a invocar a 5ª emenda em relação à cartilha? Para quem não sabe o que significa, este é um direito básico, que existe no sistema judicial americano, e que dá o direito ao réu e às testemunhas de permanecer em silêncio e evitar assim a auto-incriminação. O homem tinha receio de se auto-incriminar? Sublime! Ora, tentemos entrar na cabeça dos dirigentes benfiquistas e do seu séquito de 'jornalistas': se Francisco J. Marques consegue aceder a um ano inteiro de cartilha e aos destinatários, o que é que ele não andará a guardar? A resposta chegou na terça-feira passada e deverá continuar nas próximas.

Terminemos com uma sempre pertinente citação do grande Pedroto: «Enquanto fomos bons rapazes, fomos sempre comidos!». 

PS: Pode parecer um pormenor mas, para quem anda a aturar a fruta, o café com leite e o calor da noite há anos, a linguagem destes e-mails é poética! Padres, missas, ordenações e primeiro ministro... Muito bom!

PPS: Hoje o Guerra nem arriscou dizer que é mentira. Deu uma amnésia selectiva ao homem dos papeis... Bom de mais!