segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Treinando para Liverpool


Já sabemos que bastam 5 para estarmos de novo na eliminatória... Não custa treinar! 

Mais a sério, antecipava-se que seria o Rio Ave a 'pagar' pelo que nos fizeram na Champions. Havia até quem achasse que este era o adversário ideal. As evidências até mostram que tinham razão mas não gosto muito desta ideia de que equipas como o Rio Ave e o Chaves são mais fáceis de bater pelos 'Grandes'. Acho que são equipas que estão mais perto de nos causar problemas que as outras, sobretudo porque se nota que têm qualidade e podem chegar ao golo em qualquer campo. Viu-se em Chaves quando eles têm várias hipóteses de empatar e de reduzir para 1-2. Quanto ao Rio Ave, lembrei-me logo que são a equipa da Europa com mais golos de livre directo e lembrei-me que o árbitro era o Xistra. O árbitro cumpriu marcando-nos 25 (!?) faltas. Ainda bem que o Novais esteve menos inspirado...

Com isto pretendo dizer que não concordo que este fosse o adversário ideal para a nossa ressaca. O jogo acabou por ficar mais fácil, com o golo no primeiro remate à baliza. Mas seguiu-se logo um período em que andámos a 'cheirar a bola', que acabou com o golo de Soares. Mais uma vez, a 'bola parada' trouxe-nos tranquilidade que mantivemos até ao final do jogo. Acabámos muito bem o jogo e, se tivéssemos mais uns minutos, o resultado até seria mais avolumado. Foi um bom jogo que será muito útil para 'tratarmos as feridas'. Mais importante ainda, foi o facto de conseguirmos chegar isolados ao Estoril. Já sei que se tem de dizer que só interessa a vitória, mas até acho que estamos numa posição em que tudo que se conseguir é lucro. Uma vitória será uma autêntica 'machadada' na moral dos nossos adversários. Espero que os jogadores percebam isso e consigam colocar-se na invejável e inédita posição de vantagem de 5 pontos para cada um dos nossos adversários.

Individualmente dou o MVP a Soares. Dois golos e uma assistência são mais que suficientes para marcar a sua posição de destaque. Ele e Sérgio Oliveira teriam talvez a tarefa mais difícil porque tinham de fazer esquecer o nosso melhor marcador, Aboubakar, e Danilo que estava a ser consecutivamente o melhor em campo nos nossos jogos. Alguém se lembra deles neste momento? Ok, lembrámo-nos deles na quarta-feira, mas nessa altura até me lembrei do Baía, do Jorge Costa, do Lucho, do Deco... Alex também bisou nas assistências. Normal. Maxi e Casillas trazem experiência mas também trazem qualidade. É bom que não se perca essa noção. Gostei mais de Corona do que de Marega e Brahimi. O nosso mágico está a precisar de uma 'jogadona' para sair desta fase. Já nos habituámos a estas fases que ele, às vezes, atravessa. Não tenho destaques negativos, mas tenho de destacar a estreia de Dalot. Já sei que há portistas que ficam histéricos com estas estreias dos miúdos. Eu até sou um deles mas tenho de reforçar que acho que, tal como Ruben, Dalot parece ser especial. Vamos ver se o aproveitamos melhor...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Quem paga? Para já, Rio Ave!


Que noite horrível, a de ontem! Uma mistura de frio, chuva, vento, Mané, Salah, Firmino... A tempestade perfeita! Estas passagens aos oitavos de final da Champions são fundamentais para clubes como o nosso FCPorto, mas este é o outro lado da moeda. Isto pode acontecer. A diferença de recursos é tal, que não nos podemos dar ao luxo de fazer um mau jogo perante adversários desta qualidade. Convem também recordar que, apesar de ser a primeira vez que apanhámos com um resultado péssimo como este, não foi a primeira vez que fizemos uma péssima exibição. Recordo o jogo na Alemanha que poderia ter contornos muito semelhantes não fosse uma invulgar felicidade que tivemos na concretização. Nessa altura, depois do jogo de Leipzig 'espetámos' 6-1 ao Paços de Ferreira. O Rio Ave que se cuide... Mas está feito. Não será para esquecer porque há muito para aprender.

Uma das lições a aprender é a de concluir, por fim, que precisámos de estar num apuro físico muito bom para implementar este modelo de jogo. Em nenhum momento do jogo senti que a equipa estava com pouca vontade. Talvez no final nalguns jogadores. Mas o que pretendo dizer é que o problema não foi empenho, nem foi o modelo de jogo em si. O problema foi que a equipa demonstra cada vez mais sinais de cansaço. Se, ao contrário do habitual, são os adversários a chegar primeiro à bola e se não há capacidade de reacção, acabámos por provar do nosso veneno. O que mais chateou ontem, além de ter apanhado quase tanta chuva como os jogadores, foi constatar que o Liverpool estava a fazer o jogo que nós deveríamos fazer e o jogo que nós fazemos em 90% dos jogos nesta época. Além disso, há que reconhecer que eles fazem isto melhor...

Outra das lições a aprender é a de que temos de manter o equilíbrio das emoções. Parece difícil fazê-lo mas, após o 0-3 e mesmo antes, não era difícil perceber que, continuando com o mesmo esquema, iríamos levar mais. Sérgio deveria ter percebido que a equipa estava em claros apuros e deveria ter tentado protegê-los, nomeadamente através do reforço do meio-campo. Não seria uma opção que agradasse muito às bancadas, mas julgo que o resultado final agradou ainda menos...

Há outra suposta lição que vejo alguns Portistas a tirar, com a qual não posso concordar e que tem a ver com a qualidade dos jogadores. «Eles não têm qualidade para a competição», «Iker não sofria aquele golo», «Marega só marca ao Tondela», «Brahimi não fez uma jogada que fosse» e outras coisas que tal. Descobriram agora que temos um plantel curto ou que temos uma equipa muito pior do que a quase totalidade das equipas nos oitavos de final da Champions? É óbvio que a equipa tem muitas limitações que nos impedem de competir de igual para igual na Champions, mas esta equipa e estes jogadores têm estado numa espiral de auto-superação absolutamente notável e não pode ser um jogo péssimo a mudar a nossa percepção dos méritos da equipa. O Sá que 'frangou' é o mesmo que nos salvou contra o Braga com uma defesa fabulosa. O Marega continua a ser o nosso melhor marcador no campeonato e o Brahimi continua a ser o mesmo jogador, que tem sido considerado o melhor jogador da prova. O treinador que ontem assumiu as culpas é o mesmo treinador que tem feito milagres. Sérgio terá de trabalhar para que o jogo de hoje seja apenas um terrível percalço, numa caminhada para o nosso grande objectivo que é o de devolver o título nacional aos Portistas este ano. Nada mudou!

Individualmente e como é habitual nestes jogos, não há MVP. Pareceu-me que os menos maus foram Marcano e Herrera, mas não estiveram muito melhor que os restantes. 

Venha a Liga. O Rio Ave vai ter de pagar!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Poupança


Sérgio Conceição não gosta de falar de poupança nas suas escolhas e julgo que, neste jogo, tem razão. De facto não há poupanças. O plantel tem sido espremido de tal forma, que ele não tem outra alternativa se não a de escolher os que estão em melhor momento, nomeadamente ao nível físico. Sérgio diz que escolheu os melhores para o jogo. Ora se Brahimi não tivesse jogado tantos jogos, incluindo alguns para a Taça da Liga, estaria de certeza no lote dos melhores para um jogo contra uma equipa tão perigosa como o Chaves. Também lá estariam jogadores como Marcano e Aboubakar, que parecem ter lesões mais associadas ao esforço. Ora isto até pode ser entendido como uma crítica à gestão do plantel de Sérgio Conceição. Mas não é! É uma crítica à gestão da SAD e do Presidente. É que Sérgio foi esticando a corda até ao limite porque lhe pediram para ganhar tudo com um plantel muito curto. E é o que ele está a tentar fazer. E acabou por correr bem, em Chaves e na época, até agora. Felizmente as lesões em jogadores importantes só chegaram muito recentemente e numa altura em que já foi possível dar mais alternativas ao plantel. Mas todos nos lembrámos do que aconteceu a Soares. Bastava que tal acontecesse a mais alguns dos jogadores nucleares para que a época do FCPorto pudesse ser muito diferente. Ora nesse sentido, abordando uma crítica que tenho ouvido do excesso de minutos de alguns jogadores, nomeadamente o Alex Telles, Sérgio está a fazer tudo o que pode para ganhar. Para que tal aconteça tem arriscado muito na gestão do plantel e eu acho que faz muito bem! Estamos à frente e há que esticar a corda até ao limite. Daqui a umas semanas o calendário deverá acalmar. Isto se correr mal na Champions. Se correr bem, os jogadores nem irão sentir o cansaço!

Ora, dadas todas as restrições físicas que temos neste momento, apresentámos um onze mais alternativo. A resposta foi incrível! Ganhar em casa do sexto classificado por números tão 'gordos' não é para qualquer equipa. É certo que o jogo correu muito bem. Marcámos à segunda oportunidade, numa eficácia que até não tem sido comum neste FCPorto. A partir daí foi gerir os ímpetos do adversário e aproveitar o espaço que nos iam deixando. Uma exibição muito boa, com jogadores que nem são dos que têm jogado mais. É um sinal claro para os nossos adversários da nossa força! Não pude deixar de reparar que marcámos dois golos em cada parte, em casa do sexto classificado. Temos de começar a treinar para os 45 minutos no Estoril...

Individualmente há várias exibições com notas muito altas. Opto por Soares para MVP porque foi o nosso jogador mais perigoso e porque os seus golos foram fundamentais para dar à equipa a tranquilidade necessária, perante um grande oponente e na perspectiva do jogo de quarta-feira. Notas muito altas para Sérgio Oliveira e Herrera. Que dupla se está a formar! Chamo-lhe dupla mas dá-me a ideia que Herrera joga sempre mais recuado e que é ele a fazer de Danilo. Tirando duas situações em que demorou a soltar a bola para trás, parece que joga melhor nesta posição do que mais adiantado. Sérgio Oliveira parece que está a encarnar a intensidade de outro Sérgio, o do banco. Parece ser essa a diferença fundamental em relação ao que tínhamos anteriormente. Gostei também dos dois centrais. Isto apesar de ambos terem tido um erro comprometedor a manchar exibições de elevadíssima qualidade. Mas se Reyes errou porque lhe partiram os rins, Felipe errou porque lhe parou o cérebro... Otávio regressou com apontamentos muito bons e outros menos bons, mas tem nota positiva. Maxi teve uma exibição parecida. Aquela mão marota no início de jogo era desnecessária, tal como algumas faltas e o amarelo que apanhou. Por outro lado, tirou um golo ao adversário. Pela negativa, Marega, mais uma vez. Não está num momento de forma muito boa e foi bem substituído. Também não gostei da entrada de Oliver, que perdeu mais bolas que os outros dois médios juntos. Assim, não 'calça', e bem.

Na quarta-feira regressa a Champions! Temos uma montanha para escalar mas temos de fazê-lo com a ambição e garra que temos demonstrado até agora. Teremos de castigar a defesa deles que é claramente o sector mais fraco.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Custou mas foi!


Talvez tenha sido a exibição menos segura das quatro, mas finalmente temos uma vitória num clássico! Já começava a aborrecer um pouco e, ao intervalo, depois de uma primeira parte de sentido único e com o desperdício de três oportunidades claras para marcar, já começávamos a temer mais uma 'vitória moral'. Soares conseguiu dar o melhor seguimento a um cruzamento açucarado de Sérgio Oliveira e marcou o primeiro e único golo em 360 minutos. Estava difícil materializar tanta superioridade, perante adversários directos na luta pelos títulos nacionais... Talvez por isso, este 1-0 que é um resultado banal numa eliminatória a duas mãos,  tenha sido tão saboroso. É, de facto, uma vantagem curta, mas é uma vantagem perante um adversário, a quem nos temos superiorizado em três jogos consecutivos.

Tendo já referido que esta exibição me pareceu a menos autoritária dos quatro clássicos que disputámos, tal não significa que tenha sido uma exibição fraca. Antes pelo contrário. O que  digo é que houve períodos maiores do jogo, em que não controlámos o adversário, sobretudo no final das partes. Especificando, entrámos muito fortes e mantivemos uma pressão que abafou o adversário até cerca dos 35 minutos da primeira parte. Nessa altura, uma jogada precedida de mão de Acuña causou muito perigo para a baliza de Iker. A partir daí o Sporting conseguiu libertar-se mais da pressão e jogar mais no nosso meio-campo, algo que não tinha conseguido até aí. Na segunda parte, não conseguimos entrar tão fortes. Tínhamos a posse mas as primeiras oportunidades da segunda parte foram do Sporting. Recuperámos a intensidade e o golo surge de uma recuperação de Sérgio Oliveira no meio campo adversário. A intensidade manteve-se e Patrício ainda salva o 2-0 por duas vezes. No entanto, no final voltámos a cair um pouco e voltámos a permitir algumas jogadas muito perigosas, que normalmente anulámos de forma mais prática. Os jogadores que entraram não ajudaram muito, sobretudo Hernani, mas julgo que toda a equipa caiu um pouco perante a pressão final do adversário. Tal não implica que a vitória não seja o resultado natural para o que se viu. Uma vitória por dois golos de diferença até seria mais apropriada.

A este propósito, não consigo deixar de ficar surpreso com as análises pós-jogo de Jorge Jesus. Duas ideias fortes: o resultado certo era uma empate com golos e o Sporting não marcou mais golos porque faltava um jogador importante, o Dost. Poderia teorizar sobre o facto de um treinador que custa 6 milhões por época, fazer um péssimo trabalho psicológico com os jogadores menos utilizados. Poderia também relevar que um deles, Doumbia, foi mais caro que qualquer dos avançados no nosso plantel. Até poderia entrar numa divagação sobre se vale a pena pagar tanto a um treinador cujo desempenho depende tanto dos melhores jogadores do plantel e da sorte de eles não se lesionarem ao longo da época. Mas bastaria algum dos jornalistas presentes lembrar o senhor que nós jogámos sem três titulares na nossa zona defensiva: Sá, Marcano e Danilo. Desmontavas as duas ideias em simultâneo. Viram o Sérgio associar o número de oportunidades que permitimos com a ausência desses jogadores? Pois...

Individualmente dou o MVP a Sérgio Oliveira. Um remate ao poste, uma assistência para golo e muitas bolas recuperadas são mais que suficientes. Ainda pensei em Ricardo Pereira que fez outra exibição portentosa e destruiu por completo essa personagem detestável, que é o Coentrão. Mas aquele lance em que deixa o Ruben isolar-se no final do jogo, baixa qualquer nota. Gostei também de Felipe, Alex e Herrera. Soares também tem nota muito positiva e Marega esteve melhor do que nos últimos dois jogos, apesar de não ter conseguido aparecer com perigo na área. Brahimi esteve muito infeliz. Irão certamente associar essa exibição à dupla de laterais que teve de enfrentar (nem o Tondela veio ao Dragão jogar assim...). Mas eu acho que, em condições normais, isso não seria um problema para Brahimi. Haverá ali alguma desinspiração e muita fadiga. Corona é diferente. Tem muitos altos e baixos no jogo. Há quem me diga que não jogou nada, mas lembro-me que isolou Brahimi na primeira parte e que deu a Soares a cabeçada que, por sua vez, deu a Patrício a defesa da noite. Uma última referência para a entrada de Hernani. É positivo ele ter muita vontade de mostrar valor mas, pelo caminho, ficaram duas oportunidades de matar a eliminatória e muito pouco apoio a Ricardo, numa altura em que passou por algumas aflições. Um dos lances é de 4 para 3 e a sua definição é ridícula.

Segue-se a deslocação a Chaves. Adivinham-se muitas dificuldades. Pelo que vi nestes três clássicos, joga lá o segundo melhor extremo do Sporting, o Matheus.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A importância da assistência


Depois do 'hat trick' do Alex julgarão que estou a falar da importância das assistências para golo. E julgam bem! Não é normal ver um lateral a alcançar esta façanha, mas já não é a primeira vez que vemos o Alex a fazer isto. Mas é também de notar que este ano os nossos laterias têm um impacto ofensivo reforçado pelo modelo de jogo aplicado. São muitas as vezes em que as 'despesas' da ala são deixadas apenas para Alex e Ricardo, que têm correspondido de uma forma extraordinária. Mas, já que a língua portuguesa me permite, posso destacar também outro factor que me pareceu e parece importante, na época que a equipa está a fazer: a assistência nas bancadas. Mais uma vez tivemos mais de 40 mil adeptos nas bancadas, numa noite de temperatura muito fria, mas com um ambiente quente, que nem chegou a arrefecer com o golo adversário. Muito bem, o Dragão!

Mas além das assistências do Alex há ali outro padrão nos golos. O primeiro e terceiro surgem da nossa segunda vaga ofensiva e de insistências por Aboubakar e por Brahimi. Ambos vão recuperar a bola junto à linha e servem Alex para o cruzamento e para o golo. Até o canto que dá o segundo golo é conquistado através de uma excelente jogada de insistência de Brahimi. Isto é um sintoma claro de intensidade de jogo. Só conseguimos sufocar o adversário, se conseguirmos criar perigo consecutivamente e de forma reiterada. Este tem sido um dos segredos do FCPorto de Sérgio Conceição no Dragão.

Antecipava-se facilmente que o jogo fosse complicado e, efectivamente, complicou-se. Complicou-se com o golo do empate, numa altura em que já tínhamos perdoado o 2-0, e complicou-se quando Sá teve de fazer uma excelente defesa, numa altura em que já tínhamos perdoado o 3-1 por várias vezes. Abel destaca esse momento como fundamental. Compreeendo. Cada um agarra-se aos seus 'Se'... Se o Sá não tivesse defendido... Se o FCPorto marcasse metade das oportunidades claras que cria... Se o Marega não tivesse apresentado 'tijolos' em vez de pés... Se a equipa do FCPorto não apresentasse tantos sinais de cansaço... Se Hugo Miguel não marcasse falta a cada espirro de um jogador do Braga... Se... Tretas. Foi uma vitória dura, difícil, mas que não poderia ficar pela vantagem mínima, dada a diferença entre as equipas que ficou marcada, nos 90 minutos no Dragão.

Individualmente, tenho três candidatos a MVP: Alex, Ricardo e Sérgio. Foram as três exibições que mais se destacaram. Desempato pelas impressionantes três assistências do Alex, mas os dois laterais foram importantes. Sérgio Oliveira apresentou a sua melhor exibição da época, sendo uma óptima notícia, dada a ausência de Danilo. Em relação a Oliver, acrescenta o poder de fogo em meia distância e acrescenta em agressividade. Já sabemos que perde noutras coisas, mas isso nem se notou ontem. Sá também esteve muito bem com duas defesas de dificuldade máxima. Brahimi e Aboubakar estiveram bem até rebentarem fisicamente. Herrera esteve pior que Sérgio, mas não esteve mal. Não gostei de Corona e Marega. O primeiro esteve bem em termos de empenho e entrega mas não definiu bem. Marega teve o segundo jogo consecutivo em que tudo que toca é asneira. Não é motivo para alarme mas deixo apenas uma alerta. Será vantajoso que um dos intocáveis de Sérgio Conceição, que faz 90 minutos sobre 90 minutos, seja o Marega? Um jogador que consegue fazer dois jogos seguidos em que perde mais de metade dos lances em que intervem? O plantel agora tem mais soluções e há que gerir a condição física de todos. Parece-me que a polivalência ofensiva e a capacidade física de Marega está a impedir Sérgio de explorar outras soluções. Atenção que não digo que deva deixar de ser titular. Apenas digo que há jogos em que tem de sair muito mais cedo, como o de ontem, por exemplo. Destaque final para Waris e Paulinho que entraram e acrescentaram muito pouco. Pareceu até que estavam meios perdidos em campo.

Continua o calendário terrível de Janeiro e Fevereiro. Venha daí o Sporting! O Jamor pode ficar à vista, já na quarta-feira.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Comprometedor


Depois do resultado de ontem em Belém e do de Setúbal, já começava a teorizar sobre a possibilidade de a psicologia do jogo em atraso, que ainda temos de disputar no Estoril, se ter invertido. Na minha cabeça, tal seria um trunfo para o FCPorto porque, a eventualidade de podermos ficar com uma vantagem de 4 pontos para o segundo e 7 para o terceiro, teria de fazer mossa nos adversários. Ora o empate de hoje, confirmou que não vamos ter descanso nos próximos tempos, quanto à tabela classificativa. E bem precisávamos dada a sequência terrível de jogos que temos em Feverreiro.

Óbvio que o resultado é uma aberração quando comparado com o que se viu no jogo. Temos uma equipa que, apesar de jogar em casa, fez dois remates no jogo todo, sendo que um foi interceptado por Felipe e outro pareceu mais um alívio. Jogaram para o pontinho e foram bem sucedidos. Mas já não é comum que equipas com estas estratégias consigam pontos e conseguiram-no com bastante felicidade. Há ali jogadas de finalização simples e que foram desperdiçadas de forma incrível. Lembro-me especialmente de duas. Lembro-me de Brahimi que fez um remate na atmosfera, de fazer inveja ao Marega e lembro-me da recarga ao livre do Alex. Felipe poderia ter sido bem mais impetuoso. Bastava metade do ímpeto com que habitualmente defende, para ter sido golo.

Mas, apesar das inúmeras oportunidades, a bola não entrou. Não é caso para alarme mas importa, no entanto, analisar o nosso futebol ofensivo. Houve um problema claro de falta de eficácia que já vem dos últimos jogos. Mas noto ali que talvez seja preciso variar mais o nosso jogo. Ontem estreou-se Paulinho que acabou por tentar emular o papel de Brahimi no flanco direito. A estratégia deu alguns frutos e Paulinho conseguiu arranjar espaços nas costas da defesa contrária em duas ocasiões de muito perigo. Mas pareceu-me que o modelo poderia ter funcionado mais vezes, se não se procurassem sempre os movimentos interiores. Ricardo e Alex ficam consecutivamente 1 para 2 na ala e acabam por cruzar poucas vezes da linha. Ou seja, gosto do modelo e acho que funciona com estes jogadores, mas temos de ter a capacidade de variar mais. Ou até de variar a partir do banco com Corona, que nem foi a Moreira de Cónegos. Outro exemplo de variações que podemos fazer, dentro do mesmo modelo de jogo, são os remates de meia distância. Parece que estamos obcecados com a procura das costas da defesa e não aproveitamos para pôr pressão no guarda redes. Isto é especialmente para ti, Oliver! Em suma, se temos dificuldade em marcar, há que buscar alternativas e temos de fazê-lo cedo no jogo.

Outro factor, notório no jogo, e que nos impediu de fazer uma ponta final melhor, foi a frescura física. Mas isso... Já sabíamos que ia ser assim. Foi o plantel que tivemos até agora e não estica mais que isto.

Individualmente, gostei do Felipe. Precisávamos de uma liderança forte, na ausência de Danilo e de Marcano e tivemo-la em Felipe. Também gostei do Alex e do Ricardo que tiveram uma tarefa, às vezes inglória, de fazer a ala toda. Sobrou agressividade à dupla Herrera e Oliver, mas faltou mais capacidade de decisão sobretudo do espanhol. Não gostei de Brahimi e Marega pelo mesmo motivo. Muitas nabices em zona de decisão. Em Marega já estamos habituados, mas em Brahimi é mais alarmante e talvez mais um sintoma de desgaste. A estreia de Paulinho não foi deslumbrante mas pontuo de forma bem positiva. Waris e Soares só vieram ajudar ao acumular de nabices na área adversária. Ajudaram pouco.

Podemos ficar atrás. Temos de reagir já no sábado!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Mais uns meses à espera


Lá se foi a Taça da Liga. Mais uma vez... Nem quando levamos a competição a sério e até quando fazemos por merecer melhor, isto corre bem. Não resta outra alternativa senão a de voltar no próximo ano com o mesmo empenho. É uma questão de tempo, visto que isto é uma competição feita à medida dos 3 Grandes. Mas a consequência imediata é a certeza de que vamos ter de esperar mais uns tempos até podermos festejar um título.

O jogo foi fraco e muito faltoso. Ainda assim, a segunda parte foi melhor porque trouxe mais oportunidades. Sobretudo para o FCPorto, mas há também uma oportunidade clara para o Sporting, numa bola parada. Podemos reclamar portanto alguma vantagem em termos de oportunidades de golo, mas o que ficou bem marcado, foi a intensidade que empenhámos nos segundos 45 minutos bem pontuada pelas recuperações de bola rápidas, pela quantidade de ataques, que foi muito superior à do adversário, e pelo facto de, a partir de certa altura, sermos a única equipa que demonstrava não estar conformada com a perspectiva de decisão através de penaltis. Nem todos o vão admitir, mas todos concordam que, a haver um vencedor nos 90 minutos, seria o FCPorto.

E isto leva-nos para um exercício complicado que é o de tentar antecipar o impacto deste desaire e de ter caído o nosso primeiro objectivo da temporada. Elogiar demasiado o facto de termos sido superiores ao longo do jogo e ao longo dos três clássicos de disputamos nesta temporada, soa um pouco a apologia da vitória moral. Mas não é importante constatar que estaremos sempre mais próximos da vitória se jogarmos melhor que os adversários? Não importante perceber que Jesus tem de fazer um discurso muito rebuscado para tentar implicar subtilmente que a sua passagem à final é merecida? Eles sabem o quanto desejaram sobreviver até aos penaltis naqueles minutos finais do encontro. E isso terá muita influência nos próximos 3 jogos de despique directo. E temos de ser claros: custou perder mas, se havia um jogo dos 4 que poderia correr mal era este. É a objetividade do nosso ranking de prioridades em termos de títulos. Em suma, julgo que esta desilusão faz sentido, mas não vejo que vá dar sequelas nem tampouco um boost emocional ao adversário. E veremos se conseguem ganhar o título porque, caso contrário, mais valia terem perdido hoje. O mesmo se aplicaria ao FCPorto se tivesse passado à final.

Passando do domínio do psicológico ao futebol jogado, individualmente, gostei da exibição de Ricardo Pereira. Só aquela arrancada na segunda parte chegava para lhe dar o MVP, mas esteve muito bem quer a defender, quer a atacar. Aquela faixa esquerda do Sporting é muito agressiva, mas foi facilmente anulada. De resto, defensivamente, voltamos a ter exibições muito boas. O único erro foi mesmo o de Sérgio Oliveira ter permitido que se marcasse aquele canto curto.  Ofensivamente, houve mais luta que inspiração. Brahimi destaca-se sempre e Marega, à sua maneira, criou muitos problemas ao adversário. Gostei mais de Soares do que de Aboubakar, que esteve algo desastrado. Gostei também mais de Sérgio Oliveira do que de Oliver e Herrera mas, há ali pequenos erros que fazem baixar a sua nota.

Não consigo pontuar Danilo porque, graças aos 'excelentes' acessos e localização do Estádio e à excelente organização do evento, não o vi jogar. Ainda bem que já há notícias sobre a repetição do evento em Braga nos próximos anos...

Uma última referência para o VAR. É interessante perceber como as opiniões variam quando o FCPorto está envolvido. Desta vez, já temos uma lance duvidoso que é bem anulado. Normalmente, a dúvida é um aliado para o ataque, mas... Já sabemos que isto vai variando. Uma coisa é certa: a culpa é sempre do protocolo. Acrescentaria outra: a razão, há muito que passou a estar com o Manuel Serrão...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Estava-se mesmo a ver...


... mas o desastre não aconteceu. Seria um castigo demasiado cruel para o FCPorto, dado o jogo que se viu na sexta-feira no Dragão. Mas aquela sequência de bolas paradas para o adversário que vimos nos últimos minutos chegou para lançar o pânico nas bancadas. Sobretudo pela irritante e eficaz repetição do método do Tondela. Ganhavam lançamentos laterais consecutivamente mais adiantados até ganharem cantos. Aconteceu pelo menos umas 5 vezes nos últimos minutos. Vá lá que a defesa esteve bem mais eficaz do que o ataque e não houve qualquer oportunidade de golo nesses lances.

Na semana que passou, além da idiotice dos adversário, segundo os quais estaríamos a 'tentar ganhar na secretaria', devem ter ouvido muitas vezes da boca de portistas que, contra o Tondela, menos de 5-0 era derrota... Acabámos aliviados e a achar que o 'meio a zero' já não foi mau... Outra ironia que detectei foi a de, apesar de termos criado um número muito elevado de oportunidades de golo, termos ganho com um golo oferecido por um adversário. Não deixa de ser engraçado depois do que se disse sobre o Tondela-Benfica e sobre as assistências de Rosic em Braga, na semana passada. Mais vale concentrarmo-nos em coisas palpáveis e evitar estes caminhos sem retorno das teorias de conspiração.

Falei já da eficácia defensiva por oposição ao nível épico do desperdício, sobretudo na segunda parte. Vínhamos de uma primeira parte no Estoril muito má, talvez a pior da época, em que todos estiveram mal. Desde José Sá (mal colocado) até ao Marega (muito trapalhão), passando pelo mais culpado de todos, Sérgio Conceição. A forma como substituiu Brahimi é assustadora porque me faz ponderar se ele percebe mesmo a equipa que montou e quais são os seus pontos-chave. Mas regressaremos a esse jogo em Fevereiro, altura em que se terá a hipótese de redenção que se pretendia, com as duas substituições que Sérgio tinha planeadas para o intervalo. O que pretendo com a alusão a esses 45 minutos é que poderiam ter deixado marcas. Tínhamos perdido o primeiro lugar, apesar de temporariamente, e isso teve impacto no jogo de sexta-feira. É a única explicação que tenho para tanto desperdício. Aquela sofreguidão que demonstrámos, acabou por ser contraproducente e isso manifestou-se no resultado escasso. Pepa pôde congratular-se por não ter sido goleado mas, se formos comparar com os jogos anteriores, o nosso domínio e a nossa capacidade de gerar oportunidades de golo foi igual ou superior à dos jogos anteriores no Dragão. Isto para não falar da arbitragem que mais uma vez não teve um nível aceitável...

Uma menção, no entanto, para as substituições de Sérgio Conceição. Bastante conservadoras... Temi que a equipa recuasse e deixasse de criar perigo, mas tal não aconteceu. E já sabemos que Sérgio Oliveira tinha de ter minutos para ganhar ritmo. É que vem aí um jogo com o Sporting...

Individualmente, dou o MVP a Danilo. Tem sido uma distinção repetida por aqui, mas é justo reconhecer que está numa forma nunca antes vista, desde que está no Dragão. Gostei também de Felipe, Marcano e Ricardo Pereira.  Não tenho grandes destaques ofensivos dado o problema de eficácia que demonstraram, Pela negativa não tenho grandes destaques. Ia falar do nervosismo de José Sá, mas julgo que melhorou muito no final do jogo e esteve muito seguro naqueles momentos finais.

Vem aí a fase final da Taça da Liga. Mais do que a Taça, será importante marcar terreno frente a um Sporting que, depois do resultado que teve e das reacções exageradas que se seguiram, poderá ficar muito fragilizado se perder na Quarta-feira.