quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Caso Casillas e o experimentalismo


Já sei que foi apenas um jogo e que tanto Sérgio Conceição como a equipa têm estado bem acima do esperado. Se me dissessem que íamos perder 3-2 em Leipzig, no momento do sorteio, eu não poderia estranhar. É uma equipa boa e com muitas soluções ofensivas de qualidade mundial. Mas o jogo de hoje foi horrível! É um resultado extremamente enganador porque é escasso para os alemães. Tenho dificuldade tirar alguma coisa do jogo que não sejam perplexidades. 

Mas a maior perplexidade é Sérgio Conceição. Imaginem esta situação: vamos ver um espectáculo de magia e, a certa altura, o ilusionista apresenta um número em que faz desaparecer do palco um elefante. Brilhante! Só nos resta aplaudir de pé tal façanha. Já estávamos surpreendidos por alguém conseguir enfiar um elefante no Rivoli, quanto mais fazê-lo desaparecer! E se, no número seguinte, o ilusionista, no meio de um truque de cartas, apresentar dificuldades em baralhar, deixar cair as cartas no palco e não acertar na carta que o membro da audiência escolheu, nem à quinta tentativa? É caso para duvidar. Poderá ter tido sorte, antes? Mas era um elefante adulto! E isto é um simples truque de cartas... Bem, julgo que dá para perceber a ideia. O que pretendo dizer é que Sérgio Conceição conseguiu o mais difícil. Após a primeira derrota, estabilizou a equipa numa base de confiança, demonstrou que tinha capacidade de se adaptar às dificuldades que os jogos nos foram trazendo e passou incólume a uma semana em que jogava em Alvalade e com o campeão francês. Agora era preciso estabilidade. 'Colher os frutos' do trabalho das últimas semanas. Ontem bastava empatar. Bastava apresentar um onze sólido, confiante, experiente e capaz responder perante a antecipável pressão inicial de um adversário que precisava de pontos. Para quê inventar? Por que é que não apresentámos o nosso melhor onze? Porque é que não apresentamos o nosso guarda-redes mais experiente e que transmite mais tranquilidade à defesa? Porque é que se insistiu em apresentar o nosso lateral direito que defende pior, quando essa é a única posição do plantel em que temos 3 opções válidas (4 se contarmos com Dalot)? Podia perder na mesma, mas era completamente escusado perder de maneira a que seja possível assacar responsabilidades a um treinador, até agora unânime e justamente aplaudido. Era escusado dar à imprensa adversária um caso para encherem as suas páginas e os programas de 'paineleiros'. Para quê tanto risco? Ninguém me garante que o erro de José Sá não pudesse ser cometido por Casillas. Ele, recentemente, também teve muitas culpas no segundo golo do Besiktas. Mas sou capaz de garantir que um erro de Casillas não deixaria a defesa tão intranquila como se viu ontem. E o que se pedia era tranquilidade. A pressão estava do outro lado.

O jogo foi muito fraco. Já sabíamos que esta solução de meio campo trazia mais transpiração que inspiração mas, ao contrário do que vimos nos jogos anteriores, o preenchimento dos espaços foi péssimo. Cedo se viu que o Leipzig passava facilmente pela pressão dos nossos médios através da colocação de um dos alas em zonas interiores, mas não se fez nada quanto a isso. Vimos a mesma jogada repetida vezes sem conta  e sem que se conseguisse resolver. Bastava um médio mais posicional. Mas não foi um jogo bom de Danilo. Foi uma das exibições de que menos gostei. Outro problema foi a saída para o ataque. Aboubakar fez o possível para tentar segurar a bola, mas bastou uma exibição menos inspirada de Brahimi (muito marcado) e o nosso futebol ofensivo desapareceu. Porque, com este onze, só há Brahimi. O resto são correrias. No lado direito, ao intervalo, Marega e Layun tinham uma média de 30% de passes acertados. E mesmo assim, fizemos dois golos. Incrível! E as substituições? No intervalo com o Besiktas, depois de uma primeira parte muito melhor do que a de hoje, Sérgio muda dois jogadores. Porque não tentar o mesmo 'efeito de choque'? Sem Soares no banco, este esquema com Marega deixa o treinador sem soluções no banco. Mas é por culpa própria. Como se viu nos minutos em que jogou, Corona podia perfeitamente ter sido titular e passaríamos a ter uma solução ofensiva no banco. Assim, Marega fez a sua pior exibição da época e o Sérgio não o podia tirar, porque estava a perder e queria ter gente na frente. Só espero que Sérgio Conceição perceba todos os erros que cometeu e a sorte que teve em não ter sido goleado hoje. Se perceber isso, talvez possamos sair desta 'montanha russa' emocional que tem sido esta  edição da Champions.

Individualmente, gostei de Aboubakar, de Felipe e de Alex Telles. Marcano este no melhor, mas há dois golos em que acaba por comprometer. Num deles com algum azar. Brahimi cresceu na segunda parte e podia ter ficado até final. Não gostei nada de Danilo. Esteve pior até que Herrera e Sérgio Oliveira, que acabaram por passar ao lado do jogo. Layun foi o que se esperava defensivamente e, na frente, exagerou nos cruzamentos de fase recuadas. Deveria ter procurado a linha mais vezes, sobretudo na parte final do jogo. Mas o pior foi mesmo Marega. Ele andava a esconder todas estas 'nabices' com duas ou três jogadas por jogo, em que tem sido decisivo. Sem isso, sobram só as habituais perdas de bola e os passes falhados. Por último, gostei da entrada de Corona e esperava um pouco mais de Oliver, apesar de ter jogado melhor que qualquer um dos restantes médios.

No sábado regressamos ao campeonato. Antecipa-se mais uma experiência engraçada quando recebermos o onze titular.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Ideias breves sobre a Taça


Foi um jogo sem história por dois motivos. Por um lado não foi possível ao adversário dispor da sua maior arma, que é o pelado ou sintético minúsculo em que as equipas deste escalão jogam. Por outro lado, esta regra absurda de que os clubes têm de usar um mínimo de 8 jogadores que jogaram no últimos três jogos. No caso do FCPorto foram três jogos importantíssimos em que não houve grande margem para poupanças. Disto resultou que tivemos jogadores de distritais a enfrentar jogadores como Brahimi. Isto não beneficia ninguém. As possibilidades de 'haver taça' são cada vez mais remotas e o FCPorto perde a oportunidade de fazer descansar todos os seus melhores jogadores para o crucial embate de terça-feira. E seguimos com este experimentalismo legislativo das instâncias federativas. A tentarem imiscuir-se na gestão de plantel dos clubes sem proveito algum para ninguém. Mais vale estar quieto...

Individualmente, não tenho grandes destaques a não ser as caras novas. Comecemos por Dalot. Sempre que aparece um talento destes, os adeptos entram em histerismos e já deve haver gente a pedir que se venda Layun e Maxi no Mercado de Inverno e Ricardo Pereira no Verão. Eu, que acompanho as camadas jovens há anos, até costumo embarcar nessas ondas. Por isso, aqui vai: Dalot parece ter condições para ser opção válida para o plantel já na próxima época. É apenas uma questão de tempo até se afirmar como titular do FCPorto. Quanto mais cedo melhor, porque, talentos destes, não costumam ficar no futebol português muito tempo. Galeno é um caso diferente. É fundamental na equipa B e tem uma velocidade estonteante. Mas acho que foi um erro não se tentar colocá-lo na primeira liga. O que faz agora já fazia no ano passado e assim não evolui. Precisa desse teste para ser uma opção de relevo e útil para Sérgio Conceição. No jogo de sexta-feira entrou bem e até esteve melhor que Hernâni. Jorge Fernandes não teve trabalho e é um jogador que é presença habitual nos treinos da equipa principal. Mas na B terá que trabalhar bastante porque a dupla de Diogos tem dado garantias e podem ultrapassá-lo. Por último, Luizão. Quando vi que ia entrar fiquei logo aborrecido. Lembrei-me de Inácio no ano passado e pensei logo: «algum empresário está a fazer dinheiro com esta opção». Quem segue a equipa B, percebe a preponderância que Fede Varela tem e que é claramente o jogador de meio campo que está mais perto da equipa principal. Luizão chegou agora e passado dois meses já se estreia sem ter feito muito por isso. Estranhei muito esta opção.

Este jogo foi apenas uma formalidade. Venha a Champions em mais uma deslocação de dificuldade máxima. Uma vitória, quase que elimina este adversário.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Sabe a pouco


Pode parecer injusto, porque a equipa, no geral, esteve bastante bem. Mas fiquei com esta sensação de que perdemos uma boa oportunidade de ter já um bom avanço em relação aos nossos adversários. É essa sensação vem daquela primeira parte. 

Confesso que não me recordo de ter visto, nestes últimos 4 anos, uma exibição em Lisboa com tamanha autoridade, como a que vimos na primeira parte de hoje. Sporting sempre a 'cheirar a bola' e a falhar muitos passes perante a nossa pressão. Falhou nessa altura mais qualidade na finalização.Aboubakar por 3 vezes, Marega e Brahimi perdoaram em lances claros de golo.

Na segunda parte, o jogo foi mais equilibrado e por 3 factores. Em primeiro lugar, houve alguma quebra física. É natural, mas Sérgio guardou as substituições durante demasiado tempo. Já sei que nós estávamos a jogar com o resultado, mas foram riscos desnecessários. Por falar em riscos desnecessários, Layun. É fácil falar agora, porque não aconteceu nada de muito mau. Mas, para mim, Layun é a terceira opção para lateral no FCPorto. Não está em causa o empenho do jogador, que deu tudo pela equipa. É uma questão de qualidade defensiva. O que nos valeu é que Jesus demorou a perceber que era ali que estava o 'ouro' e só lá meteu o Gelson na segunda parte. Para mim, este também foi um dos factores que fizeram com que o jogo fosse muito mais equilibrado nesse período. Eles passara a ter ali um foco de perigo e insistiram por lá até ao final do jogo.
Mas há um último factor de equilíbrio na segunda parte. Não conseguiria fazer uma crónica sobre um jogo do FCPorto apitado pelo Xistra sem lhe dedicar pelo menos um parágrafo. Já nos tinha brindado com uma arbitragem bem 'axistralhada' em Braga e hoje não desiludiu. É nas coisas que não aparecem nos resumos, que Xistra mostra que é já um artista maduro. Na única falta que assinalou nas proximidades da área do Sporting, faltou o segundo amarelo para William. Mas esta foi uma excepção porque há um lance sobre Otávio e um pé na cara de Sérgio Oliveira em que ficaram livres muito perigosos por marcar. Já nas imediações da nossa área... Era só cair. Valeu que os nossos centrais estão quase imbatíveis em lances aéreos. Entre cantos e faltas foram cerca de 12 lances e só um, em que William cabeceia em fora-de-jogo, deu perigo.

Dissecando um pouco mais o jogo, tem sido atribuído muito destaque ao reforço do meio campo com Herrera e Sérgio Oliveira. É justo porque transforma a equipa numa máquina de recuperar bolas. Mas o segredo está no critério com que lançamos os ataques, logo após a conquista da bola. E nesse momento, quem tem brilhado é Brahimi que está em grande forma. Mas de uma maneira geral, toda a equipa procura sair com qualidade. Até Felipe, que tanto gosta de mandar para a bancada. 

Individualmente, MVP para Brahimi. Num jogo de boas exibições de quase todos, Brahimi destacou-se dos demais como maestro da equipa. Estava a anotar notas altíssimas para Alex e para Danilo, mas o Alex deu ao adversário a sua única oportunidade de golo no jogo e Danilo foi dos que mais acusou a quebra física na segunda parte. Destaco os centrais que estiveram impecáveis. Estava preparado para pôr Layun nos destaques pela negativa. Mas não consigo. Gelson é um grande adversário e Layun fez o melhor que lhe foi possível, visto que nem sempre teve o apoio de Herrera ou Marega. Mas repito que foi um risco e não é por ter corrido bem que mudarei de opinião.

Estamos num grande momento e o sucesso desta metamorfose de um FCPorto descontroladamente atacante, num FCPorto mais compacto, dá muita confiança no treinador. E a este propósito, é caricata esta insistência da imprensa na nossa perda dos primeiros pontos. Sérgio Conceição respondeu com a inconfidência sobre o que disse no grito final aos jogadores: «Assim, vamos ser campeões, car#$&#!»

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

FCPorto Europeu



Tínhamos terminado a anterior crónica com uma referência à última versão da desconfiança da 'imprensa'/comentadores cartilheiros. Na primeira versão, a pré-temporada só foi boa porque não enfrentámos equipas fortes. Depois, começou o campeonato e a série de vitórias começou a ser desvalorizada porque ainda não tinha chegado o primeiro teste difícil. Passámos em Braga e o problema passou a ser que o FCPorto era uma equipa talhada para as competições internas. E agora? O que nos falta? Ainda não jogámos com um grande? Já sei! É a profundidade do plantel: «O FCPorto está muito forte, mas se não tiver lesões ou castigos...» Ouvi isto ontem, logo num dia em que Sérgio inventou mais um jogador que pode passar a ser chamado ao onze. Já perceberam que as dúvidas não vão desaparecer porque são alimentadas pela 'clubite'. O que temos de fazer é seguir de teste em teste, indiferentes a todo cenário que nos rodeia. Perdoem-me o 'lugar comum': Vamos jogo a jogo!

O resultado de ontem trouxe boas notícias e pode até ter dado algumas pistas sobre o que Sérgio Conceição pretendeu com a recente aposta em Herrera. Temos plano B! Já desconfiava que se iria apostar no reforço do meio-campo. Como Otávio não tem correspondido, pensei que fosse Oliver a acompanhar Danilo e Herrera. A aposta foi ainda mais conservadora, em termos do tipo de jogador, mas muito mais arriscada porque se apostou num jogador que ainda nem sequer tinha estado no banco e, provalvelmente, nem nos convocados. Todos nos lembrámos do Costa em Manchester do Marek Cech em Londres e tantos outros exemplos de surpresas que os técnicos inventam para reforçar o meio campo neste tipo de jogos. A diferença é que esta funcionou. Os 3 médios condicionaram muito o jogo do Mónaco e limitaram-nos a um futebol quase totalmente lateralizado. Será que a introdução paulatina de Herrera no onze foi pensada em preparação para este plano B? Será que Sérgio Conceição andava a ensaiar um FCPorto mais musculado e com maior protecção em redor da sua área? Ou então sou eu que quero a todo o custo que ele seja um génio e estou a inventar por ele... É um facto que Herrera é o nosso médio com melhor chegada à área adversária. Todos conhecemos as suas dificuldades ao nível do passe e as suas irritantes 'paragens de cérebro'. Ainda ontem vimos exemplos disso, nomeadamente na jogada imediatamente anterior ao nosso primeiro golo. Mas tem passada larga, consegue progredir pelas alas, finaliza bem e é uma boa opção para jogos em que cedemos o controlo ao adversário. Mas se tivermos de controlar o adversário com bola... Muda-se de esquema. Insisto que o Plano B terá sido essa a melhor notícia do jogo de ontem.

A outra é que Sérgio conseguiu tirar boas notas da derrota com o Besiktas. Não podemos jogar todos os jogos de 'peito aberto'. Há adversários melhor apetrechados, em melhor momento e que reagem melhor ao futebol 'de parada e resposta' que costumamos apresentar. Ontem demos a iniciativa, empurrámos o adversário para as laterais e saímos rápido para o ataque. Parece simples, mas não seria assim tão óbvio à partida. Sobretudo para uma equipa que estava obrigada a ganhar para se manter na disputa do primeiro lugar. Mas o jogo era em casa da equipa mais forte do grupo e há que saber jogar com as nossas limitações e com as deles. Poderão reparar que foi rara a ocasião em que saímos para o ataque sem critério. Havia sempre uma opção para sair com qualidade, sobretudo com Brahimi, e havia sempre a alternativa em profundidade, sobretudo com Marega. Grande vitória e grande exibição de Sérgio Conceição! 

Individualmente, vou dar o MVP em dupla. A nossa dupla de avançados esteve soberba, com um a marcar e outro a assistir. Marega parte da ala mas é sempre um avançado. Basta ver o seu posicionamento no segundo golo. Estava à espera para atacar o meio e não a ala. Brahimi também teve nota muito alta e o segundo golo é mérito seu. Vou esquecer que Felipe foi provavelmente o único jogador que fez passes longos disparatados, para destacar que foi um monstro no jogo aéreo, que foi muitas vezes o único recurso do adversário. Por último, destaco Ricardo que, para mim, fez a sua melhor exibição da época. Tudo o resto com nota bem positiva.

Em Alvalade já estarão bem menos confiantes do que há uma semana. Temos de capitalizar!

domingo, 24 de setembro de 2017

Aqueles 6 minutos


O jogo valeu pelo seu todo e não apenas por uma parte de 6 minutos. Mas aquele período foi especialmente importante. A equipa já vinha acumulando várias oportunidades de golo nos primeiros 20 minutos, mas seguiu-se um período em que os jogadores do FCPorto desencadearam uma série de ataques, com tamanha intensidade, que só poderia ter resultado em KO. Por muito que a posse de bola seja importante, esta é a melhor forma de controlar estes jogos. Aproveitar o momento em que o adversário está em baixo, para conseguir um resultado confortável, o mais rapidamente possível.

«E o Herrera?» - pergunta a turba de defensores que nos invadiu na semana passada, em fúria. Bem, quanto a Herrera, lembro-me de uma grande jogada. Quando se viu envolvido numa grande combinação entre Aboubakar e Brahimi, Herrera tomou a melhor opção e optou por não intervir na jogada. Assim, nada saiu estragado. Se ele tiver mesmo que jogar, é este o Herrera que eu aprecio... Mais a sério, neste jogo não se notou a ausência de Oliver. Ao contrário do jogo anterior, controlámos por completo as operações e, apesar de encontrar erros na exibição de Herrera, como no primeiro golo do adversário, o que fez de positivo foi muito mais relevante. Ainda assim, continuo confiante que Oliver vai ser titular nos próximos dois jogos, porque é melhor jogador, mas sobretudo porque interpreta melhor este esquema de Sérgio Conceição.

Voltemos ao jogo. Tínhamos previsto por aqui que estes resultados 'gordos', mas com golos sofridos, passariam a ser mais vulgares. Mas o primeiro, acabou por aparecer à sétima jornada pelo que, para já, a tendência para os jogos em casa é a de não sofrer golos e marcar muitos. De resto, os golos sofridos não mancham em nada a boa exibição. Foi talvez o primeiro jogo em que se pode dizer que todos os quatro mais avançados apresentaram boas exibições individuais. Brahimi foi o melhor em campo, Corona assiste para o segundo e terceiro golos e Aboubakar e Marega 'molharam a sopa'. Quando assim acontece, é quase impossível sair do Dragão com um bom resultado. O jogo foi um acumular de oportunidades de golo, sendo que a grande maioria do perigo criado, rondou a área do Portimonense. É de recordar que há 15 dias, esta equipa vendeu bem cara a derrota na Luz, onde foi bastante prejudicada, acabando a jogar com 10 jogadores. Equipa interessante, mas que apanhou um FCPorto demasiado forte.

Individualmente, MVP óbvio para Brahimi. Além dos outros 3 da frente, boa exibição do Alex Telles e notas positivas para todos os outros. Destacaria apenas Ricardo Pereira. É um destaque porque ele não se tem destacado nem pela a positiva nem pela negativa. A título de exemplo, quando jogou Layun, notou-se logo que o Ricardo não estava lá. Mas as expectativas que deixou na pré-época ainda não se confirmaram. Julgaria que em jogos como o de sexta-feira, ele brilharia muito mais. Espero que o melhor de Ricardo ainda esteja para vir.

Na terça-feira, novo teste de fogo. Para já, ainda temos de levar com a conveniente desconfiança  dos 'comentadeiros'. Apesar de termos 7 vitórias seguidas, com vitórias em Braga e Vila do Conde, 'é pouco porque não chega para a Europa'... Já os 'topamos a léguas', mas era bom que lhes tirássemos esse demagógico argumento.

domingo, 17 de setembro de 2017

Mesmo com Herrera...


Vou ter de rever aquela primeira parte com o Besiktas. Tenho de perceber o que é que aconteceu para que se prescinda de Oliver nestes cerca de 135 minutos tão importantes para a equipa. Para mim, tem sido um dos melhores jogadores da equipa e dos que melhor se adaptou a este esquema de Sérgio Conceição. É o único jogador que consegue colar as duas partes da equipa evitando, na medida do possível, um jogo demasiado partido. Além de que é, para mim, impensável prescindir dos melhores, quer na Champions, quer numa das deslocações mais difíceis do ano na Liga portuguesa. Muito contente com o resultado, mas muito assustado com as opções iniciais de Sérgio Conceição. 

Quando um Grande enfrenta uma equipa que tenta jogar, o plano terá de ser o de evitar que eles joguem da forma a que estão habituados. Para nós isso devia ser simples: evitar que eles tenham bola. E aqui entra o meu choque com a ausência de Oliver das opções iniciais. E o susto começou com o anúncio do onze mas ainda não passou com a alegria da vitória. Será que Sérgio Conceição irá recorrer ao músculo, quando as coisas correrem mal ou quando o adversário for mais difícil? Poderão referir que a equipa, até não jogou mal. De facto, trouxemos os 3 pontos, mas terá sido uma grande exibição? Eu não acho. Em primeiro lugar, este foi o primeiro jogo do ano em que não tivemos a primazia em termos de posse de bola. Fizemos também menos 150 passes que o adversário. Isto para não falar do facto de Herrera ter sido o jogador em campo com mais perdas de bola. 11 vezes! Danilo e Oliver têm até agora uma média pouco superior a 2 por jogo... Marega, Aboubakar e Brahimi têm médias entre 5 e 6... Para não 'bater mais no ceguinho', concluirei que o Sérgio arriscou e saiu-se bem. Apenas espero que esta solução não seja recorrente.

Mas se me queixo da falta de posse de bola e de Herrera, também tenho de elogiar a outra 'face da moeda'. O jogo ganhou-se na raça e nas muitas recuperações de bola que conseguimos. Algumas no meio campo ofensivo. Outro dado estatístico interessante é o das faltas. Foram 25, quase o dobro das do adversário. Demonstra a clara diferença em termos de agressividade, que foi fundamental para o resultado final. Pena que não tivéssemos conseguido capitalizar essas recuperações e transformá-las em jogadas de golo. A partir do momento que chegámos ao golo, numa bola parada, o jogo ficou de feição para a nossa estratégia de saídas rápidas para o ataque. Pecámos demasiado no último passe e até na finalização. Ainda deu para duvidar um pouco com aquele golo atípico, que misturou uma 'nabice' do Felipe com um posicionamento deficiente de Ricardo, que tinha acabado de chegar ao lugar de lateral esquerdo.

Individualmente, dou o MVP a Danilo. É isto que precisamos: agressividade, segurança e amplitude de acção. Há quem diga que isto só sucede quando tem um jogador mais defensivo ao lado. São opiniões. Para mim ele jogou bem porque jogou ao seu nível. Ou melhor, jogou bem, apesar de Herrera. Não sei bem se o MVP é justo, porque Marega também fez por merecer. Grande intensidade e grande velocidade. Pena que os pés nem sempre acompanhem... Também gostei de Brahimi. Pela negativa, além de Herrera, Aboubakar teve um jogo muito discreto. Especial destaque para aquela jogada irritante em que trava e não aparece no segundo poste para aproveitar a oferta de Marega. Otávio esteve bastante trapalhão no último passe.

Falta uma vitória para chegarmos a Alvalade com o pleno. Será muito importante que se concretize este objectivo!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ilusão, depressão


Há várias lições a aprender depois do jogo de hoje. Mas o mais importante é não embarcar em ondas, sejam de depressão, depois de resultados adversos, sejam de euforia quando corre bem.

Vamos à primeira lição. Já aqui tínhamos avisado que a defesa estava ainda longe do nível do ano passado, apesar do enganador registo até hoje. Compreendemos que o desígnio é outro e que se aceita sacrificar alguma segurança defensiva para conseguir ter mais talento na frente e mais homens nas zonas de finalização. Sendo assim, temos de saber reagir aos golos sofridos com uma intensificação da pressão. Foi possível reagir bem ao primeiro golo, mas deu-me a ideia que o segundo golo nos 'matou'. A partir daí a equipa jogou sempre em esforço e de uma forma demasiado descontrolada para uma Champions. É certo que isso nos valeu algumas oportunidades no início da segunda parte, mas também fez com que a equipa caísse muito no final do jogo.

Esta quebra física também é algo muito importante para os próximos tempos. Já sabemos que o plantel é curto, mas não vamos entrar em teorias de que não chega para este nível. Tivemos um adversário muito maduro e eficaz que teve um jogo que lhes correu excepcionalmente bem. Ainda assim, Sérgio tem de aprender a lidar com estas limitações. O jogo de Sábado já poderia ter posto algum travão a este ímpeto de 'vamos para cima deles com tudo'. Já sei que é o que nos tem entusiasmado neste treinador, mas o plantel disponível e a própria competição da Champions obriga a precauções extra que terão de ser tidas em consideração nos próximos jogos. Dou dois exemplos. Sem Aboubakar, não chocava ninguém se Sérgio optasse por ter um avançado no banco. Preferiu dar um sinal à equipa de que era para manter a dinâmica do início de época, mas limitou as suas próprias opções. Com 'todas as fichas' no plano A, o plano B é bem mais fraco. Óbvio. Outro exemplo é a dupla troca ao intervalo. Mais uma vez, tenta mudar o jogo de uma forma radical, para surpreender o adversário. E até resultou, visto que tivemos várias ocasiões para empatar no início da segunda parte. Mas quando o adversário refrescou a equipa, o FCPorto desapareceu do jogo. Concordo que alguma coisa teria de mudar. Mas optou-se por gastar duas substituições que fizeram falta a partir dos 70 minutos, quando a equipa quebrou fisicamente. Para mim, bastaria a troca de Otávio por Corona. Manteríamos a possibilidade de refrescar o meio-campo mais tarde, evitando a quebra final que nos impediu de forçar o empate, pelo menos.  Se o plantel é curto, torna-se fundamental ser mais cauteloso na sua gestão.

A última questão que quero abordar é a do dilema entre talento e intensidade. É óbvio que Corona e Oliver fizeram alguma coisa que irritou o treinador. Algo que desequilibrou a equipa na primeira parte e que fez com que o Sérgio sentisse a necessidade de optar pela segurança trazida por André André. Mas não vos deu a sensação que ficámos muito dependentes de Brahimi? Não faltou ali talento para fazer melhor? Isto para falar da diferença de talento e de qualidade entre André e Oliver e entre Corona e Marega. Esta é uma competição que não é muito complacente com diferenças de talento. É para ser jogada entre os melhores e há que fazer com que os nossos jogadores mais talentosos se sintam confortáveis para render nestes jogos, por muito que não consigam atingir a intensidade de um Marega.


Individualmente, dou o MVP a Brahimi. Foi o jogador mais perigoso e o que mais se aproximou do seu nível. Pela negativa, não faltam candidatos. Posso destacar o Danilo porque me pareceu o que jogou mais abaixo do seu nível, nomeadamente no lance do primeiro golo em que perdeu a oportunidade de matar o lance no meio campo ficando a 'filmar' o resto da jogada. Mas há outros jogadores que tiveram erros graves. Marcano deixa-se antecipar no primeiro golo, Casillas podia ter feito mais no segundo, etc. Uma última menção para Hernâni. Parece que este nível é demasiado para ele. Isto torna-se perigoso visto que ele era a única opção ofensiva no banco...

Em suma, foi um jogo que não correu nada bem. Fomos penalizados por um segundo golo, com Casillas mal batido, numa altura em que estávamos por cima. Este momento marcou a equipa, mas ainda assim, com o penalti não marcado e com maior eficácia na última decisão, estaríamos a fazer uma crónica diferente. Não vale a pena deprimir. Com mais eficácia poderia ter sido um jogo diferente, mas o resultado não choca ninguém. Temos de ir para o jogo com o Rio Ave de cabeça limpa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Cuidado com as entradas!


Não! Não estou a falar dos 'sarrafeiros' que têm escapado ao 'rigor' do VAR. Nem tão pouco me refiro ao facto de, mais uma vez, perante a selvajaria do adversário, voltámos a ser nós a ver o primeiro amarelo. Estou-me a referir à nossa entrada em jogo. Sérgio Conceição habituou-nos na pré-época e nas primeiras quatro jornadas, a um FCPorto que entra com autoridade nos jogos e que tentar resolver os jogos cedo. Não foi o que vimos no Sábado, algo que se torna estranho, visto que jogámos depois dos nossos adversários directos e dado que há um jogo de Champions na quarta-feira. Ou seja, não faltavam razões para resolver a questão, o mais cedo possível.

É certo que entrámos muito melhor na segunda parte e que, nessa altura, marcámos cedo. Mas a equipa não estava tão bem como nos últimos jogos e bastou uma exibição menos conseguida de alguns jogadores para que tivéssemos alguma 'tremideira'. O 'soar do alarme' veio com as duas oportunidades do Chaves e logo se partiu para a tentativa e concretização de um resultado mais seguro. 

Mantivemos, mais uma vez a baliza inviolável, mas é uma estatística algo enganadora. Não sinto a equipa mais capaz defensivamente do que no ano passado. Antes pelo contrário. Mas reconheço que dificilmente o poderia ser, dada a forma como ataca. Muito menos se jogar o Layun que continua a ser o nosso pior lateral... Avançando o aparte, quero reforçar que é uma surpresa para mim esta sequência de baliza inviolável. Para mim, iríamos ter muito mais resultados 4-2 do que 1-0, mas não tem sido bem assim. O que é importante é não sobrevalorizar este facto e descansar com vantagens mínimas. Pelo que se viu no Sábado, isso pode ser e foi muito perigoso. Atento a isso, Sérgio Conceição lança André André nos dois jogos e Herrera em Braga. Um reconhecimento claro de que a equipa ainda não é ainda capaz de controlar o resultado com o esquema inicial. Ora isso torna ainda mais preocupante a nossa primeira parte de sábado. Tivemos a 'carne toda no assador' sem que tivemos qualquer proveito desse facto. Já sei que as preocupações são um pouco prematuras, mas não gostei muito do jogo de sábado e, dadas as exibições da concorrência, era um bom jogo para fazer uma demonstração de força.

Individualmente, dou o MVP a Marega. Há um mês isto seria impensável, mas foi jogador mais intenso e de rendimento mais constante. Gostei também de Marcano e das entradas de André André e de Soares. Pela negativa, Corona nem se viu e Danilo esteve bastante abaixo do habitual. Felipe também esteve problemático. Mas o destaque negativo vai para Layun. Não sei como foi possível enganar tanta gente durante tanto tempo. Hoje em dia, é um risco ter Layun em campo, mesmo nos jogos em casa.

Venha a Champions! Que saudades!