segunda-feira, 21 de maio de 2018

Época 2017/2018 - Jogadores


Tal como prometido, este ano voltamos a analisar a época através de rankings. Comecemos pelos melhores jogadores da época. Não foi fácil visto que nos parece que esta foi uma época em que se destacou mais a equipa e, por esse motivo, Sérgio Conceição. Ainda assim fica aqui a nossa tentativa.

5- Ricardo Pereira

Quando Danilo saíu para o Real Madrid e quando se anunciou que Maxi seria o seu sucessor, escrevi aqui que temia pela evolução de Ricardo Pereira. Foi naturalmente emprestado e a trapalhada com o Nice fez com que lá ficasse mais tempo do que o previsto inicialmente. Quando fizemos os tops do ano passado destaquei-o como o jogador emprestado que melhor rendimento demonstrou e até tinha receio que não o conseguissemos segurar nesse defeso. Ficou e confirmou-se um reforço de peso. Já sabemos que este esquema de Sérgio Conceição favorece muito os laterias ofensivos. Se formos analisar o raio de ação dos nossos laterais, dificilmente a 'nuvem' ficará atrás do meio-campo. Mas Ricardo é daqueles laterais que dá gosto ver jogar. Porque tanto procura a linha como consegue atacar a cabeça da área, em condução ou em tabelas, sempre a alta velocidade. Demonstrou também uma qualidade que já lhe conhecíamos que foi a polivalência. Mas o que mais surpreendeu foi a intensidade e sua evolução defensiva. Temos ali um grande lateral, bem recompensado pela convocatória de Fernando Santos.

Adenda: Entretanto Ricardo foi vendido. Mais uma vez, tememos que aconteça a Dalot o que aconteceu a Ricardo Pereira há 3 anos. Esperemos que se resolva rapidamente a sua situação. Diria até que esta era uma renovação mais prioritária que a do Iker. Aguardemos...

4- Alex Telles

Este vai ser difícil de segurar. Não vemos na Europa muitos laterais capazes de fazer uma média de 15 assistências em duas épocas consecutivas. Voltou a ser o nosso marcador de todas as bolas paradas. Agora, até penaltis marca e espero que seja ele a acabar com a nossa malapata neste capítulo. É, portanto, o expoente máximo de uma das maiores armas do nosso jogo, que são as bolas paradas, e que nos valeu as vitórias contra o Leipzig no Dragão, na Feira, na Madeira, etc.. Ao contrário de Ricardo, é um lateral menos driblador e mais focado na sua excelente habilidade nos cruzamentos. Voltou a ser um dos esteios da defesa apesar de, este ano, ter pisado terrenos mais ofensivos. Continua a combinar muito bem com Brahimi.

3- Brahimi

Este é o único jogador que repete o nosso top 5 em relação à época passada. Para começar, deixamos um dado estatístico paradigmático: Brahimi foi o jogador do plantel que jogou mais minutos. Já sabemos que isto aconteceu devido à troca na baliza e devido às lesões na defesa mas, ainda assim, é um dado surpreendente. Já repetimos várias vezes aqui que achamos que este é o jogador chave neste sistema de Sérgio Conceição. Sem Brahimi e com um meio campo deficitário em criatividade, com Herrera e Sérgio/Danilo, o futebol da equipa iria tornar-se demasiado previsível. Só cruzamentos e bolas lançadas na profundidade. É difícil imaginar que isto possa acontecer visto que Brahimi foi dos pouco jogadores nucleares que jogou sempre. Por isso é que se fala mais na dependência de Marega, por exemplo. Mas Brahimi é o jogador do plantel que melhor interpretou o esquema de Sérgio Conceição, ocupando com mestria as tão famosas entrelinhas. Em resultado deste posicionamento, marcou mais golos, assistiu mais vezes e foi muito mais influente do que o que seria se se mantivesse sempre encostado à linha.

2- Marega

Foi a surpresa do ano. Como é possível que um jogador com tantas dificuldades em lidar com a bola consiga ser um dos maiores destaques de um FCPorto Campeão? Não é fácil de explicar. Vamos tentar. Desde logo foi o nosso melhor marcador no campeonato. Não foi o nosso melhor marcador em todas as provas, mas foi na que mais interessa. É também um jogador que nos permite apresentar um modelo alternativo, sem fazer qualquer alteração. Facilmente abandona o lugar da avançado para actuar a extremo e esta variação chega a ocorrer várias vezes no mesmo jogo. Assim, marca muitos golos apesar de nem sempre ser o nosso jogador mais avançado. Por último, é um jogador absolutamente desconcertante no ataque à profundidade. Quando explode em direcção à baliza contrária, é difícil de acompanhar e difícil de derrubar, mesmo que seja em falta. Ou seja, consegue massacrar simultaneamente os centrais e os laterais. Foi muito importante porque, ao contrário de Aboubakar e Soares, rendeu durante toda a época. Ainda por cima, graças à desconfiança que havia à sua volta, criou-se uma incrível popularidade junto dos adeptos. Ou seja, começámos a torcer por ele em tom de gozo até que, quando reparámos, já estávamos a torcer a sério. É um fenómeno estranho mas engraçado...

1- Herrera

Eis que chegámos ao jogador do ano. Poderão pensar que foi difícil chegarmos a esta conclusão. Porque sempre nos assumimos como críticos de Herrera e porque até chegámos fazer posts em que o criticávamos com mais afinco, só para obter a reacção da turba de indignados que continua a ser maioritária nestas lides cibernáuticas. Na verdade foi bastante simples. Isto porque o que mais criticámos em Herrera, simplesmente deixou de se verificar. Estamos a falar da inconsistência exibicional que era habitual nele. Já sabemos que é um jogador que tende a errar, sobretudo ao nível do passe. Mas o que contava mesmo era a reacção ao erro. Herrera tinha até aqui demonstrado uma total incapacidade de reacção ao erro e isso lançava-o numa montanha russa de exibições mais e menos conseguidas, não garantindo a consistência que um jogador tem que ter nesta posição nuclear do campo. Este ano, tudo foi diferente. Há quem diga que foi a lesão de Danilo que lhe permitiu soltar-se num esquema de duplo pivot. Mas eu acho que já antes se tinha demonstrado que este era um Herrera diferente. Mérito para ele e para Sérgio Conceição que aplicou um estilo de jogo que o favorece claramente. Exige dele, o que ele mais tem para dar, que é poder físico, stamina e coração. Herrera foi sempre o líder das nossas tão frutuosas iniciativas de pressão sobre a saída de bola do adversário, que valeram vários golos. Num meio-campo a dois, tem uma amplitude de acção que o favorece porque exige muito de um jogador. Para terminar, o que faz dele o melhor de todos. Não foi fácil escolher, visto que esta foi uma época em que a equipa se sobrepôs quase sempre às individualidades. Mas há um momento decisivo no campeonato e que é o golo na Luz. Se não tivéssemos tremido em Paços de Ferreira e em Belém, este top 5 estaria organizado de outra forma. Assim, foi esse o momento que nos devolveu à liderança e que destroçou por completo os adversários. E depois ainda há a qualidade do golo e o altruísmo do festejo. Grande momento a coroar uma grande época do nosso capitão! Por falar nisso, depois de muitas dúvidas sobre a sua capacidade para liderar esta equipa, este ano Herrera demonstrou que merece esta braçadeira!


Menções honrosas para a nossa dupla de centrais. Eles acabam por ser menos favorecidos em termos individuais pelo facto de os valorizarmos muito mais em dupla. Ainda assim, descontando alguns erros graves, como o de Marcano em Alvalade para a Taça e o de Felipe em Belém, fizeram mais uma grande época e são talvez os jogadores que, juntamente com Telles e Brahimi, tiveram uma prestação mais de acordo com o que já vinham fazendo na época anterior.

Uma última menção honrosa para Danilo. Não fosse a sua lesão em Braga e tenho a certeza que estaria no nosso top 5. Estava a fazer uma época monstruosa até ali. A selecção vai sentir a sua falta no mundial.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Festa!


Mas que magnífico culminar de época que tivemos! De volta aos títulos e de volta aos Aliados. A última vez, que me lembre, foi quando ganhámos a Liga Europa com Villas Boas. Dentro da Câmara Municipal, já foi há 19 anos. Tivemos lá um teimoso... Até seria poético que a história apenas lembrasse Rui Rio por ter fechado as portas à instituição da cidade mais conhecida internacionalmente. Veremos se aqui o Karma vai funcionar... Mas tivemos uma enchente que será memorável! Eu não me lembro de ver tanta gente num festejo do FCPorto.

Mas, mais do que uma festa também houve um jogo que trouxe dados importantes. Confirmou-se que este FCPorto de Sérgio Conceição é um dos melhores campeões de sempre da nossa história. Pelas minhas contas, média de pontos semelhante, só com Villas Boas, Vitor Pereira, José Mourinho, António Oliveira e Bobby Robson. É de referir que destes, só Villas Boas  e Sérgio Conceição o conseguiram no ano de estreia. Mas há mais. Melhor média de golos, só com Villas Boas, Bobby Robson e Fernando Santos. Até nos golos sofridos este FCPorto rivaliza com as melhores equipas da nossa história. Já não havia poucas razões para elogiar esta equipa, sobram mais estas. Grande época, grande equipa, grande treinador!

O jogo de Guimarães foi para descomprimir. Notava-se que havia ali alguma preocupação em ganhar e nada mais que isso. Individualmente, dou o MVP a Marcano porque conseguiu o mais importante do jogo, que foi o golo. Oliver e Gonçalo deixaram bons apontamentos para a próxima época. Isto apesar de Oliver ter estragado a exibição com dois passes fracos. Um deles quase dava golo sofrido. Também gostei da exibição de Herrera em campo e da de Vaná na Flash Interview...

Está feito! Nas próximas semanas vêm aí os nossos posts de rescaldo. Prometemos as opções polémicas a que já vos habituamos...

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Finalmente Campeões!


Finalmente por duas razões que todos já sabemos. Por um lado, já não ganhávamos nada há muito, demasiado tempo. Ciclos destes têm sido muito raros desde que nasci e desde que Pinto da Costa está no clube. Mas desta vez entrámos numa espiral de insucessos que estava a ser demolidora na tesouraria e até nas Taças. Este ponto de viragem poderá ser importante para quebrar com o ciclo que nos vinha afectando os nervos, a expansão do museu e os cofres. Também por esse motivo, este pode ser um dos títulos mais importantes da era Pinto da Costa, tal como Sérgio Conceição fez questão de destacar.

Por outro lado, todos temos a noção de que podíamos ter resolvido isto mais cedo. Há três motivos principais para esta quebra, que chegou a pôr a nossa superioridade em questão. Em primeiro lugar tivemos um surto invulgar de lesões em jogadores importantes. O jogo de Paços de Ferreira é o maior exemplo das dificuldades que tivemos. Jogámos sem Danilo, Herrera, Alex, Marega e Soares. Só 5 (!?) titulares... E não foi assim tão invulgar vermos Sérgio Conceição a jogar sem 3 ou 4 dos habituais titulares. Há quem diga que isto é um resultado da nossa forma intensa de jogar, mas não me lembro de uma época com tanto azar. Em segundo lugar, e num 'segway' perfeito entre factores, a equipa chegou muito cansada a esta fase do campeonato. Nota-se que este impulso final foi mais com 'coração do que com cabeça'. Há jogadores que, devido às lesões dos colegas, fizeram a época toda. Lembro-me sobretudo do Alex, da dupla de centrais, de Brahimi e de Ricardo Pereira. Notou-se sobretudo nestes últimos dois. Por último, o polvo. Ontem vimos o Sérgio Oliveira, o Marega e o Gonçalo a maltratar um peluche. Será talvez uma metáfora perfeita do que se tem passado. Temos feito fortes investidas, mas o animal não parecia muito afectado. Pelo menos não mudou nada. Temos feito um bom trabalho na denúncia, mas podem ter a certeza que este título lhes vai doer muito mais! Mais um motivo para a importância capital deste título.

Quanto ao jogo, nem vale a pena falar muito. Valeu mais a festa! Dava a ideia que o jogo era apenas um pretexto. Jogámos o suficiente para dar a vitória aos adeptos e não se exigia mais. Individualmente dou o MVP a Brahimi pelo momento bergkampiano do seu golo. Sublime! Gostei também do Sérgio Oliveira que está com muita vontade de marcar e apareceu muito na área.

Está feito! Vamos lá ao record dos 88 pontos e a seguir aos Aliados!

segunda-feira, 30 de abril de 2018

1.


Está quase! Falta apenas um ponto para o título mas faltam 6 pontos para que este FCPorto de Sérgio Conceição se destaque mais dos adversários e obtenha uma pontuação final e um score de golos marcados bastante acima das médias nos Campeões dos últimos 30 anos. Será apenas um pormenor mas este FCPorto merece ficar na história do Clube por todos os motivos e mais algum que se arranje. Mas sobre as razões e todos os méritos, teremos tempo para discutir por aqui, provavelmente a partir da próxima semana.

Depois do que aconteceu ontem na Luz, esperava-se uma entrada avassaladora. E até parecia que a íamos ter, visto que tivemos uma oportunidade de golo logo aos 2 minutos. Mas já todos notámos que a equipa está no limite. Tem-no demonstrado sobretudo nos jogos fora de casa em que, desde Paços de Ferreira, tem tido consecutivamente muitas dificuldades em marcar e não tem tido grandes exibições. A excepção terá sido a segunda parte na Luz em que jogámos muito bem e fizemos por merecer a vitória.  Mas é óbvio que a equipa quebrou nesta ponta final. O que tem segurado a equipa é esta União entre jogadores e equipa técnica e também com os adeptos. Essa União é talvez a nossa característica mais marcante ao longo do campeonato.

Acabámos por entrar bem nas duas partes mas fomos caindo. Como dispusemos de superioridade numérica durante toda a segunda parte, conseguimos manter sempre o domínio. Foi pena que se tenha insistido tanto no chuveirinho. Estávamos a ser bem mais perigosos quando tentámos abordar a área pelo meio e pelo chão. Por isso até nem apreciei muito a saída de Brahimi e por isso também tinha gostado muito da troca de Sérgio Oliveira, que nem estava a jogar mal, por Oliver. Mas Sérgio Conceição acabou por ver a sua estratégia recompensada e acabámos por marcar num lance que ironicamente reunia os pontos mais fortes do Marítimo: o futebol aéreo e as bolas paradas. A vitória é mais do que merecida em três pontos muito importantes e tranquilizantes.

Individualmente, dou o MVP a Marega. Tal como aconteceu na Luz, a de Marega nem foi a minha exibição preferida, mas futebol são golos e o maliano decidiu. Não fosse o golo e daria o MVP a Brahimi. O nosso mágico, apesar de ser dos que mais acusa o cansaço, tem sido incansável neste seu propósito de atribuir à equipa alguma ligação entre sectores, para que não viva só da vertigem e das correrias. Este FCPorto de Sérgio Conceição depende muito desta variedade de perfis de jogadores. Temos a vertigem de jogadores como Marega, Ricardo e Herrera, temos o poder físico de Soares, Danilo e Felipe, temos a experiência de Casillas, Maxi e Marcano mas só temos um jogador que consegue conciliar tudo isto, que é Brahimi. Há um outro jogador no plantel capaz de ajudar neste papel. Talvez no próximo ano Oliver... Gostei das exibições dos laterais e de Herrera. Corona entrou bem e ajudou a variar mais o nosso jogo, visto que Otávio estava a insistir muito pelo meio e não estava a aproveitar bem as subidas de Ricardo. Soares estava num daqueles dias em que tudo estava a bater na canela. É mais um que precisa urgentemente de um golo.

Falta um pontinho mas, apesar da vontade de festejar, temos de fazer como o Marega na foto: racionalmente ele deve ter pensado em não festejar, por respeito ao adversário, mas não se conseguiu conter. Vimos as mãos a pedir desculpa e o resto do corpo a festejar... Mais tarde, no aeroporto do Porto ( ou Istambul ?!) os festejos foram bem mais comedidos... Todos ao Dragão no Domingo!

terça-feira, 24 de abril de 2018

Goleada das antigas


Esta é uma expressão muito utilizada no comentário e nas crónicas desportivas. Até sábado a expressão referia-se àquele tempo em que estes resultados avolumados eram a regra. Graças a Rui Vitória o sentido mudou um pouco e dá um novo significado ao nosso título de post. Se é possível haver goleadas por 2-1... E isto só porque a equipa grande criou muito mais oportunidades que o adversário que luta para não descer. Se assim é, pena que não tenhamos conseguido trazer pontos das goleadas morais que tivemos nas Aves, em Moreira de Cónegos, em Paços de Ferreira e até em Belém. Já estava resolvido... Ridículo!

O jogo foi tudo o que poderíamos ansiar. Resolvemos cedo, descansámos as bancadas e pudemos usufruir do jogo por forma a preparar o próximo jogo na Madeira que será fundamental, até porque é o próximo. Mais uma vez, notou-se que a equipa se sente muito confortável a jogar com os ataques de Marega à profundidade. Até já tenho aqui referido várias vezes que me preocupa que não se consiga replicar estes movimentos com outros jogadores. Por um lado, porque são arrancadas desconcertantes e por outro porque arrasta sempre dois defesas, estica a zona de defesa adversária e cria espaço para as investidas pelo meio, sobretudo de Brahimi. Essas arrancadas criaram imediatamente instabilidade na defesa contrária e permitiu-nos carregar nos primeiros minutos até ao 3-0, que nos descansou para o resto do jogo. Apesar do percalço, que pareceu resultar de alguma desconcentração pela ausência momentânea de Herrera, a equipa nunca tremeu e manteve-se confiante e capaz de descansar no jogo. Não é ideal mas torna-se necessário dado o adiantado da época e dados os problemas físicos que nos têm fustigado constantemente. Jogo seguro, tranquilo, como se exigia!

Queria destacar especialmente o nosso terceiro golo. Há quem insista que Brahimi tem uma tendência trágica para complicar. Ontem tinha 4 jogadores entre ele e a baliza e com classe escolheu o caminho mais fácil, fazendo lembrar o golo de Deco em Gelsenkirchen. Com classe e simplicidade. Grande golo!

Individualmente, tenho alguma dificuldade em dar o MVP. Gostei de Marega, mas mais na primeira parte. Gostei de Alex, mas foi dos que dormiu no golo sofrido. O outro que dormiu foi Brahimi, outro dos meus candidatos. Não havendo nenhuma exibição sem mácula, dou ao Alex que inventou o primeiro golo e fechou a contagem. Gostei dos dois médios e, desta vez, a entrada de Oliver não  teve o mesmo impacto das ocasiões anteriores. Soares tem de marcar no lance do primeiro golo. Não pode falhar aquilo. Foi importante termos a redenção de Marcano e não termos Felipe com amarelo. Gonçalo precisa muito de um golo. Precisa de se soltar e julgo que é isso que falta.

Nota pequena para João Pinheiro. Sem qualquer influência no resultado mas nota-se que tem todo o talento Nuno Cabral e Adão Mendes viram nele... Talvez um dia possa ser um jubilado como o Rôla. Ainda bem que não tiveram a coragem de o nomear para a Madeira...

Na próxima semana, joga-se o campeonato. Acredito que uma vitória deverá arrumar a questão. Espero também que se apresente o mesmo onze da Luz.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Controlar até cair



Se estão à espera que este seja um post de crítica a Sérgio Conceição e à equipa que ainda há três dias ganhou estoicamente na Luz, posso já adiantar que... sim! Também é. Sacrilégio? Talvez...

Começo com uma adivinha: «Esteve perfeito na agressividade, na entrega e muito inteligente na forma com controlou os ímpetos de um adversário que que tinha de fazer tudo para ganhar e que se viu completamente manietado.» Trata-se de uma descrição da exibição do FCPorto ou da do Otávio? Ambas as respostas estão correctas. De facto Otávio personifica o que foi o FCPorto hoje: perfeito a controlar, péssimo a atacar. Não me lembro de um jogo desta época em que o FCPorto tenha produzido tão pouco futebol ofensivo. Mas também não me lembro de um jogo desta época em que o FCPorto se tenha sentido tão confortável a controlar o jogo com bola como na primeira parte de hoje. Em que ficámos? Estivemos bem ou mal? Temos a resposta no resultado... 

É até irónico que isto aconteça na mesma semana da exibição na Luz. Aí também tivemos uma equipa que, a partir de certa altura, se preocupou  mais em manter o resultado do que em atacá-lo. Em ambos os casos essa estratégia foi desmontada por um momento em que tudo se transforma e em que uma estratégia que parecia ter tudo para funcionar se transforma numa má estratégia. Herrera pôs a nu a falta de ambição de Rui Vitória e Marcano fez o mesmo com Sérgio Conceição. As circunstância não são bem as mesmas, até porque Sérgio tinha prolongamento e teve mais azar com lesões, mas a ideia é a mesma: jogar com cautelas é perigoso!

Falando do jogo, confesso que me surpreendeu o facto de o Sporting ter passado os primeiros 80 minutos sem conseguir criar uma oportunidade que fosse. Julgo que nem tiveram um remate enquadrado. Talvez tenha sido esse o facto que fez com que o FCPorto tenha descansado, erradamente, em cima do resultado. A aposta em Oliver e Otávio como médios acabou por resultar muito bem e o adversário teve muita dificuldade em criar jogo ofensivo. E assim, a primeira parte foi muito bem controlada pelo FCPorto. A segunda seguiu no mesmo tom, mas eu estava à espera que a nossa equipa conseguisse capitalizar melhor o nervosismo do adversário e que conseguisse aproveitar o seu natural adiantamento já que precisava de marcar. Ora não aconteceu nem uma coisa nem outra. O Sporting não demonstrou nenhuma intenção de aumentar a pressão sobre a nossa baliza, nem o FCPorto conseguiu encaixar uma única jogada em transição rápida na segunda parte. As nossas substituições também não ajudaram. Parecia que estavam todos contentes com o empate. Jesus lá disfarçou com a entrada de Montero mas não conseguiu fazer uma jogada de perigo. Nem perto. Marcano tratou de resolver o assunto para o Sporting, que nada fez para merecer o prolongamento. Mas isto é o que acontece quando se deixa as decisões para o lado aleatório do jogo.

Mas Marcano só ajudou a pôr a nu uma má decisão de Sérgio Conceição. Teve azar em ver Oliver lesionar-se pouco depois de ter metido Sérgio Oliveira, que seria o seu substituto natural,  noutra posição. Mas ao optar por Reyes, Sérgio não acautelou a possibilidade de irmos a prolongamento. Se entrasse Marega ou Corona, arriscávamos mais durante 10 minutos, mas nem sequer seria arriscar muito visto que iria ser o meio campo que joga a maior parte dos jogos e o que jogou na Luz. Um treinador tem de pensar nestas eventualidades. Com um Aboubakar absolutamente irreconhecível e com Brahimi e Ricardo Pereira esgotados, o FCPorto ficou entregue à força física de Herrera. É pouco.

No prolongamento vimos um jogo mau. Nenhuma das equipas tinha frescura física para jogar e o jogo arrastou-se. Destaque apenas para a monstruosa condição física de Herrera e para a inexplicável decisão de Jorge Sousa de não expulsar Acuña num lance com Ricardo Pereira. Acredito que não teria efeito nenhum, mas é uma decisão que nem os sportinguistas compreendem. Nenhum admitirá mas é um lance demasiado claro. Nos penaltis, apenas registo que marcámos bem melhor do que em Braga. Patrício não cheirou nenhuma bola. Iker também não esteve muito inspirado. Temos um caso sério com as decisões por penaltis. Só nas últimas 3 épocas já aconteceu 4 (!?) vezes. Começa a ser ridículo...

Individualmente, dou o MVP a Herrera que foi o único jogador que jogou  os 120 minutos. Ricardo e Brahimi tentaram enquanto tiveram forças. Oliver entrou bem na equipa e recuperou muitas bolas. Boa exibição até à lesão, a provar que não é absurdo pensar nele para um dupla com Herrera. Otávio este bem e esteve mal. Não me consigo decidir. Soares nem fez um grande jogo, mas quando comparado com Aboubakar... Que jogo horrível do Camaronês! O FCPorto desapareceu ofensivamente com a sua entrada. Não segurou uma bola, não pressionou, não rematou. Zero!  Reyes entrou melhor que Sérgio Oliveira mas nessa altura a equipa precisava de poder ofensivo que ele não pode dar. Nota mínima para Marcano. Nos últimos dois jogos voltou aos habituais 'enterros' que fizeram com que o FCPorto depois das suas primeiras épocas no Dragão, fosse hesitando na renovação do seu contrato.

Para terminar, quero acreditar que teria a capacidade de fazer esta mesma crónica se Brahimi conseguisse marcar aquele golo aos 120 minutos. Mas é um facto que o resultado pesa muito no nosso julgamento, tal como aconteceu no Domingo.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Salão de festas


Se andaram a tremer nos jogos anteriores para tornar mais épico este golo do Herrera, diria que talvez tenha sido mais saboroso, mas que não repitam a brincadeira! Voltámos a brilhar no nosso salão de festas emprestado e com o golo de um jogador que bem merecia. Por todas as razões. Por ser o tal 'patinho feio', pelo lance desastroso do ano passado no Dragão, mas sobretudo pelo golo que lhe roubaram na primeira volta, numa das decisões arbitrais mais vergonhosas dos últimos tempos, que até têm sido pródigos em decisões 'controversas'.

O FCPorto não entrou mal no jogo, mas também não entrou a mandar, tal como seria desejável e tal como tem sido habitual em clássicos, este ano. Tal resultou num primeira parte equilibrada e até com algumas oportunidades para o adversário sendo que, em termos de oportunidades claras, houve uma para cada lado. Deu-me a ideia que a equipa acusou alguma pressão e cometeu alguns erros, nomeadamente alguns cantos desnecessários, algumas bolas perdidas em zona proibida, culminando no lance de Pizzi que resulta de um erro grave de Marcano. Em suma, deu-me a ideia que as nossas jogadas mais perigosas estavam a resultar de boas jogadas e que as oportunidades e o ascendente do adversário estavam a resultar de erros nossos. A segunda parte foi muito diferente. À excepção de um remate fraco na sequência de um canto, que poderia ter sido mais perigoso noutros pés, a segunda parte é toda do FCPorto. Uma claríssima demonstração de força! Mais uma! Emergiram sobretudo três jogadores: Herrera, Brahimi e Ricardo Pereira. Herrera passou a dominar por completo o meio campo, num trabalho incansável de procura da recuperação de bola no meio campo adversário. De tal forma que, às vezes, tinha de ser o Otávio a aparecer na posição mais recuada do meio campo. Pode não ser o capitão mais carismático, mas ontem foi um verdadeiro capitão pelo exemplo! Já muitos chamaram a atenção para o facto, mas não será demais repetir que Herrera estica a camisola para mostrar o símbolo, quando outros artistas destacam o próprio nome. Sintomático! Brahimi passou a atrair sobre si a atenção de três jogadores adversários permitindo libertar a entrada dos nossos médios e conseguindo, muitas vezes, sair do drible com qualidade. Ricardo Pereira foi uma autêntica locomotiva pela direita. O passe que isola Marega é delicioso. Deu até a ideia que a entrada de Corona lhe limitou os movimentos, deixando de aparecer com tanta frequência na frente. Por falar em Marega, a sua recuperação também foi fundamental porque permitiu que Sérgio jogasse com o seu esquema de jogo preferido. Já nos conformámos com o facto de termos um FCPorto que precisa destes ataques à profundidade de Marega, que precisa desta combinação de avançados de características diferentes e que precisa de um jogador que consegue encostar à ala direita quando é necessário. E Marega é o único jogador do plantel que lhe dá isto. Somos Maregodependentes? Não diria tanto, mas dada a qualidade de soluções que temos na frente, além do Maliano, temos de encrontrar uma solução para os jogar sem ele. Talvez no próximo ano...

Individualmente, dou o MVP a Herrera porque decidiu o jogo e talvez algo mais. Aguardemos. Não fosse o golo e daria o MVP a Ricardo Pereira. De resto, dada a segunda parte, tenho notas muito positivas para todos. Destacaria apenas Casillas pela segurança e pela defesa que nos manteve no jogo. Pela negativa, apenas o nervosismo inicial onde se destacou Marcano, algo que me surpreendeu, particularmente.

Mantemo-nos pela capital do Império. Temos mais um objectivo importante em jogo. Para cima deles, carago!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Respeitinho


A vitória de hoje foi a única notícia boa numa semana que foi deprimente para os portistas. Na segunda-feira confirmaram-se os indícios de que a equipa, finalmente e talvez na pior altura, juntou a quebra anímica à natural quebra física que já vinha acusando. Dois dias depois, veio a notícia de que Danilo, um dos melhores jogadores da equipa, não joga mais este ano, não vai ao Mundial e dificilmente poderá ser vendido. Não que eu quisesse que o fosse mas, na situação em que estamos, era um encaixe importante num dos ativos mais valiosos do plantel. Ontem, no Bonfim, deprimimos um pouco mais ao perceber que nada mudou em relação aos últimos anos. A nossa quebra recente coincide com uma serie de colinho que ontem teve mais um episódio. Isto não escandaliza, por ser habitual, mas deprime-me porque o futebol é um desporto entusiasmante pela imprevisibilidade, pelos resultados que passam de 3-0 a 3-4 em 20 minutos e pelos heróis improváveis, como o Kelvin. Em jogos como o de ontem temos o anti-futebol: não surpreende o resultado, nem a forma como é obtido, nem o herói, desta vez Luís Godinho. 

Recorde-se que este árbitro tinha acabado de fazer uma arbitragem má em Braga em que conseguiu ver na TV, algo que mais ninguém viu, para anular um golo ao Braga. Foi imediatamente 'premiado' com mais um jogo de um grande. Faz todo o sentido...

Esta influência do 'Clero' é realmente deprimente, mas não podemos desistir! E isso pareceu claro na forma como entrámos em jogo, hoje. Ficou ainda mais clara no festejo de Alex Telles. "Respeitem-nos!" Já sabemos que a probabilidade de os destinatários serem sensíveis ao apelo, é baixa... Mas, pelo menos, ficámos a saber que o plantel está atento ao 'caldinho' a que temos assistido e isso dá-me alguma esperança de uma reacção de revolta. O FCPorto que eu mais gosto sempre foi um clube de combate e de reacção às condições inclinadas da competição em Portugal. É preciso reagir a estas adversidades e espero que essa capacidade de combate se veja já na próxima semana, no jogo do ano.

Retomando o jogo de hoje, entrámos muito fortes e o resultado ao intervalo não espelhava a chuva de oportunidades claras que a equipa criou. Voltámos a falhar a goleada, mas não falhámos a reacção impetuosa e categórica ao resultado muito adverso de segunda-feira. A entrada em jogo ajudou a que não se notasse qualquer intranquilidade na equipa. Pelo menos nada de anormal. Hão de haver sempre os adeptos do 'passa a bola' descontentes com os dribles do Brahimi, mas esses já não têm cura... Até são minoritários apesar de fazerem algum barulho que, nesta altura e neste jogo, era desnecessário. A equipa foi caindo de rendimento ao longo do jogo, mais por questões físicas do que pelos problemas que o adversário nos estava a causar. Ainda assim, uma vitória clara que peca pelo resultado escasso.

Individualmente, dou o MVP a Ricardo Pereira. Nesta recente fase menos boa tem sido consistentemente dos melhores e está numa forma enorme. Julgo que Sérgio vai aproveitar isso e, no próximo jogo, vai lançá-lo na ala ofensiva a fazer de Marega, reforçando o meio campo com Otávio e tirando Aboubakar. Na outra lateral também notei que o Alex já se está a aproximar do seu melhor. E temos marcador de penaltis! Herrera voltou a estar melhor que Sérgio Oliveira, que me parece que está a cair por motivos físicos. Oliver voltou a entrar bem. Também voltei a gostar mais de Aboubakar do que Soares e voltei a não perceber porque um sai muito antes do outro. Marcano é outra classe e vamos sentir muito a sua falta, no próximo ano. Pela negativa, Hernani não traz nada de especial do banco. E, desta vez, teve muitos minutos em campo.

Na próxima semana joga-se o campeonato. Pede-se o melhor FCPorto da época! Temos de estar à altura da época que temos feito e da história do FCPorto! Não haverá melhor forma de exigir respeito do que trazer os 3 pontos da Luz!