segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Que dupla!


Só estes dois avançados, dariam o quinto melhor ataque da prova. É obra! A continuar assim, Soares vai ter de esperar... É também impressionante a forma como já jogam juntos e como se complementam. Aboubakar é melhor finalizador e consegue jogar de costas para a baliza com qualidade, enquanto que Marega procura mais as costas da defesa e as arrancadas pelas alas. Os dois últimos golos são paradigmáticos das soluções que esta dupla atacante tem para oferecer. Nem foi preciso um grande jogo de Brahimi, de Ricardo ou de Corona para que se fizessem 5 golos e mais umas 5 oportunidades claras para fazer mais. 

Destaco a dupla, mas a exibição de Aboubakar tem de merecer um destaque adicional. Em primeiro lugar, está em todos os golos, sofreu o penalti, isolou Brahimi para a nossa primeira grande oportunidade de golo e já tinha tido dois cabeceamentos muito perigosos. Nota máxima!

O jogo tornou-se fácil, mas começou com várias situações em que o Vitória aproveitou o nosso lado esquerdo. O Alex dormiu um pouco e o Marcano ficou várias vezes um para um com o extremo que, sem Paciência na equipa, era o jogador adversário mais perigoso e que deveria ter merecido mais atenção. A transição entre Felipe e Reyes foi harmoniosa e fez todo o sentido, dadas as últimas exibições descontroladas de Felipe.

Destacaria portanto que voltámos a não entrar muito bem no jogo. É a terceira vez consecutiva. É de estranhar visto que era uma das nossas melhores armas, no início da época. O jogo acabou por se resolver nos últimos 15 minutos da primeira parte e foi um descanso a partir daí. Esta exibição foi importante, porque vínhamos de dois empates e há muito tempo que não entrávamos num jogo com a pressão de estar atrás na classificação. Boa resposta!

Quanto à qualidade do nosso jogo, diria que estamos outra vez numa fase ascendente. Evitámos mais aquelas bolas para a frente, sem critério, e a movimentação dos nossos jogadores fez com que a bola entrasse muitas vezes no miolo, sobretudo com Aboubakar, Herrera e os dois alas. Já sabemos que Reyes dá mais qualidade do passe que Felipe, mas parece-me que é uma evolução da equipa e não dos jogadores. A título de exemplo, Ricardo é um jogador típico de ala, mas que jogou muitas vezes por dentro. Foi uma exibição bem agradável, a todos os níveis.

Individualmente, MVP para Aboubakar, bem ajudado por Marega. Voltei a gostar da dupla Danilo e Herrera, cuja mobilidade beneficia muito o rendimento geral da equipa. Reyes cumpriu bem apesar do amarelo parvo que viu. Maxi é muito consistente e ainda hoje estou para perceber por que motivo Layun chegou a estar à frente dele nas opções. Dos jogadores que entraram, gostei do André André.

Para quinta-feira, o sorteio poderia ter sido melhor, mas jogamos no Dragão e temos uma óptima oportunidade de nos aproximarmos mais um pouco do pic-nic no Jamor.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Primeiro objectivo cumprido


Depois de duas semanas bastante complicadas, com prejuízos arbitrais gritantes, mas também com um nível exibicional mais baixo do que o que o FCPorto já mostrou este ano, sobretudo nas Aves e nos primeiros 20 minutos do clássico, nada melhor do que um golo 'madrugador' na verdadeira final que tivemos hoje. Este ano despachámos o campeão francês e há um ano despachámos o campeão inglês em circunstâncias semelhantes. A única diferença é que o Leicester apareceu no Dragão com a  qualificação garantida e o Mónaco apareceu já eliminado. Pouco importa. Só temos de aproveitar o facto de nos mantermos na luta até ao final e de nos termos colocado nesta posição confortável de depender do nosso resultado no Dragão. Em suma, mantemos a nossa consistente presença nesta fase da Champions League e cumprimos o nosso primeiro objectivo do ano no grupo mais difícil dos últimos anos. É importante e este grupo merece ir vendo o seu esforço recompensado!

É óbvio que este feito sai ainda mais valorizado pelo desempenho dos nossos rivais, sobretudo o Benfica, cujo percurso europeu deste ano só os pode fazer 'corar de vergonha'. Mas, por muito gozo que nós estejamos a dar aos nossos amigos benfiquistas, há outras conclusões a tirar: dada a disparidade de rendimento europeu como é possível a classificação do campeonato nacional não reflectir tamanha diferença de rendimento? Somos obrigados a concluir que a classificação está 'abençoada'...

Mas as boas notícias não se resumem à passagem à fase seguinte. Voltámos a ver bom futebol neste FCPorto. As oportunidades de golo não desapareceram nos últimos jogos, mas a qualidade de jogo vinha decaindo. Estávamos a ter muita dificuldade em encontrar Brahimi em boas condições para criar e a recorrer demasiado aos lançamento longos a partir dos defesas. Convém, no entanto, referir que a entrada em jogo voltou a ser bastante atabalhoada, apesar do golo aos 9 minutos. Mas a equipa foi crescendo e o terceiro golo já é uma excelente jogada, em que aproveitámos todas as potencialidades do esquema montado por Sérgio Conceição. Na segunda parte, o jogo seguiu no mesmo tom apesar dos golos sofridos.

Individualmente houve grandes exibições individuais. O MVP óbvio é Aboubakar com dois golos e uma jogada e assistência primorosas no terceiro golo. Gostei muito da exibição de Alex Telles que já merecia o golo, num remate que já andava a ensaiar há muito tempo. Gostei também de Herrera que esteve muito melhor na construção. E isto é fundamental. Neste esquema é preciso que Herrera seja mais do que um jogador com disponibilidade física e que corre com bola e atrás dela. É preciso que ele assuma a construção e permita uma saída alternativa quando Brahimi aprece muito marcado. No fundo pretende-se que Herrera seja mais Oliver... Danilo também esteve bem apesar de alguns pequenos erros iniciais. Foi importante Soares voltar aos golos e é pena que Marega não o tenha conseguido. A lesão do Otávio assusta um pouco e faz lembra a recaída que Soares também já teve este ano. Pela negativa, Felipe. Já sei que a expulsão é exagerada, mas ele andava a 'pôr-se a jeito' há alguns jogos. Vá lá que não teve consequências a não ser o facto de os olheiros da selecção brasileira terem assistido aquilo.

Para terminar o árbitro. O resultado pode abafar um pouco as decisões, mas a arbitragem foi muito má! Tem decisões erradas em quase todos os lances complicados, sempre em nosso prejuízo, e só não foi uma exibição pior do que a da passada sexta-feira, porque o Sueco não tem o 'auxílio' do VAR.

A viagem a Setúbal vem em boa hora. Eles andam de rastos e nós vamos aparecer muito motivados por este resultado e pelo do Bessa (hopefully).

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Crónica, passados dois dias...


Pensei em fazer a crónica uns dias depois, para retirar alguma emoção e para ver se conseguia arranjar alguma capacidade analítica que fosse além do «isto foi um roubo» ou «falhámos demasiados golos». Não resultou. Continuo tão ou mais revoltado do que o que estava na passada sexta-feira. Foi uma vergonha! Muitos elogiam esta recente política de denúncia constante dos meandros do futebol português e do chamado 'polvo' que o tem dominado. Normalmente repete-se esta ideia de que «isto não vai dar nada mas, pelo menos, eles ganham vergonha e vão acalmar um bocado»... Notam alguma diferença? Pois... Tudo na mesma... Pela via da política e dos tribunais não vamos lá. Por cada verme que denunciamos, outros trinta aparecerão. Resta fazer o que fizemos antes e montar as nossas equipas para serem muito melhores do que o adversário. Melhor não bastará. Teremos de ser muito melhores e trabalhar o dobro. É injusto mas já provámos na nossa história recente que não é impossível.

Vamos ao jogo. Continuo com sérias reservas em relação à tendência da evolução da nossa forma de jogar, desde que trocámos Oliver por Herrera. Já sei que foi dessa forma que sufocámos o adversário de sexta-feira durante toda a segunda parte e em Alvalade durante quase todo o jogo. Também sei que isto tem resultado bem, com a excepção dos últimos dois jogos. E já sabemos o que aconteceu nesses dois jogos... Ou seja, em condições normais, este estilo de jogo funcionaria. Mas eu acho que podemos fazer melhor, se mudarmos uma ou duas peças. Temos de ter mais alternativas de jogo além da bola longa e do ataque à profundidade de Marega e das incursões individuais de Brahimi. Esta forma de jogar tem feito com que passemos partes grandes do jogo, sem que o consigamos dominar. Na sexta-feira, enquanto o Benfica conseguiu ter 'pedalada', dominou o jogo. A vantagem é que a 'pedalada' deles acabou aos 20 minutos. E a partir daí sofreram. Mas puderam notar que, nesses momentos iniciais, eles conseguiram pressionar os nossos defesas até ao momento em que tiveram de chutar para longe, sem critério. Chegámos a ver momentos em que Brahimi estava 1 para 4 e de costas para a baliza adversária. Estes 4 para 1 acontecem porque o nosso jogo pelo chão é previsível. Pelo chão, ou a bola entra no lateral ou entra no Brahimi. É fácil. Temos de aranjar alternativas e espero que este regresso de Otávio possa trazer algo, visto que já percebemos que Oliver não conta. Infelizmente...

O resto do jogo foi marcado pelo desperdício. A sorte é sempre um factor, mas também conta o facto de as nossas melhores oportunidades terem ido parar aos pés de Marega. Que tem sido uma grande revelação mas que está longe de ser um brilhante finalizador. Marega é mais um jogador de quantidade do que de qualidade. Um pouco como o futebol que Sérgio Conceição tem vindo a implementar nos últimos jogos. A ideia é chegar lá tantas vezes que uma há de entrar. Essa táctica é válida mas, em jogos como o de sexta-feira, a sucessão de oportunidades trouxe muita intranquilidade e isso afecta a nossa capacidade para concretizar.

Quanto à arbitragem, nada a dizer que não tenha sido repetido por todos os portistas. Foi um escândalo! Quase tão escandaloso como a tentativa de branqueamento que se seguiu por parte dos artistas do costume. Dou especial destaque a bandalhos como Duarte Gomes e Pedro Henriques que consideram o lance do Luisão, de difícil análise. Este é dos lances de mão mais clássicos e mais fáceis de analisar. O defesa tenta jogar a bola e por 'nabice' a bola sobra para a mão. A intenção nada interessa nestes lances. Havendo o VAR para comprovar que a bola toca na mão, nenhum destes lances deveria passar. É uma vergonha que esta gente se disponha a estes papeis. Depois temos o lance do golo de Herrera. Temos de ser claros: um árbitro assistente que não consegue ver que há um jogador que põe toda a gente em jogo, não pode apitar. É incompetente demais. Teremos de estar atentos às próximas nomeações, porque este tipo não poderá apitar nos próximos jogos ou meses, se possível.

Individualmente, gostei bastante da exibição de Danilo. Para mim foi o MVP. Nota igualmente positiva para os nossos laterais que anularam por completo os adversários e que foram das nossas melhores armas ofensivas. Gostei também da entrada de Otávio que mexeu claramente com o jogo. Pelo contrário, esperava mais da entrada de Soares. A esse propósito, se a intenção era a de manter dois avançados, preferia que tivesse saído Marega visto que Aboubakar é melhor finalizador. Mais uma vez, Felipe voltou a ser o mais nervoso em campo. Marega teria nota negativa pelos falhanços mas, na verdade, foi uma peça muito importante no momento em que nós entrámos no jogo. Foram as suas arrancadas que nos puseram numa posição de domínio a partir do meio da primeira parte.

Na quarta-feira teremos mais um jogo decisivo, desta vez sem VAR e sem os árbitros portugueses. Será possível pedir a mesma intensidade e um pouco mais de serenidade na finalização? O Oliver já nem peço...

domingo, 26 de novembro de 2017

Patinagem


Finalmente vacilámos no campeonato. Era uma questão de tempo, por várias razões. Abordarei apenas três. É muito difícil manter estas series vitoriosas porque no futebol há sempre imponderáveis como os que vimos no sábado. Juntou-se uma má exibição do FCPorto a uma má arbitragem, um péssimo relvado e um erro individual grave de Corona. Sendo assim, até nos ocorre aquela sensação de que poderia ter sido pior. Mas essa sensação saiu abafada porque tivemos várias oportunidades para sair vivos. Seja nos pés de Aboubakar, seja no apito de Rui Costa. Sobretudo este último factor que nos deixa bem alerta para o que nos vão tentar fazer enquanto estivermos no primeiro lugar. O lance do penalti sobre Danilo é tão escusado e tão claro, que é óbvio que o árbitro e o VAR têm de ser penalizados e ir para a 'jarra' por uns tempos. Não imagino outro desfecho minimamente sério para um erro destes.

Mas estes imponderáveis não justificam tudo. E falar do empenho extra dos adversários até fica mal a Sérgio Conceição. Não basta dizer que 'jogámos mal' ou que ' os gajos pareciam que estava a jogar na Champions' ou que 'hoje não era o nosso dia'. Há que perceber que esta incapacidade de controlar o jogo é agudizada pelas opções técnicas. O facto de nós não termos médios com capacidade de ter bola e de gerir o jogo em posse é uma opção clara do treinador, que tem tido sucesso e que se repete há mais de 10 jogos. Se Sérgio Conceição quer 'partir o jogo' tem levar com as consequências. Por um lado, consegue ter oportunidades e muita gente na área adversária. Por outro, vai ter de esperar que Sá esteja tão inspirado como esteve nestes dois últimos jogos, porque já se viu que, às vezes, a 'manta é curta'. Costumo repetir esta ideia por aqui. Se os treinadores dos grandes apresentam estratégias que tornam o jogo mais aleatório, têm de estar preparados para jogos como o de sábado porque é inevitável e vão acontecer com frequência. Em suma, foi o nosso pior jogo do ano. Muitos falarão do jogo em Leipzig, que foi muito mau, mas há que ter em consideração a valia do adversário. Pode acontecer mas este resultado veio em má altura. Era muito importante chegar a sexta-feira com a possibilidade de 'arrumar' já com um dos adversários. 

Apesar do apagão que tivemos até ao golo do Aves, não deixa de ser de elogiar a reacção da equipa ao golo sofrido. Com menos um jogador, conseguimos encostar o adversário e, ao contrário do que disse Lito no final do jogo, apenas houve oportunidades do FCPorto após o empate. A começar por aquela de Aboubakar. Ainda assim, se era para acabar o jogo com Marega e André Pereira na frente, para quê tirar logo Aboubakar? Assim queimámos uma substituição.

Individualmente, destaco dois jogadores: Ricardo e Sá. Dou o MVP a Ricardo pelo golo. Afinal, ao contrário do que se viu na Turquia, o homem tem pé esquerdo. Sá ajudou a adiar o golo adversário que parecia inevitável, mesmo antes da expulsão de Corona. Soares regressou muito bem, e só a prudência justifica que tenha saído antes de Aboubakar. A entrada de Marega mexeu com o jogo. Danilo destaca-se sempre nestes jogos de muita luta, mas continua a demonstrar deficiências posicionais que já não se compreendem nesta altura. Pela negativa todos os outros. Destaque sobretudo para Herrera, que é o maior símbolo deste futebol sem cérebro, e para Brahimi que, desta vez, não conseguiu colmatar a falta de criatividade no meio-campo. Nota mínima para Corona que teve um erro que nos deixou demasiado expostos à inevitabilidade de perder pontos. Este posicionamento de Corona como um dos elementos mais recuados nas ressacas das bolas paradas, sempre pareceu arriscada. A verdade é que só no ontem é que isso nos trouxe problemas.

Na sexta-feira, já não dará para arrumar de vez com as papoilas. Mas, no que pudermos ajudar...

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Estofo Europeu


Lembram-se daquela sucessão de agoiros que nos foram lançando nesta época? Primeiro era porque defrontámos equipas fracas na pré-época, depois era porque ainda não tínhamos jogado com um grande e depois era porque só tínhamos equipa para 'consumo interno'. No geral, todas estas teorias resultam de outra doutrina pré-concebida que determina que o nosso plantel é curto. Sérgio Conceição tem vindo a fazer por provar que todos estavam errados menos o Presidente que, pelas declarações de ontem, já adivinhava isto tudo e muito mais... Quanto a essas declarações, custa-me comentar porque ele apresenta como contraponto a esta aposta de sucesso, uma outra aposta sua, que agora ele considera desastrosa... Bizarro no mínimo, mas adiante. Sérgio tem vindo a demonstrar que a sua gestão do plantel é capaz de sobreviver às competiçoes internas, às baixas por lesão e até à dificuldade das competições europeias. O nosso estatuto Europeu ficou definitivamente selado ontem, em que confirmamos a continuidade nas Competições Europeias, mantendo uma probabilidade elevada de continuar na Champions. Mas mais que isso, conseguimos, com maior ou menor dificuldade, conquistar pontos no campo daquela que tem sido a melhor equipa do grupo.

Vamos a essa questão da 'maior ou menor dificuldade'. O onze apresentado foi mais conservador do que o habitual. Voltámos a ter Sérgio Oliveira a fazer dupla com Danilo e tivemos Ricardo Pereira na direita, tratando-se de uma opção mais segura do que Corona ou Marega que estava indisponível. Apesar desta táctica de proteger melhor a nossa baliza, as nossas entradas em jogo foram complicadas. Sobretudo na segunda parte em que sofremos bastante, apesar de não termos permitido grandes oportunidades. Recordo que, tirando o golo sofrido, os lances perigosos surgiram invariavelmente de remates de fora da área. Isto sucedeu porque, nessas alturas, o FCPorto teve muita dificuldade em sair a jogar. Ora isto não poderá surpreender ninguém, dado o onze apresentado. Com esta configuração de meio campo, teremos sempre períodos em que vamos 'cheirar a bola' porque não a conseguimos segurar com qualidade. A única solução boa de saída é Brahimi. Isto é limitativo e demonstra que, ao contrário do que se poderia admitir aos adeptos, o empate foi sempre encarado como um cenário bem razoável. Foi uma opção conservadora de Sérgio Conceição, mas que resultou na maior parte do jogo. Polémico ao não, parece-me razoável que se planeie o jogo contando com o facto de o adversário, que joga em casa, apenas precisar de um empate.

Individualmente, dou o MVP a Brahimi apesar de ter gostado também das exibições do Sá, do Marcano e do Sérgio Oliveira. Brahimi parece ser o único jogador que 'põe sal' neste esquema de jogo e isso, para mim, é decisivo. A exibição de Sá e aquela defesa a remate de Quaresma poderão ser muito importantes para a sua afirmação. É que a sombra de Casillas vais pesar bastante. Ricardo também tem nota positiva apesar daquele falhanço horrível. Felipe esteve soberbo no nosso golo e péssimo no do adversário. 

Segue-se o jogo nas Aves. Muita atenção! Parece que as 'papoilas' estão a apostar mais nesse jogo do que no da semana seguinte...

domingo, 19 de novembro de 2017

Ufa!



O jogo de sexta-feira tinha tudo para dar asneira. As selecções, as lesões e a habitual gestão do plantel nestes jogos que antecedem jogos importantes da Champions, afectam a forma de jogar de qualquer equipa. Ainda por cima era um jogo de Taça de Portugal. Para ajudar, o Portimonense voltou a demonstrar, no Dragão, ser uma equipa que parece talhada para nos causar problemas defensivos. Para terminar, não pude ver o jogo no Dragão e a solução que arranjei para ver o jogo, ia caindo regularmente e caiu de vez após o segundo golo do Portimonense. Tudo a ajudar... Valeu a nossa já habitual, mas que não deixa de ser surpreendente, capacidade em transformar a garra em golos, que chegaram de forma épica no período de compensação.

Voltemos ao início. A equipa entrou no jogo de forma um pouco mais dócil do que nos é habitual. Ainda assim, marcámos logo um golo e criámos várias outras oportunidades para tornar o resultado mais confortável. Como não concretizámos, e como o Portimonense conseguiu fazer tudo o que queria no ataque, a equipa acabou por tremer. De tal forma, que o resultado certo ao intervalo seria um empate com mais golos. Na segunda parte controlámos melhor o adversário, mas passámos a criar menos perigo. O segundo golo do Portimonense é um golo típico sofrido em jogos no Dragão. Um remate de longe, num momento em que a equipa parecia estar melhor posicionada para contra atacar do que para defender. Pensei que estava feito, porque esse golo surgiu numa altura em que o Portimonense já não estava com capacidade para chegar lá à frente, como tinha demonstrado na primeira parte. Ia ser um daqueles jogos em que se iria perder metade do tempo em lesões do adversário e em que íamos ter 10 oportunidades de golo até ao final sem que a bola entrasse. Não se cumpriu nem uma coisa nem outra. Por um lado,  o tempo que se perdeu foi justamente compensado com 7 minutos adicionais. Por outro, apesar da expulsão, o FCPorto não conseguiu arranjar muitas oportunidades de golo, mas conseguiu arranjar forças para ir buscar a vitória nos 7 minutos na compensação. Épica vitória e um valente susto!

Individualmente, tenho dificuldade em escolher o MVP. Pode ser o Alex Telles porque está em dois dos nossos golos. Gostaria no entanto de destacar Oliver, mais concretamente o seu posicionamento mais perto de Danilo do que de Aboubakar. De tal resultou uma exibição apenas regular de Oliver e uma má exibição de André André que continua com uma enorme dificuldade em desempenhar aquela função híbrida. E na Turquia? Teremos o regresso de Herrera para a posição em que jogou Oliver ou para a posição em que jogou André André? E quem sai da equipa? Julgo que o Sérgio vai optar pelo Herrera e pelo André André, mas nesse caso, voltaremos a ter o André em subrendimento. Não teria sido melhor testar o Oliver numa posição mais adiantada? Casillas voltou com uma exibição regular, como seria de esperar. É de valorizar aquele discurso no grito final e tal poderá indiciar a manutenção da titularidade na Turquia. Destaque negativo para Felipe que está a inventar bastante e sobretudo para Ricardo Pereira que esteve a dormir durante toda a primeira parte. Hernani, quando for dispensado em Janeiro, não se poderá queixar de falta de oportunidades. Até deslocaram o Corona do seu flanco para que o menino pudesse jogar na sua posição... Um último destaque para a estreia de André Pereira. Não tremeu, mas está bem longe do potencial de Galeno, Rui Pedro ou Gonçalo Paciência.

Na terça-feira, o jogo é a horas proibitivas para mim e para muitos. vou tentar isolar-me do mundo e puxar atrás ao chegar a casa. Aviso portanto família e amigos que vou ter o telefone desligado.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Grande semana!


Quando comecei a escrever o post estávamos a 4, para depois estar a 5, para voltar a estar a 4 pontos de distância para o segundo. Jogos apitados por Xistra são assim. Ontem o empate era o resultado mais conveniente para o artista. Os seus protegidos aproximam-se do segundo lugar, sem que fiquem demasiado ameaçados na sua posição de terceiro.

Mas o aumento da nossa vantagem consumou-se. E aconteceu na mesma semana em que voltámos a estar em posição de qualificação na Champions. Seria difícil imaginar uma culminação melhor para um ciclo de jogos que se adivinhava muito difícil. É certo que não sucumbimos nos resultados, mas a parte física está a rebentar  por todos os lados. Basta ver Felipe que se agarra a quem passa perto dele para não cair de cansaço... É raro dizer isto mas, esta pausa para selecções e Taça de Portugal vem em óptima altura. Teremos tempo para recuperar as lesões que temos e que exigem sobretudo repouso. 

Perante tanto cansaço, no jogo de ontem, emergiu o nosso 'tanque'. Vamos lá abordar o 'elefante na sala'. Herrera foi o MVP da partida. Não o atribuo por meras razões estatísticas e por ter estado nos dois golos. Foi o melhor porque demonstrou um fulgor físico durante o jogo que se destacou dos demais. E já percebemos que a parte física é muito valorizada neste esquema em que Sérgio Conceição, por causa da pressão que se pretende colocar no adversário. É neste campo que Herrera se distingue dos outros médios do plantel. Tem uma capacidade física ímpar no nosso plantel e é o que aguenta melhor este ritmo estonteante que se exige aos nossos médios. Eu diria que é o único que aguenta porque, sempre que Danilo o tenta fazer, fica uma 'cratera' atrás dele e a sua recuperação 'a trote' é bem visível em campo, nomeadamente nos jogos com o Leipzig. Nos últimos dois jogos, Herrera juntou a isso um bom desempenho ofensivo, sobretudo nas bolas paradas em que ataca o segundo poste. Mas abordando as minhas recentes reservas quanto à titularidade do Herrera, muitos dirão que tenho de reconhecer o erro. Quem me lê regularmente sabe que me recuso a desligar o cérebro, só porque vamos à frente. Como pessimista militante, está na minha natureza antecipar possíveis problemas e procurar soluções. Eu até percebo a ideia da aposta em Herrera mas continuo a achar que não é a melhor solução no plantel. Acho que é uma solução que faz com que a equipa tenha menos qualidade com bola e que impede que se constitua uma alternativa criativa no meio campo. Com este onze, restringimos a criatividade ao trabalho de Brahimi e Corona, sendo que este último nem sempre joga. Basta que Brahimi tenha um jogo menos bom, como por exemplo neste último jogo com o Leipzig, e deixamos de ter soluções. Nesse jogo 'safamo-nos' pela nossa qualidade nas bolas paradas, que têm sido tão importantes nos últimos jogos. Mas ninguém me consegue convencer de que um jogador mais evoluído tecnicamente não traria mais soluções à nossa frente de ataque. Muito falamos do caso Casillas, mas o caso Oliver é absolutamente inexplicável. Sérgio tira-o da equipa porque acha que ele não lhe dá o que se exige a um médio num esquema de dois elementos no meio campo. Mas agora já sabemos que ele também não serve para um meio campo a três. Depois deste último jogo, eu pergunto se haverá alguém que não esteja à frente de Oliver nas opções de Sérgio Conceição? Com uma equipa tão debilitada nas opções ofensivas, até um jogador da equipa B foi opção. A conclusão óbvia é que Sérgio é alérgico a talento no meio campo. Quer jogadores práticos e duros. Para mim esse é um erro porque ajuda a partir a equipa e, num plantel muito 'espremido', nos priva de uns dos jogadores mais talentosos do plantel. Mas se é para ser assim, ainda bem que o Herrera está num bom momento de forma.

O jogo foi muito marcado pelo cansaço e pelas ausências. A vitória foi natural e confirmou-se de forma demasiado tardia no jogo. As oportunidades foram aparecendo a uma cadência interessante e desperdiçamos muitas jogadas perigosas com más decisões e más finalizações. Apesar disso, a equipa manteve-se tranquila até à confirmação da vitória que nos deixa mais confortáveis.

Individualmente, além da exibição de Herrera, não gostei propriamente de nenhuma exibição. Brahimi esteve melhor na primeira parte do que na segunda. Aboubakar marcou um golaço mas esteve sempre muito longe do jogo. André André continua meio perdido naquela posição que não é a dele. Se se aproxima de Aboubakar, perde mais vezes a bola. Se recua, está em cima de Herrera. Ainda não se percebeu o que Sérgio pretende dele nesta posição. Corona entrou bem e foi pena que o miúdo não conseguisse marcar. Reyes cumpriu, apenas. Pela negativa Felipe. Já sabemos que os nossos adversários, que há um ano gozavam com as nossas queixas, estão hoje transformados nuns 'calimeros'  que se queixam por tudo e por nada e que escolheram o Felipe como o novo Paulinho Santos. Isto não é um problema. A questão é que os dois lances que se discutem do Felipe são incrivelmente desnecessários e demonstram alguma desconcentração. Gosto de Felipe agressivo mas concentrado.

Venha a pausa. Se houvesse página web com o boletim clínico ia lá fazer 'refresh' regularmente, neste período.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Tenso e Intenso


Não fizemos uma grande exibição e voltámos a demonstrar muitas dificuldades perante o poderio ofensivo do Leipzig. Mas saí do Dragão com uma satisfação plena. A razão é simples, o FCPorto enfrentou uma equipa que demonstrou ser superior tecnicamente, mas que não conseguiu sobreviver à fúria do Dragão. Tal como tem acontecido sucessivamente, este FCPorto de Sérgio Conceição, supera-se perante as adversidades.

E a primeira veio logo nos primeiros minutos. Depois do que aconteceu com o Besiktas, poucos antecipavam que Sérgio apostasse numa frente de ataque reforçada e antecipava-se o regresso de Sérgio Oliveira ao onze. Corajosamente, apesar da ausência de opões ofensivas no banco, apostou-se em Corona para reforçar o ataque, num claro sinal de que se pretendia entrar forte e resolver o jogo cedo. A lesão de Marega veio complicar as contas. É que no banco faltavam as outras opções já testadas nessa posição: Soares e Otávio por lesão e Galeno que julgo que nem está inscrito. Sérgio teve de improvisar e optou por mudar o esquema de jogo com a entrada de André André, num esquema mais parecido ao que tivemos em Leipzig. Como seria de esperar, fiquei logo aziado por não se ter optado por Oliver, que tem outros argumentos ofensivos. Ainda agora me custa a perceber a opção de Sérgio Conceição, mas a verdade é que a estrelinha que nos tem acompanhado voltou a atuar em força. Perante uma substituição claramente defensiva, num jogo em que era obrigatório ganhar, do canto ganho por Marega na sua última jogada em campo, surge o nosso primeiro golo. Melhor era impossível. O problema é que a pressão dos alemães era muito forte e o nosso meio campo teve grande dificuldade no controlo do jogo. O Leipzig dominou o jogo como quis até ao golo do empate. Isto apesar de não ter tido grandes ocasiões de golo. Houve poucas no jogo. Estranhamente ou não, o Leipzig desapareceu após o golo do empate. Gostaria de dizer que o FCPorto passou a dominar o jogo, mas não consigo. Passámos a jogar melhor do que na primeira parte mas, pareceu mais um aumento de intensidade e da garra, do que domínio das operações. Parecia um domínio mais consentido pelo adversário do que conquistado, até porque Brahimi não conseguia pegar no jogo e Corona já dava sinais de cansaço. O segundo golo de bola parada veio dar à equipa a confiança de que precisava. A partir daí, todos os cortes eram festejados como se se tratasse de um golo, até ao efectivo golo de Maxi que trouxe a explosão geral de um estádio que esteve sempre com a equipa, mesmo quando passámos mal na primeira parte. Por falar em Maxi, mais uma vez a estrelinha de Sérgio Conceição a funcionar... Até agora, as entradas em jogo de Maxi significavam sempre uma subida de Ricardo no terreno. Desta vez, foi ao contrário e deu golo. Inexplicável, mas isso torna o momento do golo ainda mais saboroso.

Em suma, foi um jogo que não dominámos e que ganhámos no único pormenor em que fomos muito superiores ao adversário: na garra, na intensidade e na vontade de vencer.

Individualmente não consigo dar um MVP. Estatisticamente, Danilo foi decisivo com um golo e uma assistência.  Herrera também marcou e cresceu no segundo tempo. Mas não consigo esquecer o desnorte destes dois na primeira parte. Tiveram 180 minutos para perceber como controlar as investidas de Keita e Forsberg e nem com a ajuda de André André deixámos de sofrer com a acção desses jogadores no miolo. Se tivesse de escolher iria mais para Marcano ou Corona que não estiveram soberbos mas que tiveram exibições mais consistentes. Destaque negativo para Brahimi que, depois de vários jogos em que foi o melhor, não conseguiu soltar-se da apertada marcação que sofreu.

Voltamos no sábado e Sérgio faz bem em queixar-se do calendário. Não se percebe porque é que os interesses televisivos se hão de sobrepôr aos interesses de um clube, numa semana em que fomos os únicos a obter um vitória na Champions. Mais uma adversidade para ultrapassar!