domingo, 16 de abril de 2017

O campeonato num jogo


Pode parecer pelo título do post, mas estão enganados se julgam que este é uma crónica do adeus ou do meu anúncio do fim da esperança. Nada disso! É apenas uma constatação de que a nossa época se pode resumir neste jogo e nesta frase que o resume: Empate resulta da nossa habitual tendência para apresentar rendimentos demasiado dispares entre duas partes do jogo e da equipa de arbitragem, e o seu carácter humano... 

Esta humanidade do erro tem vindo a brindarmos com dificuldades acrescidas deste a segunda jornada do campeonato e não é expectável que tal vá mudar até ao final. Seria mais uma razão para que a equipa entrasse em campo com outra atitude competitiva. Mas repetiu-se o medo cénico que vimos na Luz. Uma grande segunda parte não chegou para inverter o que de mal se fez na primeira. Mais uma vez vamos ouvir argumentações que levantam o problema da ausência de Corona do onze, dado o seu efeito quando entrou na partida, algo que já se tinha visto no fim de semana passado. Mas o problema está na insistência neste desenho de ataque híbrido, em que não se percebe bem o que se exige a André Silva. Tem de abrir pela direita ou tem de apoiar Soares pelo meio? Ou as duas hipóteses anteriores? Nem Nuno sabe... É um problema recorrente e até poderia ser uma daquelas dinâmicas que evoluísse ao longo dos largos minutos em que tem sido implementada. Mas não! Tem piorado. Enquanto assim for, parece-me óbvio que não deverá ser tentada novamente e também me parece que Nuno vai ter de passar a usar a dupla da frente com Brahimi e Corona nas alas. Para a semana até terá de ser Otávio dado a cirúrgica escolha do quarto árbitro na expulsão de Sábado. Mais uma vergonha!

Dizem por aí que esta foi a deslocação mais difícil até ao final do campeonato. Pois eu estive lá e não me parece que este Braga esteja ao nível de Marítimo e Chaves. Talvez o Braga mais frágil que vi nos últimos dez anos. As lesões não ajudam e parece-me que o treinador que escolheram também não.

Individualmente, continuarei a destacar Brahimi. Claro MVP e o nosso único farol quando as coisas não estão a correr bem. Foi um erro tirá-lo de campo e faria muito mais sentido não mudar, ou tirar André Silva por Jota. Corona voltou a entrar muito bem e quase deu a volta ao jogo. Pela negativa tenho três destaques. Alex Telles ficou a filmar o golo do Braga quando podia ter acabado com o lance na raiz. Felipe ficou amarelado no primeiro minuto. São os dois jogadores em mais se nota o nervosismo. Quem também não esteve nos seus dias foi Oliver. Ainda por cima teve o erro que quase nos tirou do jogo. André André não esteve muito melhor e Danilo também esteve muito lento a soltar a bola.

Toda a esperança em Alvalade! É o que nos resta... Mas entretanto, temos de resolver a questão da diferença de golos já contra o Feirense.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Diferença de golos


Senti o Dragão inquieto mas acabou por ser o jogo tranquilo que todos ansiávamos. A segunda parte do jogo começou com alguma 'trapalhada' e com lembranças traumáticas do último jogo no Dragão, mas cedo se  transformou numa contagem de golos que irão contribuir para o nosso potencial de diferença de golos. Os mais atentos não esquecem que esse pode ser o factor que decide o campeonato.

Voltámos àquele híbrido estranho de ter dois avançados e em simultâneo não os ter. André Silva bem tenta ser útil neste esquema mas está difícil. Muito faz ele ao lutar por todas as bolas como se fossem as últimas e ainda conseguiu uma assistência para o primeiro golo de Danilo. Mas não me parece que este seja um esquema que aproveite bem as potencialidades de ter dois goleadores em campo. Nuno tarda em encontrar uma solução para estas dificuldades. Ainda há muito a trabalhar em termos de posicionamento. Muitos tenderão a associar a saída do miúdo e a entrada de Corona com os golos da tranquilidade mas, dos 60 aos 70 minutos, multiplicaram-se as oportunidades de golo e parecia certo que o golo ia surgir a qualquer momento. Vitória justa e calma que não apaga, no entanto, uma notória bipolaridade exibicional dentro jogos. Foi clara a diferença de rendimento entre a primeira e a segunda parte. Com o Setúbal tinha sido ao contrário... Em Braga vai ser preciso um rendimento mais constante ao longo do jogo e julgo que Nuno, perante a primeira parte de ontem, deverá voltar ao esquema da Luz.

Individualmente dou o MVP a Brahimi. Voltou a ser o mais desequilibrador e é o nosso jogador em melhor forma. Surpreendentemente gostei de Boly. Foi a primeira vez que gostei. Esteve melhor que Felipe. A propósito, há por aí um linha da cartilha que nos tenta iludir e dizer que Felipe deveria ter sido expulso. Foi mesmo à minha frente e o jogador que para quem se destina o passe cortado pelo Felipe, supostamente com a mão, está claramente em fora-de-jogo. Não acreditem em tudo que vos dizem, mesmo sendo no tribunal d'o jogo que até costuma ser 'amigo'. Gostei também da entrada de Corona que surtiu efeito quase imediato. Não tenho notas negativas.

Em Moreira de Cónegos continuaram duas tendências que vêm marcando o campeonato em 2017. Por um lado, a falta de vergonha continua e foi mais uma arbitragem 'amiga'. Por outro, a qualidade exibicional do nosso adversário mantém-se pobre. Como diria o nosso mal amado ex-treinador Lopetegui, este Benfica dá-nos «mucha ilusion»...

domingo, 2 de abril de 2017

Tudo na mesma - parte 2


Falhámos pela segunda jornada consecutiva o assalto ao primeiro lugar e deixamos de depender apenas dos nossos resultados para chegar ao título de Campeões nacionais. Esta é de facto a grande conclusão a tirar do nosso resultado na Luz. Já sei há atenuantes, que é difícil vencer nesse estádio, que o jogo não nos correu propriamente bem, etc.. Estou menos confiante do que o que estava antes do jogo, pelo simples facto de já não dependermos de nós e de faltarem apenas 7 jogos para o final. Não me venham com a história de o Sporting poder ajudar. O FCPorto não se fez de 'jeitinhos' de adversários. Fez-se de vitórias! Ainda acredito, mas agora estou mais apreensivo. 

Quem não parece estar apreensivo é o Eng. Luís Gonçalves que pareceu festejar o empate no relvado. Já percebemos que ele tem um estilo de dirigente de 'coração ao pé da boca', mas exige-se mais prudência quando se festeja um empate que apenas adia as decisões e que nos deixa dependentes dos resultados de outros.

Vamos ao jogo. A entrada em jogo foi o que mais me desiludiu no jogo de ontem. Era fundamental entrarmos com autoridade. Todos o sabíamos e todas as equipas que lá ganharam este ano fizeram assim. Não o conseguimos. Os primeiros passes não saíram, a pressão era forte e nós sabemos que este FCPorto deste ano não demonstrou nunca ser capaz de gerir o jogo com calma e em posse.  E assim entrámos na 'vertigem' que era o que o adversário queria. O golo saiu cedo e isso ajudou a agudizar o problema ainda mais. Temia-se o pior, até que Brahimi começa a pegar no jogo.  Aí sim, tivemos bola, causámos problemas e jogámos bem até chegarmos ao golo. E chegámos ao golo porque entrámos na segunda parte como deveríamos ter entrado na primeira. O problema aqui foi que não conseguimos cavalgar na onda que criámos. Tivemos logo a seguir dois bons lances, sendo que o de Soares quase dava golo. Mas bastou um lance de perigo do adversário para que a equipa se assustasse e acabámos por passar o resto do jogo a sofrer mais do que a causar sofrimento. Aí valeu San Iker, mais uma vez. Saímos vivos, mas em pior posição do que a que estávamos quando entrámos.

Individualmente, dois jogadores acusaram a pressão: Felipe e Alex Telles. Apesar de o segundo ser reincidente, o primeiro teve erros mais graves. Dou o MVP a Casillas porque acabou por ser decisivo a defender a vantagem. Mas o jogador que gostei mais foi Brahimi. Foi o primeiro a elevar o seu nível de jogo e só aí é que a equipa se soltou. Além disso, foi o que criou mais problemas e é ele que começa a jogada que resulta no golo. Marcano e Danilo estiveram  a um bom nível. André André e Oliver foram oscilando com o jogo mas dou nota positiva no global. Corona apareceu no início da segunda parte em bom nível mas foi pouco. Soares também apareceu muito pouco.

Quanto ao árbitro, há um erro grave no julgamento da marrada do Jonas. Grave e propositado. Aceito o penalti apesar de reconhecer que é ridícula a forma como o Jonas se atira para cima do Felipe. A impunidade é tanta que nunca teve de aprender a mergulhar em condições. Depois Pizzi continua a sua saga de fugir aos amarelos. Já a defesa do FCPorto não teve hipoteses e foi toda premiada pela sua excessiva e selectiva 'violência'. Fomos muito penalizados na análise às segundas bolas e já sabemos que é assim que os melhores artistas da arbitragem inclinam os campos. Há um lance de fora-de-jogo de Jota mal assinalado que o pôs na cara de Ederson. Erro grave, talvez o pior de todos.

Resta-nos ganhar 7 jogos seguidos. Já o fizemos neste campeonato.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Tudo na mesma



Há quem diga que, se tivéssemos jogado antes do Benfica, tínhamos ganho com facilidade. Não é fácil de suportar esta opinião, sobretudo para quem não é astrólogo, mas parece-me uma crítica forte ao nível de maturidade da equipa. Não me parece que tenha tido a ver com maturidade. Foi um jogo que se complicou, num timing complicado e que pôs a equipa sob uma pressão que fez com que a própria equipa complicasse o que na primeira parte parecia simples. Mas não convem que se tente complicar ainda mais, vendo nisto o fim da nossa tendência de crescimento, ou o principio do fim da nossa reacção. Seguimos confiantes!

Foi um jogo atípico que acontece a qualquer equipa. Um jogo em que a bola não quer entrar e em que o adversário faz um golo na única oportunidade que cria, com uma infelicidade de Felipe à mistura. É motivo para dramas? Não! Há que valorizar que a tendência para criar muito futebol ofensivo e oportunidades, esteve lá. Apesar de termos tido menos oportunidades na segunda parte, tivemos suficientes para matar o jogo e para recuperar a liderança. As virtudes que temos demonstrado estiveram lá e os problemas, que sempre aqui apontámos, mantiveram-se. A equipa continua a ter dificuldade em descansar com bola e isso notou-se no início da segunda parte. Continuamos a ter uma tendência para despejar bolas quando nos vemos aflitos, o que não ajuda nada. O ambiente era quente, com muitos portistas, e isso deu ânimo à equipa na primeira parte e também deu algum nervosismo na segunda, apesar do apoio incessante, porque se notou que os jogadores estavam a tentar dar algo mais ao adeptos. Aquele velho chavão do 'mais com o coração do que com a cabeça'...

Esqueçam os dramas. Já tínhamos interiorizado que tínhamos de ganhar na Luz. Esta perspectiva só mudou durante cerca de 24horas. Assim sendo, há que voltar rapidamente ao 'mindset' inicial sem valorizar demasiado a desilusão de hoje.

Individualmente, dou o MVP a Marcano que esteve bem na defesa e ainda mandou uma bola ao poste. Toda a frente de ataque esteve bem melhor na primeira parte do que na segunda apesar dos falhanços. O de André Silva é incrível e há dois de Soares que não ficam atrás. Oliver e Brahimi não renderam na segunda parte. Otávio e Jota entraram com fome, mas notaram-se mais a recuperar bolas do que a criar jogo. Danilo pareceu cansado. Felipe escorrega no lance do golo, algo que penalizou uma exibição que estava a ser boa.

Quanto ao anti-jogo, nada a dizer. Muitos e justos minutos de compensação e amarelo para o redes logo na primeira parte. Custa que o crime compense, mas é assim...

Interregno não vem em má altura. Se tivéssemos ganho,  talvez dissesse o contrário...

quarta-feira, 15 de março de 2017

11 contra 11...


Normalmente a imagem da crónica é para o MVP da partida. Como tal, não será de estranhar que se atribua o MVP aos nossos adeptos que estiveram no estádio em Turim. Foi incrível! Estamos com a equipa e a equipa está connosco!

Quanto ao jogo, começo por pegar naquela dúvida de Nuno. Se estivéssemos sempre com onze... Eu aceito que se tenha esta argumentação porque nunca saberemos e porque convem que as tropas não desanimem. E assim não temos de admitir a 100% a óbvia superioridade da Juventus e a justiça nos dois resultados que decidiram esta eliminatória. Não gosto tanto que se use o argumento de que não sofremos golos onze contra onze. É um bocado paradoxal. Se Maxi não desse mão tínhamos sofrido um golo, onze contra onze... E não convem esquecer que esse lance surge na sequência de três bolas paradas ganhas pela Juventus na nossa área, e que o sucesso nos duelos nas bolas paradas é um dos nossos melhores atributos como equipa. Importa portanto admitir que temos uma equipa do FCPorto que dá alguma ilusão e que está a exceder as expectativas de muitos, mas não podemos pedir que esteja ao nível de uma das 5 melhores equipas da Europa. A eliminatória não correu bem, faltou maturidade a alguns dos nossos jogadores, mas a equipa não nos envergonhou. Faltou um golo em Turim, que fizemos por merecer na altura em que a Juventus entrou em ritmo de gestão de esforço.

Individualmente, a nota mais alta vai para Felipe. Já sabemos que estes jogos são uma 'montra' e até pode ter sido isso que traiu Alex Telles na primeira mão, mas Felipe fez questão de se 'pôr na montra' com esta exibição na segunda mão. A equipa jogou razoavelmente e não tenho grandes destaques além de Felipe. Marcano e Casillas tiveram intervenções de grande qualidade e Jota entrou muito bem, mais uma vez. Pela negativa, Maxi pela expulsão, mas sem um nível de culpa sequer comparável ao de Alex na primeira mão. Layun ainda demonstra muitas dificuldades defensivas, mas não comprometeu. Nuno esteve bem ao manter a equipa dos últimos jogos.

A Champions ficou-se pelo objectivo mínimo. Resta-nos o nosso objectivo principal!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Passeio



Pode parecer desrespeitoso para o adversário, mas deixem-nos saborear esta recente fartura nos números apresentados pela equipa. Depois das goleadas no Dragão voltaram as goleadas nos jogos fora de casa. O jogo foi bastante descansado, sem grande necessidade de 'carregar no acelerador'. Quem diria depois da dificuldade que tivemos em marcar golos nos jogos em Novembro, mas também em Dezembro e no início de Janeiro. Pelo meio tivemos duas excepções nos jogos com Leicester e Feirense, mas nos restantes jogos andamos sempre 'em esforço' e muitas vezes a sofrer para segurar os resultados. A dinâmica recente é curiosa. Começou por vitórias muito sofridas como as caseiras contra Rio Ave, Sporting e fora com o Estoril, com um futebol muito pouco elaborado e essencialmente eficaz. A determinada altura, o futebol começou a melhorar e os resultados passaram a ser mais folgados. A única excepção foi o Bessa, mas fizemos por merecer melhor sorte. 

O que aconteceu? A teoria mais comum é a da dinâmica de vitórias: de tanto ganhar, mesmo jogando mal, atingimos graus de confiança que os permitiram elevar o nosso nível de jogo, de forma a aliar os resultados a exibições seguras e um futebol bem melhor. Mas é uma teoria muito simplista. Para mim esta evolução é assente em dois grandes pilares. Spoiler alert: Soares não é um dos pilares. Ele tem sido um dos melhores e está com um rendimento incrível, mas o segredo vem mais de trás. Brahimi e Oliver dão aquele 'upgrade' ao nosso jogo que permite que os outros brilhem mais, incluindo Soares. Depois temos os que aproveitam melhor as dinâmicas criadas e, nesse aspecto, sobretudo Soares tem aproveitado a preceito. Um pouco mais que André Silva que parece que ainda se está a habituar à presença dominante de Soares no nosso ataque. Este é aliás um novo desafio que se coloca a Nuno para os próximos jogos. Parece que ainda não se conseguiu optimizar a coexistência de Soares e André Silva, como dupla de ataque. Para já ainda parece que joga cada um por si. Soares tem brilhado e André Silva tem vindo a piorar o seu rendimento e o facto de se tentar que feche na direita e que parta dessa posição, não tem ajudado. Julgo que seria mais proveitoso que fosse um dos médios a fechar do lado direito, libertando o André Silva para o ataque às costas da defesa e para a finalização, e menos para a condução de jogo e o drible que não são os seus fortes. 

Quanto ao jogo, foi totalmente dominado pelo FCPorto e com uma autoridade que não tem sido vulgar longe do Dragão. A equipa está num bom momento e tem todas as condições para chegar à Luz e impor respeito e lutar pelo primeiro lugar. Individualmente, o MVP é Brahimi. Interessante ter assumido as bolas paradas, visto que alguém terá de substituir o Alex nessa tarefa em Turim. Nota elevada também para Oliver e Soares. Gostei também de Maxi. Pela negativa, André Silva que fez um jogo desastrado, sobretudo na segunda parte antes de sair. Independentemente do que se disse atrás sobre o seu novo posicionamento, parece acusar o protagonismo de Soares. Pelo contrário, Jota parece estar a reagir muito bem à perda de titularidade. Sempre com golos ou assistências. O André que se cuide.

Na Terça temos a Champions. Não esconderei que não estou confiante. Poderia vir com 'tretas' de esperança clubista mas, racionalmente, espero um bom jogo do FCPorto, talvez um susto para a Juventus, mas uma eliminação perante uma equipa que é de facto superior. Lá estarei para apoiar!

segunda-feira, 6 de março de 2017

Barrigada


Continuamos neste jogo de pôr pressão semanal no nosso adversário. Nada melhor do que uma vitória categórica, em casa. Foi mesmo a maior goleada de sempre no Dragão. Neste momento temos o melhor ataque, a melhor defesa e falta apenas o primeiro lugar que, à falta de melhor oportunidade, poderá e deverá ser alcançado na visita à Luz.

No final do jogo, Nuno foi cauteloso 'QB'. Diga-se o que se disser de Nuno e do seu discurso, quase sempre, propositadamente vazio de conteúdo, há ali uma estratégia de comunicação de passar o mínimo de fraquezas para fora. Quando empatamos veêm-se coisas boas e quando goleamos também se veêm coisas que ainda temos de melhorar. Sempre 'by the book' e 'com pouco sal'. Mas sinda cada vez menos vontade de criticar porque, até agora, consigo ver resultados em termos de união, de empenho e de espírito de equipa. A equipa já está a um bom nível em termos de confiança e podemos notar que o desaire na Champions não teve qualquer efeito nefasto. 

No entanto, para mim, continua a faltar o salto em termos de qualidade de jogo. E nesse aspecto, podemos ter dado um passo importante ontem. A equipa começou por jogar pouco e estar demasiado dependente da inspiração individual de Brahimi. Com o primeiro golo tudo mudou. Dirão sempre que o Nacional é muito fraco e é verdade. Mas já temos defrontado equipas fracas, sem que tenhamos tamanho ascendente no jogo, como vimos nos dois últimos jogos no Dragão, nomeadamente nas segundas partes. E é de valorizar esta fome de golo que nos deixa a salvo de qualquer percalço. Além de que, ao longo do jogo, as exibições foram todas melhorando até um nível elevado. O maior exemplo é mesmo Layun que começou por se mostrar atormentado pelas últimas exibições pobres, e que partiu para uma exibição bastante moralizadora e com um golo a coroar. Mas os nossos avançados também melhoraram muito ao longo do jogo. Soares começou por se mostrar muito trapalhão e André Silva caiu muitas vezes sobre a direita com resultados fracos. Na segunda parte, ambos jogaram bem melhor tendo alcançado dois golos cada um.

Individualmente, estava indeciso entre Brahimi e Oliver. Como fez os noventa minutos, dou o MVP a Oliver. Mas estes dois são a garantia de que há menos passes longos sem nexo e mais futebol. Um traz mais cérebro e outro traz mais inspiração. E assim é mais fácil para os avançados, que continuam facturar e para os defesas Danilo, Felipe e Marcano que podem enfim descansar um pouco. Estiveram todos bem e nem se notou as suas presenças. André André fez uma exibição boa e está cada vez melhor na equipa. Jota continua a fazer por merecer mais oportunidades. Já Otávio, nota-se que lhe está a custar entrar no ritmo, mas já esteve melhor.

A equipa brindou o Dragão com uma saborosa goleada. Na próxima próxima sexta-feira, temos de devolver a 'gentileza' e encher o Estádio em Arouca!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Prova superada


Se dúvidas havia sobre se o FCPorto está nesta luta para ficar, ontem terão ficado dissipadas. Em primeiro lugar, ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores e na primeira volta, defrontámos uma versão do Boavista bem mais próxima do que nos habituámos antes dos problemas que eles sofreram à cerca de 10 anos. Mérito para o seu novo treinador. Tivemos portanto um derby 'rasgadinho' e a exigir o máximo dos nossos jogadores. Depois tivemos uma autêntica invasão do Bessa numa prova inequívoca de que os adeptos se mantém firmes ao lado da equipa. Esperemos que em Arouca se mantenha. Em último lugar, a arbitragem. Costumo dizer que é nas alturas das vitórias que temos mais legitimidade para reclamar. É costume fazer-se o inverso... Esta é pois uma boa a oportunidade para apresentar o problema que parece que se vai voltar a agudizar nesta ponta final. Depois do que se passou na Luz na sexta-feira, brindaram-nos com mais um dos jovens 'talentos' da arbitragem e cedo se começou a notar a sua habilidade... André André foi o primeiro a ser amarelado num jogo que bateu o recorde de amarelos do campeonato. Foi uma falta merecedora, mas pouco antes houve uma outra sobre Brahimi bem mais grave em que o amarelo ficou no bolso. Já sabíamos ao que vinha e que teríamos de lutar contra esta dupla personalidade ao nível do critério disciplinar. Mas é demasiado penoso comparar a entrada assassina que tirou Corona do jogo com a que tirou Maxi por acumulação de amarelos. Usando a palavra que  transmitiram ao Pepa no guião  lampião que lhe deram, é 'surreal' perceber que os lances de Maxi e o de Talocha foram ajuizados com o mesmo castigo disciplinar. Isto já para não falar dos lances para penalti sobre Soares e Maxi (o segundo lance). Mais dois para a conta. 

Em suma, com o apoio de muitos portistas, jogámos num terreno extremamente hostil, perante uma adversário muito duro, e com uma arbitragem muito adversa. Prova superada com nota bem positiva. Estamos na luta!

Vamos ao jogo. Nuno apresentou uma surpresa no onze. Ou melhor, duas em uma. A saída de André Silva implicou um regresso a um esquema de 4-3-3 com dois extremos e com Oliver. O facto de ter estes três em campo fez-me crer que haveria menos daquela irritante mania de bombardear a defesa adversária com bolas pelo ar. Confirmou-se e materializou-se numa entrada forte, nos primeiro 15 minutos, que resultou num golo 'madrugador'.  Seguiu-se a nossa pior fase no jogo, com muitos passes falhados e muita bola longa até que Brahimi e Oliver conseguiram voltar a pegar no jogo. Aí podíamos e deveríamos ter posto um ponto final no jogo. A segunda parte foi mais de luta e conseguimos de uma forma geral afastar o jogo da nossa baliza. As excepções foram as bolas paradas sendo que algumas foram cirurgicamente plantadas pelo sr. do apito. Até ao final sofremos mais pela vantagem magra, do que pelo que permitimos ao adversário, que foi pouco. Apenas uma jogada perigosa cortada imperialmente por Marcano.

Individualmente dou o MVP a Soares. Já sei que foi mais perdulário do que tem sido habitual, mas é um monstro quando se trata de lutar fisicamente com os centrais. Oliver é facilmente a peça que faz este futebol de Nuno evoluir só pela sua entrada no onze. Não sabe jogar mal, não passa por acaso, não despeja a bola. Sempre com critério e sempre com qualidade. É um bom catalisador para este futebol apressado de Nuno. Brahimi é outro exemplo de um jogador que, por si, dá qualidade a qualquer equipa pela sua capacidade de resolver problemas sozinho. Marcano esteve bem e teve apenas um erro num lance, que resulta do também único erro de Oliver, e  que acaba com uma boa defesa de Casillas. Pela negativa, Boly não está ao nível da concorrência, algo que se compreende pela falta de ritmo, mas que não explica tudo. O restante teve nota média-alta.

Seguimos colocando pressão na frente.