quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Estofo Europeu


Lembram-se daquela sucessão de agoiros que nos foram lançando nesta época? Primeiro era porque defrontámos equipas fracas na pré-época, depois era porque ainda não tínhamos jogado com um grande e depois era porque só tínhamos equipa para 'consumo interno'. No geral, todas estas teorias resultam de outra doutrina pré-concebida que determina que o nosso plantel é curto. Sérgio Conceição tem vindo a fazer por provar que todos estavam errados menos o Presidente que, pelas declarações de ontem, já adivinhava isto tudo e muito mais... Quanto a essas declarações, custa-me comentar porque ele apresenta como contraponto a esta aposta de sucesso, uma outra aposta sua, que agora ele considera desastrosa... Bizarro no mínimo, mas adiante. Sérgio tem vindo a demonstrar que a sua gestão do plantel é capaz de sobreviver às competiçoes internas, às baixas por lesão e até à dificuldade das competições europeias. O nosso estatuto Europeu ficou definitivamente selado ontem, em que confirmamos a continuidade nas Competições Europeias, mantendo uma probabilidade elevada de continuar na Champions. Mas mais que isso, conseguimos, com maior ou menor dificuldade, conquistar pontos no campo daquela que tem sido a melhor equipa do grupo.

Vamos a essa questão da 'maior ou menor dificuldade'. O onze apresentado foi mais conservador do que o habitual. Voltámos a ter Sérgio Oliveira a fazer dupla com Danilo e tivemos Ricardo Pereira na direita, tratando-se de uma opção mais segura do que Corona ou Marega que estava indisponível. Apesar desta táctica de proteger melhor a nossa baliza, as nossas entradas em jogo foram complicadas. Sobretudo na segunda parte em que sofremos bastante, apesar de não termos permitido grandes oportunidades. Recordo que, tirando o golo sofrido, os lances perigosos surgiram invariavelmente de remates de fora da área. Isto sucedeu porque, nessas alturas, o FCPorto teve muita dificuldade em sair a jogar. Ora isto não poderá surpreender ninguém, dado o onze apresentado. Com esta configuração de meio campo, teremos sempre períodos em que vamos 'cheirar a bola' porque não a conseguimos segurar com qualidade. A única solução boa de saída é Brahimi. Isto é limitativo e demonstra que, ao contrário do que se poderia admitir aos adeptos, o empate foi sempre encarado como um cenário bem razoável. Foi uma opção conservadora de Sérgio Conceição, mas que resultou na maior parte do jogo. Polémico ao não, parece-me razoável que se planeie o jogo contando com o facto de o adversário, que joga em casa, apenas precisar de um empate.

Individualmente, dou o MVP a Brahimi apesar de ter gostado também das exibições do Sá, do Marcano e do Sérgio Oliveira. Brahimi parece ser o único jogador que 'põe sal' neste esquema de jogo e isso, para mim, é decisivo. A exibição de Sá e aquela defesa a remate de Quaresma poderão ser muito importantes para a sua afirmação. É que a sombra de Casillas vais pesar bastante. Ricardo também tem nota positiva apesar daquele falhanço horrível. Felipe esteve soberbo no nosso golo e péssimo no do adversário. 

Segue-se o jogo nas Aves. Muita atenção! Parece que as 'papoilas' estão a apostar mais nesse jogo do que no da semana seguinte...

domingo, 19 de novembro de 2017

Ufa!



O jogo de sexta-feira tinha tudo para dar asneira. As selecções, as lesões e a habitual gestão do plantel nestes jogos que antecedem jogos importantes da Champions, afectam a forma de jogar de qualquer equipa. Ainda por cima era um jogo de Taça de Portugal. Para ajudar, o Portimonense voltou a demonstrar, no Dragão, ser uma equipa que parece talhada para nos causar problemas defensivos. Para terminar, não pude ver o jogo no Dragão e a solução que arranjei para ver o jogo, ia caindo regularmente e caiu de vez após o segundo golo do Portimonense. Tudo a ajudar... Valeu a nossa já habitual, mas que não deixa de ser surpreendente, capacidade em transformar a garra em golos, que chegaram de forma épica no período de compensação.

Voltemos ao início. A equipa entrou no jogo de forma um pouco mais dócil do que nos é habitual. Ainda assim, marcámos logo um golo e criámos várias outras oportunidades para tornar o resultado mais confortável. Como não concretizámos, e como o Portimonense conseguiu fazer tudo o que queria no ataque, a equipa acabou por tremer. De tal forma, que o resultado certo ao intervalo seria um empate com mais golos. Na segunda parte controlámos melhor o adversário, mas passámos a criar menos perigo. O segundo golo do Portimonense é um golo típico sofrido em jogos no Dragão. Um remate de longe, num momento em que a equipa parecia estar melhor posicionada para contra atacar do que para defender. Pensei que estava feito, porque esse golo surgiu numa altura em que o Portimonense já não estava com capacidade para chegar lá à frente, como tinha demonstrado na primeira parte. Ia ser um daqueles jogos em que se iria perder metade do tempo em lesões do adversário e em que íamos ter 10 oportunidades de golo até ao final sem que a bola entrasse. Não se cumpriu nem uma coisa nem outra. Por um lado,  o tempo que se perdeu foi justamente compensado com 7 minutos adicionais. Por outro, apesar da expulsão, o FCPorto não conseguiu arranjar muitas oportunidades de golo, mas conseguiu arranjar forças para ir buscar a vitória nos 7 minutos na compensação. Épica vitória e um valente susto!

Individualmente, tenho dificuldade em escolher o MVP. Pode ser o Alex Telles porque está em dois dos nossos golos. Gostaria no entanto de destacar Oliver, mais concretamente o seu posicionamento mais perto de Danilo do que de Aboubakar. De tal resultou uma exibição apenas regular de Oliver e uma má exibição de André André que continua com uma enorme dificuldade em desempenhar aquela função híbrida. E na Turquia? Teremos o regresso de Herrera para a posição em que jogou Oliver ou para a posição em que jogou André André? E quem sai da equipa? Julgo que o Sérgio vai optar pelo Herrera e pelo André André, mas nesse caso, voltaremos a ter o André em subrendimento. Não teria sido melhor testar o Oliver numa posição mais adiantada? Casillas voltou com uma exibição regular, como seria de esperar. É de valorizar aquele discurso no grito final e tal poderá indiciar a manutenção da titularidade na Turquia. Destaque negativo para Felipe que está a inventar bastante e sobretudo para Ricardo Pereira que esteve a dormir durante toda a primeira parte. Hernani, quando for dispensado em Janeiro, não se poderá queixar de falta de oportunidades. Até deslocaram o Corona do seu flanco para que o menino pudesse jogar na sua posição... Um último destaque para a estreia de André Pereira. Não tremeu, mas está bem longe do potencial de Galeno, Rui Pedro ou Gonçalo Paciência.

Na terça-feira, o jogo é a horas proibitivas para mim e para muitos. vou tentar isolar-me do mundo e puxar atrás ao chegar a casa. Aviso portanto família e amigos que vou ter o telefone desligado.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Grande semana!


Quando comecei a escrever o post estávamos a 4, para depois estar a 5, para voltar a estar a 4 pontos de distância para o segundo. Jogos apitados por Xistra são assim. Ontem o empate era o resultado mais conveniente para o artista. Os seus protegidos aproximam-se do segundo lugar, sem que fiquem demasiado ameaçados na sua posição de terceiro.

Mas o aumento da nossa vantagem consumou-se. E aconteceu na mesma semana em que voltámos a estar em posição de qualificação na Champions. Seria difícil imaginar uma culminação melhor para um ciclo de jogos que se adivinhava muito difícil. É certo que não sucumbimos nos resultados, mas a parte física está a rebentar  por todos os lados. Basta ver Felipe que se agarra a quem passa perto dele para não cair de cansaço... É raro dizer isto mas, esta pausa para selecções e Taça de Portugal vem em óptima altura. Teremos tempo para recuperar as lesões que temos e que exigem sobretudo repouso. 

Perante tanto cansaço, no jogo de ontem, emergiu o nosso 'tanque'. Vamos lá abordar o 'elefante na sala'. Herrera foi o MVP da partida. Não o atribuo por meras razões estatísticas e por ter estado nos dois golos. Foi o melhor porque demonstrou um fulgor físico durante o jogo que se destacou dos demais. E já percebemos que a parte física é muito valorizada neste esquema em que Sérgio Conceição, por causa da pressão que se pretende colocar no adversário. É neste campo que Herrera se distingue dos outros médios do plantel. Tem uma capacidade física ímpar no nosso plantel e é o que aguenta melhor este ritmo estonteante que se exige aos nossos médios. Eu diria que é o único que aguenta porque, sempre que Danilo o tenta fazer, fica uma 'cratera' atrás dele e a sua recuperação 'a trote' é bem visível em campo, nomeadamente nos jogos com o Leipzig. Nos últimos dois jogos, Herrera juntou a isso um bom desempenho ofensivo, sobretudo nas bolas paradas em que ataca o segundo poste. Mas abordando as minhas recentes reservas quanto à titularidade do Herrera, muitos dirão que tenho de reconhecer o erro. Quem me lê regularmente sabe que me recuso a desligar o cérebro, só porque vamos à frente. Como pessimista militante, está na minha natureza antecipar possíveis problemas e procurar soluções. Eu até percebo a ideia da aposta em Herrera mas continuo a achar que não é a melhor solução no plantel. Acho que é uma solução que faz com que a equipa tenha menos qualidade com bola e que impede que se constitua uma alternativa criativa no meio campo. Com este onze, restringimos a criatividade ao trabalho de Brahimi e Corona, sendo que este último nem sempre joga. Basta que Brahimi tenha um jogo menos bom, como por exemplo neste último jogo com o Leipzig, e deixamos de ter soluções. Nesse jogo 'safamo-nos' pela nossa qualidade nas bolas paradas, que têm sido tão importantes nos últimos jogos. Mas ninguém me consegue convencer de que um jogador mais evoluído tecnicamente não traria mais soluções à nossa frente de ataque. Muito falamos do caso Casillas, mas o caso Oliver é absolutamente inexplicável. Sérgio tira-o da equipa porque acha que ele não lhe dá o que se exige a um médio num esquema de dois elementos no meio campo. Mas agora já sabemos que ele também não serve para um meio campo a três. Depois deste último jogo, eu pergunto se haverá alguém que não esteja à frente de Oliver nas opções de Sérgio Conceição? Com uma equipa tão debilitada nas opções ofensivas, até um jogador da equipa B foi opção. A conclusão óbvia é que Sérgio é alérgico a talento no meio campo. Quer jogadores práticos e duros. Para mim esse é um erro porque ajuda a partir a equipa e, num plantel muito 'espremido', nos priva de uns dos jogadores mais talentosos do plantel. Mas se é para ser assim, ainda bem que o Herrera está num bom momento de forma.

O jogo foi muito marcado pelo cansaço e pelas ausências. A vitória foi natural e confirmou-se de forma demasiado tardia no jogo. As oportunidades foram aparecendo a uma cadência interessante e desperdiçamos muitas jogadas perigosas com más decisões e más finalizações. Apesar disso, a equipa manteve-se tranquila até à confirmação da vitória que nos deixa mais confortáveis.

Individualmente, além da exibição de Herrera, não gostei propriamente de nenhuma exibição. Brahimi esteve melhor na primeira parte do que na segunda. Aboubakar marcou um golaço mas esteve sempre muito longe do jogo. André André continua meio perdido naquela posição que não é a dele. Se se aproxima de Aboubakar, perde mais vezes a bola. Se recua, está em cima de Herrera. Ainda não se percebeu o que Sérgio pretende dele nesta posição. Corona entrou bem e foi pena que o miúdo não conseguisse marcar. Reyes cumpriu, apenas. Pela negativa Felipe. Já sabemos que os nossos adversários, que há um ano gozavam com as nossas queixas, estão hoje transformados nuns 'calimeros'  que se queixam por tudo e por nada e que escolheram o Felipe como o novo Paulinho Santos. Isto não é um problema. A questão é que os dois lances que se discutem do Felipe são incrivelmente desnecessários e demonstram alguma desconcentração. Gosto de Felipe agressivo mas concentrado.

Venha a pausa. Se houvesse página web com o boletim clínico ia lá fazer 'refresh' regularmente, neste período.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Tenso e Intenso


Não fizemos uma grande exibição e voltámos a demonstrar muitas dificuldades perante o poderio ofensivo do Leipzig. Mas saí do Dragão com uma satisfação plena. A razão é simples, o FCPorto enfrentou uma equipa que demonstrou ser superior tecnicamente, mas que não conseguiu sobreviver à fúria do Dragão. Tal como tem acontecido sucessivamente, este FCPorto de Sérgio Conceição, supera-se perante as adversidades.

E a primeira veio logo nos primeiros minutos. Depois do que aconteceu com o Besiktas, poucos antecipavam que Sérgio apostasse numa frente de ataque reforçada e antecipava-se o regresso de Sérgio Oliveira ao onze. Corajosamente, apesar da ausência de opões ofensivas no banco, apostou-se em Corona para reforçar o ataque, num claro sinal de que se pretendia entrar forte e resolver o jogo cedo. A lesão de Marega veio complicar as contas. É que no banco faltavam as outras opções já testadas nessa posição: Soares e Otávio por lesão e Galeno que julgo que nem está inscrito. Sérgio teve de improvisar e optou por mudar o esquema de jogo com a entrada de André André, num esquema mais parecido ao que tivemos em Leipzig. Como seria de esperar, fiquei logo aziado por não se ter optado por Oliver, que tem outros argumentos ofensivos. Ainda agora me custa a perceber a opção de Sérgio Conceição, mas a verdade é que a estrelinha que nos tem acompanhado voltou a atuar em força. Perante uma substituição claramente defensiva, num jogo em que era obrigatório ganhar, do canto ganho por Marega na sua última jogada em campo, surge o nosso primeiro golo. Melhor era impossível. O problema é que a pressão dos alemães era muito forte e o nosso meio campo teve grande dificuldade no controlo do jogo. O Leipzig dominou o jogo como quis até ao golo do empate. Isto apesar de não ter tido grandes ocasiões de golo. Houve poucas no jogo. Estranhamente ou não, o Leipzig desapareceu após o golo do empate. Gostaria de dizer que o FCPorto passou a dominar o jogo, mas não consigo. Passámos a jogar melhor do que na primeira parte mas, pareceu mais um aumento de intensidade e da garra, do que domínio das operações. Parecia um domínio mais consentido pelo adversário do que conquistado, até porque Brahimi não conseguia pegar no jogo e Corona já dava sinais de cansaço. O segundo golo de bola parada veio dar à equipa a confiança de que precisava. A partir daí, todos os cortes eram festejados como se se tratasse de um golo, até ao efectivo golo de Maxi que trouxe a explosão geral de um estádio que esteve sempre com a equipa, mesmo quando passámos mal na primeira parte. Por falar em Maxi, mais uma vez a estrelinha de Sérgio Conceição a funcionar... Até agora, as entradas em jogo de Maxi significavam sempre uma subida de Ricardo no terreno. Desta vez, foi ao contrário e deu golo. Inexplicável, mas isso torna o momento do golo ainda mais saboroso.

Em suma, foi um jogo que não dominámos e que ganhámos no único pormenor em que fomos muito superiores ao adversário: na garra, na intensidade e na vontade de vencer.

Individualmente não consigo dar um MVP. Estatisticamente, Danilo foi decisivo com um golo e uma assistência.  Herrera também marcou e cresceu no segundo tempo. Mas não consigo esquecer o desnorte destes dois na primeira parte. Tiveram 180 minutos para perceber como controlar as investidas de Keita e Forsberg e nem com a ajuda de André André deixámos de sofrer com a acção desses jogadores no miolo. Se tivesse de escolher iria mais para Marcano ou Corona que não estiveram soberbos mas que tiveram exibições mais consistentes. Destaque negativo para Brahimi que, depois de vários jogos em que foi o melhor, não conseguiu soltar-se da apertada marcação que sofreu.

Voltamos no sábado e Sérgio faz bem em queixar-se do calendário. Não se percebe porque é que os interesses televisivos se hão de sobrepôr aos interesses de um clube, numa semana em que fomos os únicos a obter um vitória na Champions. Mais uma adversidade para ultrapassar!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dragão de Ouro


Valeu a pena ver a cerimónia dos Dragões de Ouro para ver aquele momento simbólico de passagem de testemunho entre Madjer e Brahimi. Por testemunho entenda-se 'varinha mágica', porque é de mágicos que estamos a tratar. É interessante constatar que a magia de Madjer era decisiva, mesmo na selvajaria que era o futebol português nos anos oitenta. Pois, hoje em dia, Brahimi também brilha perante um Boavista e uma arbitragem que também fazem lembrar esses tempos. 

Quanto aos lenhadores do Bessa, nada que não fosse de antecipar. Era escusada tamanha complacência de Hugo Miguel. Este foi talvez o fator que mais equilibrou o jogo no primeiro tempo. também não ajuda a falta de qualidade de passe e de posse que temos no meio campo, com a dupla Danilo e Herrera. Com estes dois em campo, torna-se mais importante o papel dos mágicos das alas, nomeadamente Brahimi, que é o que retém a bola com mais qualidade. Assim o jogo torna-se mais previsivelmente lateralizado, apesar da imprevisibilidade que estes dois trazem a qualquer jogada em que participam. Em suma, a primeira parte do jogo não foi boa porque não se jogou pelo miolo, quer pela complacência do árbitro com os lenhadores boavisteiros, quer pela inépcia de Herrera e Danilo em receber a bola dentro do bloco adversário. Tudo mudou com o primeiro golo. Aboubakar desceu para fazer o papel de médio e logo desmontou a defesa adversária. A partir daí, tivemos mais espaços que a equipa em geral e Herrera em particular, passaram a ocupar com maior eficácia. Apesar de um ou dois percalços na nossa área, era uma questão de tempo até ao resultado se avolumar. Concretizou-se com uma biqueirada de Marega. Destaque também para o desarranjo táctico que Jorge Simão apresentou na segunda parte do jogo. É um mister que não aprecio e é sempre bom ter razão e vê-lo a fazer implodir a sua equipa com apenas uma substituição.

Mais uma vez, tal como aconteceu em quase todos os jogos fora de casa, saí com a sensação de que teríamos empatado ou perdido um jogo com estas características e com aquela primeira parte, com o FCPorto de Nuno Espírito Santo. É impossível de provar mas, ainda assim, dou-o como adquirido. De facto, mesmo com estas bizarrias que nunca vou entender como as opções de Sá por Iker e Herrera por Oliver, este FCPorto de Sérgio Conceição parece ter uma disposição mental e uma atitude competitiva diferentes e isso nota-se nas reacções aos resultados menos positivos ou a primeiras partes menos conseguidas.

Individualmente, dou o MVP a Brahimi que continua a ser o farol da equipa, apesar de jogar a partir da ala esquerda. Mais um grande jogo do nosso mágico. Aboubakar também voltou a estar muito bem e foi decisivo na jogada que desbloqueou o jogo. Gostei também das exibições de Ricardo e Corona. Este último, a jogar assim, pode dar ao Sérgio mais confiança para a aposta em dois médios e dois alas, nomeadamente no jogo de quarta-feira. Marega continua a ser Marega. Jogo aparentemente fraco mas em que é, mais uma vez, decisivo. Habituem-se! Gostei também da entrada de André André que, esta época, tem sido o nosso décimo segundo jogador que mais traz à equipa. Devia ter entrado 10 minutos mais cedo. Pela negativa, não tenho grandes destaques. A dupla de centrais esteve uns furos abaixo do resto da equipa, sobretudo Felipe. Esta dupla é um dos esteios da equipa e são a melhor herança do  anterior treinador. Mas, com um meio-campo mais 'pezudo' como o que temos actualmente, notam-se muito mais as dificuldades de construção e o nervosismo aumenta.

A má exibição na Alemanha tornou o resultado da próxima quarta-feira num jogo absolutamente decisivo. Qualquer resultado que não seja a vitória deixa-nos fora. Tirando Sá e Herrera, espero que o onze se repita.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ainda a questão do guarda redes


Como é óbvio, esta crónica não é sobre o caso Casillas. O título foi apenas uma miserável tentativa de 'click bait'. Na verdade, com um ataque assim, até poderíamos ter jogado com o guarda-redes dos sub15 e goleávamos na mesma. Continuarei a não concordar com a opção até que me digam o verdadeiro motivo. Para já, o que Sérgio diz é que é uma opção técnica. Tal como Herrera também o é. A própria opção por Layun, nas ausências de Ricardo, é absurda para mim e para muitos. Mas, por muito que eu queira criticar algumas opções, perante a evidência dos resultados, tudo se torna um pouco deslocado. Vou deixar de falar destas opções estranhas. Tal como Sérgio Conceição, talvez eu esteja a insistir num erro. A minha natureza de treinador de bancada, faz-me concentrar nos Herreras e noutros nabos de quem todos os treinadores tanto gostam, quando devia estar a desfrutar deste excelente arranque da equipa na Liga. Também o Sérgio, não se segura e não consegue deixar de arranjar novas frentes de batalha, apesar de estar a competir num campeonato de Padres de Missas e de convenientes falhas de comunicação no VAR. Está na nossa natureza...

Ontem o jogo foi bastante bom. Em primeiro lugar, tivemos uma assistência muito boa para um jogo em Outubro, com uma equipa da metade inferior da tabela. Mas o mais importante foi o facto de a assistência ter sido premiada com uma exibição intensa da equipa. Sérgio Conceição prometeu uma reacção muito forte e cumpriu. A equipa do Paços entrou com um verdadeiro espírito 'lenhador' mas, antes mesmo do empate, já tínhamos tido 3 oportunidades de golo claras. Esse lance resultou de uma série de erros até ao erro final de Herrera e é um lance que pode acontecer e acontece normalmente nestes jogos em casa. O mais importante é a reacção a estes imponderáveis. Estávamos a meio de uma reacção a uma derrota europeia e tivemos de reagir a um empate que não merecíamos. E a reacção foi muito boa! De um empate desconfortável, fomos para o intervalo com um confortável 4-1. Esta é a verdadeira fortaleza do Dragão! De goleada em goleada. Os guarda redes que nos visitam têm de se preparar para ir buscar a bola ao 'saco' várias vezes.

Sérgio Conceição voltou ao 1-4-4-2 e voltou a 'avalanche' ofensiva. Os quatro da frente fizeram exibições boas e, apenas essa conjugação, chega para 90% dos jogos no Dragão. Para complementar, Ricardo arrancou uma exibição portentosa, sendo um claro MVP. Marcou um golo, teve duas assistências e foi muito agressivo no ataque às segundas bolas, percorrendo todo o corredor com autoridade. Este esquema de jogo pede laterais assim. Capazes de fazer o corredor todo. Quanto às restantes exibições, não há nenhuma nota que não seja muito positiva. A menos exuberante, talvez tenha sido a de Danilo.

Na terça-feira temos Taça da Liga. Espero ver outra vez Dalot e, já agora, Fede Varela, que já merece.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Caso Casillas e o experimentalismo


Já sei que foi apenas um jogo e que tanto Sérgio Conceição como a equipa têm estado bem acima do esperado. Se me dissessem que íamos perder 3-2 em Leipzig, no momento do sorteio, eu não poderia estranhar. É uma equipa boa e com muitas soluções ofensivas de qualidade mundial. Mas o jogo de hoje foi horrível! É um resultado extremamente enganador porque é escasso para os alemães. Tenho dificuldade tirar alguma coisa do jogo que não sejam perplexidades. 

Mas a maior perplexidade é Sérgio Conceição. Imaginem esta situação: vamos ver um espectáculo de magia e, a certa altura, o ilusionista apresenta um número em que faz desaparecer do palco um elefante. Brilhante! Só nos resta aplaudir de pé tal façanha. Já estávamos surpreendidos por alguém conseguir enfiar um elefante no Rivoli, quanto mais fazê-lo desaparecer! E se, no número seguinte, o ilusionista, no meio de um truque de cartas, apresentar dificuldades em baralhar, deixar cair as cartas no palco e não acertar na carta que o membro da audiência escolheu, nem à quinta tentativa? É caso para duvidar. Poderá ter tido sorte, antes? Mas era um elefante adulto! E isto é um simples truque de cartas... Bem, julgo que dá para perceber a ideia. O que pretendo dizer é que Sérgio Conceição conseguiu o mais difícil. Após a primeira derrota, estabilizou a equipa numa base de confiança, demonstrou que tinha capacidade de se adaptar às dificuldades que os jogos nos foram trazendo e passou incólume a uma semana em que jogava em Alvalade e com o campeão francês. Agora era preciso estabilidade. 'Colher os frutos' do trabalho das últimas semanas. Ontem bastava empatar. Bastava apresentar um onze sólido, confiante, experiente e capaz responder perante a antecipável pressão inicial de um adversário que precisava de pontos. Para quê inventar? Por que é que não apresentámos o nosso melhor onze? Porque é que não apresentamos o nosso guarda-redes mais experiente e que transmite mais tranquilidade à defesa? Porque é que se insistiu em apresentar o nosso lateral direito que defende pior, quando essa é a única posição do plantel em que temos 3 opções válidas (4 se contarmos com Dalot)? Podia perder na mesma, mas era completamente escusado perder de maneira a que seja possível assacar responsabilidades a um treinador, até agora unânime e justamente aplaudido. Era escusado dar à imprensa adversária um caso para encherem as suas páginas e os programas de 'paineleiros'. Para quê tanto risco? Ninguém me garante que o erro de José Sá não pudesse ser cometido por Casillas. Ele, recentemente, também teve muitas culpas no segundo golo do Besiktas. Mas sou capaz de garantir que um erro de Casillas não deixaria a defesa tão intranquila como se viu ontem. E o que se pedia era tranquilidade. A pressão estava do outro lado.

O jogo foi muito fraco. Já sabíamos que esta solução de meio campo trazia mais transpiração que inspiração mas, ao contrário do que vimos nos jogos anteriores, o preenchimento dos espaços foi péssimo. Cedo se viu que o Leipzig passava facilmente pela pressão dos nossos médios através da colocação de um dos alas em zonas interiores, mas não se fez nada quanto a isso. Vimos a mesma jogada repetida vezes sem conta  e sem que se conseguisse resolver. Bastava um médio mais posicional. Mas não foi um jogo bom de Danilo. Foi uma das exibições de que menos gostei. Outro problema foi a saída para o ataque. Aboubakar fez o possível para tentar segurar a bola, mas bastou uma exibição menos inspirada de Brahimi (muito marcado) e o nosso futebol ofensivo desapareceu. Porque, com este onze, só há Brahimi. O resto são correrias. No lado direito, ao intervalo, Marega e Layun tinham uma média de 30% de passes acertados. E mesmo assim, fizemos dois golos. Incrível! E as substituições? No intervalo com o Besiktas, depois de uma primeira parte muito melhor do que a de hoje, Sérgio muda dois jogadores. Porque não tentar o mesmo 'efeito de choque'? Sem Soares no banco, este esquema com Marega deixa o treinador sem soluções no banco. Mas é por culpa própria. Como se viu nos minutos em que jogou, Corona podia perfeitamente ter sido titular e passaríamos a ter uma solução ofensiva no banco. Assim, Marega fez a sua pior exibição da época e o Sérgio não o podia tirar, porque estava a perder e queria ter gente na frente. Só espero que Sérgio Conceição perceba todos os erros que cometeu e a sorte que teve em não ter sido goleado hoje. Se perceber isso, talvez possamos sair desta 'montanha russa' emocional que tem sido esta  edição da Champions.

Individualmente, gostei de Aboubakar, de Felipe e de Alex Telles. Marcano este no melhor, mas há dois golos em que acaba por comprometer. Num deles com algum azar. Brahimi cresceu na segunda parte e podia ter ficado até final. Não gostei nada de Danilo. Esteve pior até que Herrera e Sérgio Oliveira, que acabaram por passar ao lado do jogo. Layun foi o que se esperava defensivamente e, na frente, exagerou nos cruzamentos de fase recuadas. Deveria ter procurado a linha mais vezes, sobretudo na parte final do jogo. Mas o pior foi mesmo Marega. Ele andava a esconder todas estas 'nabices' com duas ou três jogadas por jogo, em que tem sido decisivo. Sem isso, sobram só as habituais perdas de bola e os passes falhados. Por último, gostei da entrada de Corona e esperava um pouco mais de Oliver, apesar de ter jogado melhor que qualquer um dos restantes médios.

No sábado regressamos ao campeonato. Antecipa-se mais uma experiência engraçada quando recebermos o onze titular.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Ideias breves sobre a Taça


Foi um jogo sem história por dois motivos. Por um lado não foi possível ao adversário dispor da sua maior arma, que é o pelado ou sintético minúsculo em que as equipas deste escalão jogam. Por outro lado, esta regra absurda de que os clubes têm de usar um mínimo de 8 jogadores que jogaram no últimos três jogos. No caso do FCPorto foram três jogos importantíssimos em que não houve grande margem para poupanças. Disto resultou que tivemos jogadores de distritais a enfrentar jogadores como Brahimi. Isto não beneficia ninguém. As possibilidades de 'haver taça' são cada vez mais remotas e o FCPorto perde a oportunidade de fazer descansar todos os seus melhores jogadores para o crucial embate de terça-feira. E seguimos com este experimentalismo legislativo das instâncias federativas. A tentarem imiscuir-se na gestão de plantel dos clubes sem proveito algum para ninguém. Mais vale estar quieto...

Individualmente, não tenho grandes destaques a não ser as caras novas. Comecemos por Dalot. Sempre que aparece um talento destes, os adeptos entram em histerismos e já deve haver gente a pedir que se venda Layun e Maxi no Mercado de Inverno e Ricardo Pereira no Verão. Eu, que acompanho as camadas jovens há anos, até costumo embarcar nessas ondas. Por isso, aqui vai: Dalot parece ter condições para ser opção válida para o plantel já na próxima época. É apenas uma questão de tempo até se afirmar como titular do FCPorto. Quanto mais cedo melhor, porque, talentos destes, não costumam ficar no futebol português muito tempo. Galeno é um caso diferente. É fundamental na equipa B e tem uma velocidade estonteante. Mas acho que foi um erro não se tentar colocá-lo na primeira liga. O que faz agora já fazia no ano passado e assim não evolui. Precisa desse teste para ser uma opção de relevo e útil para Sérgio Conceição. No jogo de sexta-feira entrou bem e até esteve melhor que Hernâni. Jorge Fernandes não teve trabalho e é um jogador que é presença habitual nos treinos da equipa principal. Mas na B terá que trabalhar bastante porque a dupla de Diogos tem dado garantias e podem ultrapassá-lo. Por último, Luizão. Quando vi que ia entrar fiquei logo aborrecido. Lembrei-me de Inácio no ano passado e pensei logo: «algum empresário está a fazer dinheiro com esta opção». Quem segue a equipa B, percebe a preponderância que Fede Varela tem e que é claramente o jogador de meio campo que está mais perto da equipa principal. Luizão chegou agora e passado dois meses já se estreia sem ter feito muito por isso. Estranhei muito esta opção.

Este jogo foi apenas uma formalidade. Venha a Champions em mais uma deslocação de dificuldade máxima. Uma vitória, quase que elimina este adversário.