segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Temos um problema


Faltam golos. Não é preciso ser um génio para perceber isso. Mas o problema é um pouco mais complicado do que a mera inspiração no momento de finalizar. Mas este é um sintoma recorrente e é disso que se fala. Mas agora o problema é o treinador. Perguntamos nós: só agora? O nosso problema e a 'sorte' de NES é que têm aparecido atenuantes ou elementos que nos distraem. As arbitragens, a primeira parte com o Benfica, a juventude do ataque, a garra da equipa e nomeadamente a dos centrais e de Danilo, têm servido para que muitos tenham a tendência de dar o benefício da dúvida a um sistema que só funcionou na Madeira e na primeira parte com o Benfica. E com isso continuamos iludidos a elogiar o Danilo e o Marcano e a dizer que o Oliver não é tão bom como pareceu da primeira vez, que o Otávio já não está em forma e que o André Silva e o Jota ainda não estão preparados. Repito o que disse aqui na terça-feira: «gosto da atitude mas acho que está a ser desperdiçada em ideias que são curtas para o talento individual que temos na frente». Uma equipa como o FCPorto tem de procurar a posse. Não pode desperdiçar tanto jogo em bolas longas sem sentido e num desgaste constante dos nossos avançados. Nuno Espírito Santo registou o slogan 'Somos Porto' mas o conceito dele está incompleto. Não basta correr mais. Há que correr melhor, há que procurar controlar o jogo, há que assumi-lo com autoridade. Nuno foca-se na intensidade, na necessidade de chegar rápido à frente, na necessidade de pôr pressão constante na defesa contrária. Serão ideias válidas mas totalmente desajustadas do plantel que temos à disposição. É um desperdício ter no plantel Oliver, Otávio, Corona, Brahimi, Ruben Neves e estar a pôr 50% das bolas a sobrevoá-los, só porque André Silva e Jota gostam de procurar o espaço nas costas da defesa. É um esquema de jogo limitador do talento individual, que é o mais nos distingue dos nossos adversários habituais.

Quanto ao jogo, poderão ir ver o que se disse aqui do jogo de Tondela e de Setubal. Pouco mudou. Individualmente, dou o MVP a Marcano que esteve bem na defesa e ainda criou a nossa melhor oportunidade. Felipe também esteve bem. O resto foi bastante mediano e até fraco como foi o caso da exibição de Jota. Mas o grande destaque negativo vai para o auxílio do banco. Dali não veio ajuda nenhuma e Depoitre continua a assustar bastante. Há um remate que é mesmo ridículo. É até embaraçoso discutir esse lance.

Na terça-feira não há crónica. Depois faz-se uma geral para a Taça da Liga. Tirando esse, nos próximos jogos, joga-se o futuro de Nuno Espírito Santo. Há uma mês parecia improvável.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Grupo fraco - parte 5


Temos sinais contraditórios vindos do jogo de hoje. Por um lado temos a primeira parte, por outro lado temos a segunda. Por um lado mantemos uma seca de golos e por outro mantemos a nossa baliza inviolável num campo muito pesado e difícil. Por um lado, estamos numa posição que, à segunda jornada, não era provável e dependemos de uma vitória em casa para passar, por outro não vamos discutir o primeiro lugar que há partida era um objectivo natural perante os adversários neste grupo.

Mas hoje estou numa de 'copo meio cheio' e vou falar primeiro do que gostei e de algo que valorizo muito nesta equipa. A atitude demonstrada na segunda parte tem de nos encher de orgulho. Após uma primeira parte de algum sofrimento e de pontapé para a frente sem critério, perante um adversário que precisava de ganhar para passar, a segunda parte é toda nossa. E estivemos a um nível brilhante em certas variáveis do jogo, nomeadamente a agressividade, a atitude competitiva e a recuperação rápida da bola, incluindo muitas recuperações no último terço do campo. Pena que estivemos, mais uma vez, medíocres na definição. Mas a conclusão que posso tirar deste jogo é a de que esta defesa de 'faca nos dentes' e esta juventude que temos no ataque não se rendem. Uma equipa que joga com esta atitude merece ser apoiada e protegida! Claro que se tem de falar de árbitros!

Não obstante, tenho vindo a que Nuno está a trabalhar melhor ao nível da psicologia, do que ao nível da táctica. O problema que vejo é que me parece que muitas das críticas que apontamos à equipa, nomeadamente o posicionamento em organização defensiva e o excesso de bolas sem nexo por alto e em profundidade não vão mudar, porque me parece que fazem parte da ideologia do treinador. Nuno não quer ter a bola muito tempo na defesa. Tenta-se arranjar rapidamente opções de passe curto e, se elas não aparecem, bola na frente e pressão nas segundas bolas. Nuno quer aproveitar o espaço nas costas da defesa adversária e, para isso, está disposto a encostar a sua própria linha defensiva à sua própria baliza. São as ideias dele. Habituem-se! Eu tenho de confessar de que gosto da atitute mas acho que está a ser desperdiçada em ideias que são curtas para o talento individual que temos na frente nomeadamente nos pés de Corona, Otavio e Oliver. De vez em quando, vamos apanhar jogos em que o adversário está mais habituado a lidar com chuveirinho, como aconteceu na primeira parte de ontem, e aí o futebol vai parecer ridículo. Mas outras vezes vamos ter adversários que lidam mal com esta pressão, como o Benfica, e aí podemos brilhar mais.

Individualmente, estou indeciso entre dar o MVP a um dos centrais ou a Otávio. Em caso de desempate vale o meu gosto pessoal e fica Otávio. Foi muito importante na segunda parte naquelas recuperações no último terço e jogou com uma intensidade máxima. Os centrais fizeram um grande jogo, num terreno muito complicado e perante avançados que estão habituados a jogar ali, com aquela temperatura e com aquela humidade. Grandes! Gostei também muito de Oliver e Corona na segunda parte. Este último acabou por ser o que melhores decisões de definição tomou porque Jota e André Silva... Muita entrega e intensidade para tão más decisões no final. Os laterias tiveram dificuldade mas foram crescendo no jogo. De assinalar o facto de Nuno não ter mexido na equipa. Se estavam a jogar bem, só fatores físicos justificariam uma mudança.

Para Sábado só posso desejar um 0-3 com um hat-trick de penaltis marcados por André Silva. Para animar! Temos de manter a pressão até ao derby da tv a preto e branco.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Chorões


Na sexta-feira conseguimos juntar mais um argumento aos que nos têm chamado de chorões, calimeros, etc. Eis o 'pináculo' da desonestidade intelectual: «Para que querem penaltis se depois não os conseguem converter quando é preciso?». Juntamos este novo aos anteriores, não menos idiotas: «Digam o prejuízo em pontos?» e «Mas vocês não praticam o melhor futebol e queriam ir à frente?». Este campeonato e este ano desportivo já estão notoriamente marcados pelo nosso prejuízo em termos arbitrais. E, por muito que nos beneficiem daqui para a frente, vai ser difícil compensar o que já foi feito. Na sexta-feira, tivemos apenas mais um episódio que acabou por ser o mais grave de todos porque, ao contrário dos anteriores que 'não matam mas moem', este tirou-nos um título. Tivemos em Alvalade um pesadelo ao nível disciplinar e em Chaves um pesadelo ao nível técnico, mais concretamente pela não marcação de 3 penaltis claros. Poderão rever os vídeos na nossa conta de facebook. Há ainda um suposto penalti para o Chaves, que estranhamente vejo alguns portistas a conceder, que me parece não existir. É claro que José Sá toca a bola e é muito improvável que o jogador do Chaves chegasse à bola após esse toque. É mais uma atenuante que vai sendo habilidosamente utilizada para nos desviar da vergonha a que assistimos todas as semanas. 

É importante que os Portistas não se distraiam. Poderão reparar que o Nuno vai passar a estar tremido, quevão dar destaque ao Brahimi não joga e que esse é o problema, e depois virá o Herrera ou qualquer outro que caia da equipa principal. Mas não deixem desviar o foco do mais importante. Há Portistas que embarcam na onda de que 'Temos de voltar aos anos 80 e jogar muito mais que os adversários e independentemente do tudo o que nos fazem'. Mas não chega. Futebol é técnica, é táctica mas também é feito de emoções. Imaginem o ânimo de um plantel que se vê com este prejuízo acumulado. Imaginem uma equipa que tem de reagir e atacar o resultado perante um acumular de 3 penaltis por marcar depois do historial que acumulamos este ano. Não é pedir de mais? Reformulando, é justo criticar a equipa quando não consegue dar a volta a isto? Não é uma atenuante de peso? Eu acho que sim.

Quanto ao futebol jogado, direi que foi mais que suficiente para ganhar o jogo e que o adversário teve uma oportunidade de golo em 120 minutos de jogo. Muito mais tiveram eles em 90 minutos contra o Benfica neste mesmo estádio. Já nós tivemos bola à barra, bolas tiradas por defesas em cima da linha e outras 4 ou 5 oportunidades bem claras. Mas as oportunidades de golo não poderão apagar o facto de que passamos os últimos minutos e o prolongamento a bombear bolas para a área. É um futebol redutor para o talento dos nossos jogadores e que apenas se adapta a um deles que é Depoitres. Sacrificar o futebol da equipa, só porque estamos a jogar com um 'pinheiro', é desvalorizante para o resto da equipa. Depoitres entra e tem de dar à equipa mais uma solução de jogo e nunca uma solução única de 'despejo' de jogo para a área.

Individualmente, dou o MVP a André André que foi o motor da equipa na sua melhor fase que foi na segunda parte. Gostei também de Jota e de Danilo. Pela negativa, José Sá que esteve muito inseguro e Layun que, pela terceira vez consecutiva, entrou mal para a posição de extremo.

Na terça-feira, mais uma vez e cada vez mais, temos o jogo da época.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Ice bucket chalenge


Que grande desilusão! É daquelas coisas que acontece mas que, este ano, tem acontecido muito ao nosso adversário de ontem. Desde os auto-golos mais absurdos, à dupla penalização dos adversários directos, no mesmo fim de semana, até aos golos 'caídos do céu aos trambolhões' nos últimos minutos do jogo. Mas não nos podemos focar na sorte. Se o fizermos, não conseguiremos encontrar os erros cometidos e, sobretudo, desvalorizaremos o que de bom fizemos ontem, e há muito mais a elogiar do que a criticar.

Em primeiro lugar, convem dizer que a equipa me surpreendeu muito pela positiva. Mais e melhor atitude do que o adversário e muito mais futebol. Apenas mais uma prova de que estes 5 pontos de vantagem não espelham qualquer diferença de qualidade.  E este tem de ser um barómetro a ter em consideração. Quando criticamos a nossa equipa, temos de ter em mente o nosso ideal de FCPorto mas, por vezes, uma comparação com os nossos adversários directos é um bom exercício para que se aprenda a gerir as expectativas. O Benfica não demonstrou ser melhor, nem demonstrou argumentos sólidos para sair do Dragão com pontos. Foi um equipa subjugada até ao nosso golo e sem ideias nos 40 minutos que se seguiram. Só futebol bombeado, algo que muito criticámos em Nuno Espírito Santo. Por sua vez, Nuno passou os primeiros 50 minutos de jogo a praticar o que desenhou na sua famosa conferência de imprensa. Estou a falar do segundo desenho. Aquele que nos dizia que toda aquela 'gatafunhada' iria resultar na visão do FCPorto :«independentemente do esquema, o nosso campo reduz-se a 65 metros, porque estamos mais perto da baliza contrária». Inicialmente tentámos bombear demasiado o jogo mas, a partir do momento que Oliver conseguiu passar a pautar o jogo na meia esquerda, passamos a criar situações consecutivas de perigo, que foram aparecendo consistentemente até ao golo. Mesmo quando bombeávamos o jogo, lutámos muito bem pela segunda bola criando assim um ambiente de 'sufoco' ao adversário. O problema é que, tal como aconteceu em tantos outros jogos no Dragão, a seguir ao nosso golo os 65 metros deixam de estar próximos da baliza contrária e passam a estar perto da baliza de Casillas. As próprias substituições só nos aproximaram da nossa baliza e retiram a capacidade de ter bola lá na frente. Brahimi seria uma opção óbvia para quem quisesse manter a bola bem longe da nossa baliza, mas não saiu do banco. Este é o ponto e é algo que temos de aprender a fazer: descansar com bola. Conseguir desfrutar das vantagens. Porquê? Porque quanto mais bola dermos ao adversário e quanto mais o deixarmos aproximar da nossa baliza, maior a probabilidade de um lance fortuito acontecer. Tal como aconteceu ontem e tal como quase aconteceu na quarta-feira. E daqui surge a pergunta: isto é um problema para Nuno Espírito Santo? Ou será que ele está tão obcecado em explorar as costas da defesa contrária que prefere ceder o controlo do jogo? Pois eu começo a tender para esta segunda hipótese. E não gosto desta maneira de jogar. Por muito que tenha gostado dos primeiros 50 minutos, há muito para melhorar. Há portistas que ficaram mais optimistas mas eu, que até gostei da exibição, continuo apreensivo. A razão é simples: esta bipolaridade manifestada em 65 metros deslizantes não é um caminho que queira para o FCPorto, porque se 'põe a jeito' para sofrer azares. E o adversário nem precisa de ser muito bom. Basta saber despejar bolas, como o Benfica fez ontem.

Individualmente, O MVP vai para Jota, que foi o jogador mais perigoso. Gostei também de toda a linha defensiva que, como sempre, teve bastante trabalho na segunda parte. Oliver esteve bem na primeira parte e julgo que deveria ter sido o Otávio a sair para entrar Brahimi e não Layun. Pela negativa, os mexicanos. Corona esteve muito ausente do jogo, o que é pena porque, sempre que participou, fez coisas boas. A entrada de Layun para defender a ala esquerda voltou a ser absolutamente inútil. Quanto a Herrera... A sua relação com a generalidade dos adeptos já não estava boa. Esta poderá ter sido a 'gota de água'. Julgo que não irá jogar tão cedo.

Vem aí mais uma irritante pausa. Não vem em boa altura...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Grupo fraco - parte 4


Nuno Espírito Santo fala de ineficácia no ataque e enaltece a capacidade de sofrimento. Diz que temos de marcar mais golos para descansar mais no jogo. Concordo com a parte da ineficácia mas será que tínhamos de sofrer? Por muitos desenhos, por muitas conversas sobre o jogador à FCPorto e por muitos chavões que se usem nas conferências de imprensa, o nosso problema maior não é a eficácia. O nosso grande problema deste ano é um dos clássicos momentos de jogo que é o momento de 'Organização Defensiva'. Básico! Temos uma linha defensiva incrivelmente recuada. E isto aconteceu em quase todos os jogos no Dragão quando nos apanhámos em vantagem. Bruges, Copenhaga, Arouca, Boavista... Tudo colossos do futebol mundial que nos fazem 'tremer de medo' e fixar a linha de batalha bem próxima da baliza de Casillas. Isto inviabiliza, muitas vezes o apoio à primeira pressão de André Silva e Jota, que correm muito para nada e depois não têm a frescura física para atacar e finalizar melhor. A linha de 4 médios, que se vê constantemente à frente da linha defensiva, tem dificuldade em perceber se se aproxima dos 2 da frente ou se recua. Tal faz com que seja facilmente ultrapassável, porque sobra sempre espaço entre-linhas, onde os médios adversários têm tempo de rodar e organizar. E depois os passes longos e os constantes alívios, muito mais vulgares em defesas que jogam com pouco espaço nas costas. Nuno Espírito Santo fala de falta de eficácia no ataque, mas não fala da espectacular eficácia na defesa. Com uma linha tão recuada, perante a constante e deficiente organização defensiva, e perante adversários que apostam num 'futebol aos trambolhões', os defesas, e nomeadamente os centrais, têm tido um rendimento muito bom! Até os laterais e Danilo têm brilhado mais em acções defensivas. Até ao dia... O problema é que, assim, o futebol torna-se mais aleatório, quando não o devia ser contra estes adversários. Basta ver o golo do Copenhaga. Bastou um erro de Alex Telles para sofrermos um golo, em apenas uma oportunidade de golo concedida. Essa foi a grande diferença ontem: Casillas defendeu!

Nuno até tem sido hábil a esconder as suas limitações. Quando a equipa é desorganizada, ele fala da juventude. Quando não marca, esconde-se na grande quantidade de oportunidades de golo e na ineficácia. Quando não consegue estabilizar o onze, fala de processo de assimilação da ideia de jogo. Nada disto me tranquiliza e confesso que estou assustado. Há um ano e há dois, eu sabia o que Lopetegui queria da equipa. Gostando ou não, sabia como se posicionava, as suas rotinas, as suas limitações, quais os jogadores em quem confiava. Hoje não sei. Porque não acredito que este plano, de defender à Estrela da Amadora, seja o plano de Nuno para o FCPorto. Mas é o que vejo. Não acredito que Nuno queira que se passe o jogo a despejar bolas para os ciclistas correrem atrás dela, como acontecia no Salgueiros do Mário Reis. Mas é o que vejo. Não acredito que se pense nos centrais do FCPorto como os campeões da 'bola para o pinhal' como os saudosos centrais Tanta e Dinis, mas as estatísticas não mentem. Já sei que uma vitória no Domingo muda tudo mas, neste momento, não passa de 'wishfull thinking' e daquela velha noção de que nos clássicos tudo é possível.

Individualmente não me é fácil dar o MVP. Poderia ser André Silva pelo golo, mas passou o resto do jogo em correrias estéreis. Os centrais estiveram bem, mas eu não gosto de os ver jogar assim, sem classe e só a aliviar. Casillas esteve lá quando foi preciso. Talvez Danilo apesar de uma grande nabice a meio da segunda parte. A entrada de Ruben Neves trouxe alguma serenidade e segurança. Algo que não combina com Herrera. É mais apatia, tendência trágica para o disparate... Enfim. Não tarda e volta ao banco e poderá ser já no Domingo. Oliver e Otávio complicaram mais do que o que criaram e Jota parece ainda mais perdido do que o André.

Este jogo poderia ter sido um factor de motivação. Não o foi. Mas não me lixem! Para Domingo é preciso motivação extra?

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Natal é só em Dezembro…


E esta é a única justificação que consigo encontrar para as “mexidas” do banco promovidas pelo nosso treinador… Só uma pessoa conservadora e com as tradições bem enraizadas é que pode sustentar a não colocação de um “Pinheiro” em campo em Outubro, num jogo que tinha todos os condimentos para o fazer…

Deixando as piadinhas e passando ao jogo, penso que estivemos por cima no final da primeira parte e entramos com tudo no arranque da segunda… foram períodos em que tivemos tudo para marcar e matar o jogo… Oliver não pode falhar, André Silva tem de ser matador e J estava lá, fez o que tinha de fazer, mas ela não entrou… Quanto aos “tubarões” de Setúbal, em termos ofensivos, nem vê-los, facto para o qual também contribuiu um bom jogo de Danilo e de Felipe, bastante agressivos na recuperação da bola…

Passando aos erros crassos, e ao título da crónica, não consigo compreender como é possível ter um jogador no banco com características específicas que podem ser maximizadas em jogos como estes e não os colocar em campo… se não serve para estes jogos quando é que Depoitre vai servir? Tentando perceber as razões das substituições, nomeadamente a entrada de Ruben Neves, porque as outras são relativamente compreensíveis, suponho que fosse dar mais frescura ao meio campo e circulação de bola sem abdicar da segurança defensiva, continuando Danilo em campo para aniquilar possíveis descidas vertiginosas dos adversários… mesmo assim não consigo compreender… a circulação de bola nem estava a ser dos piores problemas (excelente entrada no segundo tempo) e, pelo menos, pedia-se um pouco mais de risco (saída de um central, por exemplo, mas nem isso)… depois desta dupla substituição perdemos fulgor e terminamos o jogo com o Casillas a meter a bola na cabeça do Corona… sintomático…

Por fim, falar mais do mesmo… já sabemos que o FCP está habituado a isto… mais, não está só habituado a isto, como está habituado a ganhar assim… mas quando o FCP não está a 100% a ajuda destes senhores, que com apito julgam-se mais do que os outros e sentem o poder nas “mãos”, inviabiliza uma maior percentagem de sucesso… como é possível terminar a primeira parte com zero minutos de descontos, em jogos como este em que é mais do que usual a equipa teoricamente inferior retardar o tempo possível sempre que o jogo pára? Bastava dar um minuto de tempo extra e passava despercebido... Como é possível estar de frente para um jogador que tenta pontapear a bola e não consegue e que ao mesmo tempo vê o seu adversário estatelar-se no terreno e não marcar a respetiva falta (por acaso dentro da área), quando minutos antes consegue premiar um mergulho do jogador do Vitória com uma suposta falta de Danilo que com o corpo ganha posição e recupera a bola? Valeu-nos o árbitro auxiliar ter as cores da isenção, porque para o árbitro principal estiveram as condições reunidas para sairmos do Bonfim com uma derrota, mesmo sem estes praticamente terem chutado à nossa baliza…

Resumindo, não concordo que fizemos um jogo miserável, tivemos dois bons períodos com ocasiões para sairmos vitoriosos… faltou eficácia... logicamente que queremos mais, sempre… as opções técnicas vindas do banco não foram as melhores e o árbitro fez o resto...

Vem aí o clássico, mas sem estarem reunidas as condições pretendidas... Antes concentrar todas as forças no jogo com os Belgas e ganhar confiança para não vacilar no jogo dos lampiões e afastar um cenário que só vi o nosso FCP alcançar desde que nasci…

P.S. Grande mancha azul no Bonfim... Fantástico!!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Dupla


É o destaque actual no FCPorto. Esta dupla que se formou no ataque parece ser frutuosa para todos. Por um lado, André Silva continua a marcar e a assistir sendo o jogador do campeonato com mais remates por jogo e sendo já um dos melhores marcadores. Jota também marca e assiste, e as defesas continuam a procurar a melhor forma de defender esta nova estratégia, que muitos já tendem a comparar com outra formada por Domingos e Kostadinov . É melhor fugir das comparações, mas há algumas semelhanças. A título de exemplo, esta dupla é diferente das dos nossos adversários directos, que apostam sempre num elemento fixo entre os centrais. Tanto André Silva como Diogo Jota evitam jogar de costas para a baliza, procurando abordar os lances enquadrados e procurando explorar o espaço das costas das defesas. Faltará ainda alguma intuição e capacidade analítica para quando o adversário povoa a cabeça da área, como aconteceu em Brugges. Aí a dupla pareceu perdida e poderia ter explorado melhor as alas, fugindo à marcação. É a juventude, mas é simultâneamente um problema e a grande virtude.

Ontem entrámos bem no jogo e podíamos ter marcado logo, nomeadamente numa jogada de antologia de Corona. O golo tardou em aparecer e a equipa esmoreceu um pouco, mas sem perder o foco. Com o golo pudemos serenar mais um pouco, talvez de mais. As entradas de Brahimi e Ruben Neves, sobretudo o primeiro, ajudaram a dar a estocada final num jogo que já se estava a complicar. E aqui um bom destaque. Nos dois últimos jogos, Nuno Espírito Santo consegue tirar bom proveito das opções que tem a seu lado no banco, algo de que não dispôs em Alvalade, por exemplo. São os frutos da má preparação da época que já aqui destacámos. De facto, as coisas começam a correr melhor, mas em Brugges tivemos uma exibição bem mais fraca que o resultado. Por isso, parece-me estranho que Nuno já tenha 'peito' para vir falar do jogador à FCPorto. Em primeiro lugar ficámos todos a perceber porque é que tem demorado a assimilação da ideia de jogo. Basta que Nuno a tente desenhar para que se crie a confusão na cabeça dos jogadores. Gatafunhadas à parte, focando a atenção nos chavões, é cedo para vir dar lições...

Individualmente, MVP para André Silva que resolveu o jogo. Jota esteve mais apagado mas apareceu nos momentos chave, tendo também nota bem positiva. De resto gostei das exibições dos dois centrais, de Danilo e da entrada de Brahimi coroada com um excelente golo. Destaque nesse lance para uma rara assistência de Casillas e para a reacção despropositada do jogador nos festejos. Se ainda não se habituou aos 'passa a bola' que vêm da bancada, está mal. Antes dele, jogadores como Quaresma e Hulk (para citar os mais recentes) também o ouviram. Isso nunca vai mudar. Se há coisa que aprecio em Brahimi é que joga sempre em risco máximo, independentemente dos assobios e por vezes dá obras de arte, como a de ontem. Conseguindo poupar Otávio, Oliver esteve mais na esquerda e Herrera andou mais pelo meio, ganhando com isso. Não aprecio esta mania de Corona desaparecer no jogo. Sobretudo depois daquela jogada inicial mais que motivante. Layun continua a ter dificuldades defensivas e acho que, a continuar assim, Maxi ganha o lugar. Até porque, do outro lado, Alex Telles tem apenas que resolver o acerto nos cruzamentos, porque defensivamente e em termos de agressividade, tem cumprido bem.

O próximo jogo poderá colocar-nos na iminência de atacar o primeiro lugar. Importância máxima portanto!

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Grupo fraco - parte 3


É difícil falar do jogo de ontem. Por um lado, quero enaltecer a atitude, o facto de não termos desistido do resultado, num jogo que estava a correr bastante mal. Mas depois, quando tento perceber porque estava a correr mal, assusto-me e apercebo-me de que, se este Bruges nos causa problemas, isto é algo que poderá acontecer com frequência. 

Sintetizando, partimos do oito e fomo-nos aproximando do oitenta, sem ter muitos momentos de grande brilhantismo. Lembro-me apenas do golo de Layun, do passe de André Silva que isola Otávio e do sangue frio do miúdo na conversão da penalidade tardia. Mas o que me preocupa mesmo é a total inconsistência entre jogos e dentro do próprio jogo. Vamos ao passado recente. Ignorando o jogo com o Gafanha, em casa contra o Boavista, perante um golo irregular, reagimos com uma excelente primeira parte, para depois fazer uma segunda bastante mais fraca. Em Leicester demos a primeira parte de avanço e, mesmo na segunda, não estivemos bem, apesar de podermos ter empatado com lances duvidosos na área e uma bola ao poste. Segue-se a melhor exibição desde Roma, com uma dupla de ataque que parecia resolver os nossos problemas. Parecia... Porque essa dupla ontem, não tocou sequer na bola. Dirão que a culpa é da forma como a equipa jogou, mas André e Jota tiveram muita dificuldade em segurar o jogo e em procurar movimentações para se adaptarem às dificuldades. A título de exemplo, Brahimi e Corona encontraram espaço entre os centrais e os laterais avançados. É aí que surge o penalti. 

Ou seja, uma 'montanha-russa'. Ora jogamos bem, ora jogamos mal, ora pensamos que temos o onze estabilizado, ora passamos a pensar que falta o Brahimi, o Corona, o Maxi ou o Jota, etc. É um FCPorto em construção... O problema é que já estamos no fim de Outubro!

Quanto ao jogo, fiquei contente por Nuno ter resolvido o jogo alterando do banco, mas fiquei assustado com a forma como a equipa reagiu a esta táctica 'Juventus' do adversário. Deu a ideia que não estávamos preparados, o que é sempre um motivo de alarme. Eles tentaram criar confusão no meio, concentrando aí uma floresta de pernas. Aí, mais uma vez, assustou-me a maneira como Nuno não mudou de ideias mais rápido. Até o Freitas Lobo repetiu inúmeras vezes que tínhamos de tirar a bola do meio da confusão. Finalmente com Corona e Brahimi, conseguimos fazê-lo e imediatamente surgiu perigo. Defensivamente, Layun tem vindo a demonstrar mais lacunas defensivas na direita, do que na esquerda o que me parece estranho. Temo que seja por ter ao lado Felipe e à frente Herrera. De facto não ajuda... Foi por aí que o adversário foi criando perigo. À medida que o FCPorto foi pegando no jogo o perigo adversário foi desaparecendo.

Individualmente dou o MVP a Marcano pelo rendimento constante no jogo e por estar a ser, este ano, um dos esteios da equipa. Gostei também da segurança que Casillas deu à equipa. Nota bem alta para Otávio e vou esquecer aqueles últimos minutos de individualismo em que me pareceu que já estava desgastado. Gostei muito da segunda parte de André Silva e das entradas de Brahimi e Corona, sendo que o mexicano esteve melhor. Danilo esteve autoritário na segunda parte mas ninguém me tira da cabeça o Ruben e o que ele faz pela gestão da posse da equipa. Danilo está bem a ir atrás do prejuízo, mas Ruben antecipa-o evitando-o. Layun esteve um desastre com excepção do golo marcado e não me admira que perca o lugar para Maxi. Entre os centrais, Felipe é um 'acidente à espera de acontecer' e vale-nos Marcano. Herrera... Foi um dos jogos maus. Virão outros bons, seguidos de outros maus, e sucessivamente...

No Sábado temos Arouca. Será interessante perceber o  que acontece aos que jogaram pior como Layun, Herrera e Jota. Perceber se se aposta no esquema que nos deu ilusão na Madeira ou o que nos deu a salvação em Bruges. Eu insistia no da Madeira com pequenas alterações de casting.