segunda-feira, 20 de março de 2017

Tudo na mesma



Há quem diga que, se tivéssemos jogado antes do Benfica, tínhamos ganho com facilidade. Não é fácil de suportar esta opinião, sobretudo para quem não é astrólogo, mas parece-me uma crítica forte ao nível de maturidade da equipa. Não me parece que tenha tido a ver com maturidade. Foi um jogo que se complicou, num timing complicado e que pôs a equipa sob uma pressão que fez com que a própria equipa complicasse o que na primeira parte parecia simples. Mas não convem que se tente complicar ainda mais, vendo nisto o fim da nossa tendência de crescimento, ou o principio do fim da nossa reacção. Seguimos confiantes!

Foi um jogo atípico que acontece a qualquer equipa. Um jogo em que a bola não quer entrar e em que o adversário faz um golo na única oportunidade que cria, com uma infelicidade de Felipe à mistura. É motivo para dramas? Não! Há que valorizar que a tendência para criar muito futebol ofensivo e oportunidades, esteve lá. Apesar de termos tido menos oportunidades na segunda parte, tivemos suficientes para matar o jogo e para recuperar a liderança. As virtudes que temos demonstrado estiveram lá e os problemas, que sempre aqui apontámos, mantiveram-se. A equipa continua a ter dificuldade em descansar com bola e isso notou-se no início da segunda parte. Continuamos a ter uma tendência para despejar bolas quando nos vemos aflitos, o que não ajuda nada. O ambiente era quente, com muitos portistas, e isso deu ânimo à equipa na primeira parte e também deu algum nervosismo na segunda, apesar do apoio incessante, porque se notou que os jogadores estavam a tentar dar algo mais ao adeptos. Aquele velho chavão do 'mais com o coração do que com a cabeça'...

Esqueçam os dramas. Já tínhamos interiorizado que tínhamos de ganhar na Luz. Esta perspectiva só mudou durante cerca de 24horas. Assim sendo, há que voltar rapidamente ao 'mindset' inicial sem valorizar demasiado a desilusão de hoje.

Individualmente, dou o MVP a Marcano que esteve bem na defesa e ainda mandou uma bola ao poste. Toda a frente de ataque esteve bem melhor na primeira parte do que na segunda apesar dos falhanços. O de André Silva é incrível e há dois de Soares que não ficam atrás. Oliver e Brahimi não renderam na segunda parte. Otávio e Jota entraram com fome, mas notaram-se mais a recuperar bolas do que a criar jogo. Danilo pareceu cansado. Felipe escorrega no lance do golo, algo que penalizou uma exibição que estava a ser boa.

Quanto ao anti-jogo, nada a dizer. Muitos e justos minutos de compensação e amarelo para o redes logo na primeira parte. Custa que o crime compense, mas é assim...

Interregno não vem em má altura. Se tivéssemos ganho,  talvez dissesse o contrário...

quarta-feira, 15 de março de 2017

11 contra 11...


Normalmente a imagem da crónica é para o MVP da partida. Como tal, não será de estranhar que se atribua o MVP aos nossos adeptos que estiveram no estádio em Turim. Foi incrível! Estamos com a equipa e a equipa está connosco!

Quanto ao jogo, começo por pegar naquela dúvida de Nuno. Se estivéssemos sempre com onze... Eu aceito que se tenha esta argumentação porque nunca saberemos e porque convem que as tropas não desanimem. E assim não temos de admitir a 100% a óbvia superioridade da Juventus e a justiça nos dois resultados que decidiram esta eliminatória. Não gosto tanto que se use o argumento de que não sofremos golos onze contra onze. É um bocado paradoxal. Se Maxi não desse mão tínhamos sofrido um golo, onze contra onze... E não convem esquecer que esse lance surge na sequência de três bolas paradas ganhas pela Juventus na nossa área, e que o sucesso nos duelos nas bolas paradas é um dos nossos melhores atributos como equipa. Importa portanto admitir que temos uma equipa do FCPorto que dá alguma ilusão e que está a exceder as expectativas de muitos, mas não podemos pedir que esteja ao nível de uma das 5 melhores equipas da Europa. A eliminatória não correu bem, faltou maturidade a alguns dos nossos jogadores, mas a equipa não nos envergonhou. Faltou um golo em Turim, que fizemos por merecer na altura em que a Juventus entrou em ritmo de gestão de esforço.

Individualmente, a nota mais alta vai para Felipe. Já sabemos que estes jogos são uma 'montra' e até pode ter sido isso que traiu Alex Telles na primeira mão, mas Felipe fez questão de se 'pôr na montra' com esta exibição na segunda mão. A equipa jogou razoavelmente e não tenho grandes destaques além de Felipe. Marcano e Casillas tiveram intervenções de grande qualidade e Jota entrou muito bem, mais uma vez. Pela negativa, Maxi pela expulsão, mas sem um nível de culpa sequer comparável ao de Alex na primeira mão. Layun ainda demonstra muitas dificuldades defensivas, mas não comprometeu. Nuno esteve bem ao manter a equipa dos últimos jogos.

A Champions ficou-se pelo objectivo mínimo. Resta-nos o nosso objectivo principal!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Passeio



Pode parecer desrespeitoso para o adversário, mas deixem-nos saborear esta recente fartura nos números apresentados pela equipa. Depois das goleadas no Dragão voltaram as goleadas nos jogos fora de casa. O jogo foi bastante descansado, sem grande necessidade de 'carregar no acelerador'. Quem diria depois da dificuldade que tivemos em marcar golos nos jogos em Novembro, mas também em Dezembro e no início de Janeiro. Pelo meio tivemos duas excepções nos jogos com Leicester e Feirense, mas nos restantes jogos andamos sempre 'em esforço' e muitas vezes a sofrer para segurar os resultados. A dinâmica recente é curiosa. Começou por vitórias muito sofridas como as caseiras contra Rio Ave, Sporting e fora com o Estoril, com um futebol muito pouco elaborado e essencialmente eficaz. A determinada altura, o futebol começou a melhorar e os resultados passaram a ser mais folgados. A única excepção foi o Bessa, mas fizemos por merecer melhor sorte. 

O que aconteceu? A teoria mais comum é a da dinâmica de vitórias: de tanto ganhar, mesmo jogando mal, atingimos graus de confiança que os permitiram elevar o nosso nível de jogo, de forma a aliar os resultados a exibições seguras e um futebol bem melhor. Mas é uma teoria muito simplista. Para mim esta evolução é assente em dois grandes pilares. Spoiler alert: Soares não é um dos pilares. Ele tem sido um dos melhores e está com um rendimento incrível, mas o segredo vem mais de trás. Brahimi e Oliver dão aquele 'upgrade' ao nosso jogo que permite que os outros brilhem mais, incluindo Soares. Depois temos os que aproveitam melhor as dinâmicas criadas e, nesse aspecto, sobretudo Soares tem aproveitado a preceito. Um pouco mais que André Silva que parece que ainda se está a habituar à presença dominante de Soares no nosso ataque. Este é aliás um novo desafio que se coloca a Nuno para os próximos jogos. Parece que ainda não se conseguiu optimizar a coexistência de Soares e André Silva, como dupla de ataque. Para já ainda parece que joga cada um por si. Soares tem brilhado e André Silva tem vindo a piorar o seu rendimento e o facto de se tentar que feche na direita e que parta dessa posição, não tem ajudado. Julgo que seria mais proveitoso que fosse um dos médios a fechar do lado direito, libertando o André Silva para o ataque às costas da defesa e para a finalização, e menos para a condução de jogo e o drible que não são os seus fortes. 

Quanto ao jogo, foi totalmente dominado pelo FCPorto e com uma autoridade que não tem sido vulgar longe do Dragão. A equipa está num bom momento e tem todas as condições para chegar à Luz e impor respeito e lutar pelo primeiro lugar. Individualmente, o MVP é Brahimi. Interessante ter assumido as bolas paradas, visto que alguém terá de substituir o Alex nessa tarefa em Turim. Nota elevada também para Oliver e Soares. Gostei também de Maxi. Pela negativa, André Silva que fez um jogo desastrado, sobretudo na segunda parte antes de sair. Independentemente do que se disse atrás sobre o seu novo posicionamento, parece acusar o protagonismo de Soares. Pelo contrário, Jota parece estar a reagir muito bem à perda de titularidade. Sempre com golos ou assistências. O André que se cuide.

Na Terça temos a Champions. Não esconderei que não estou confiante. Poderia vir com 'tretas' de esperança clubista mas, racionalmente, espero um bom jogo do FCPorto, talvez um susto para a Juventus, mas uma eliminação perante uma equipa que é de facto superior. Lá estarei para apoiar!

segunda-feira, 6 de março de 2017

Barrigada


Continuamos neste jogo de pôr pressão semanal no nosso adversário. Nada melhor do que uma vitória categórica, em casa. Foi mesmo a maior goleada de sempre no Dragão. Neste momento temos o melhor ataque, a melhor defesa e falta apenas o primeiro lugar que, à falta de melhor oportunidade, poderá e deverá ser alcançado na visita à Luz.

No final do jogo, Nuno foi cauteloso 'QB'. Diga-se o que se disser de Nuno e do seu discurso, quase sempre, propositadamente vazio de conteúdo, há ali uma estratégia de comunicação de passar o mínimo de fraquezas para fora. Quando empatamos veêm-se coisas boas e quando goleamos também se veêm coisas que ainda temos de melhorar. Sempre 'by the book' e 'com pouco sal'. Mas sinda cada vez menos vontade de criticar porque, até agora, consigo ver resultados em termos de união, de empenho e de espírito de equipa. A equipa já está a um bom nível em termos de confiança e podemos notar que o desaire na Champions não teve qualquer efeito nefasto. 

No entanto, para mim, continua a faltar o salto em termos de qualidade de jogo. E nesse aspecto, podemos ter dado um passo importante ontem. A equipa começou por jogar pouco e estar demasiado dependente da inspiração individual de Brahimi. Com o primeiro golo tudo mudou. Dirão sempre que o Nacional é muito fraco e é verdade. Mas já temos defrontado equipas fracas, sem que tenhamos tamanho ascendente no jogo, como vimos nos dois últimos jogos no Dragão, nomeadamente nas segundas partes. E é de valorizar esta fome de golo que nos deixa a salvo de qualquer percalço. Além de que, ao longo do jogo, as exibições foram todas melhorando até um nível elevado. O maior exemplo é mesmo Layun que começou por se mostrar atormentado pelas últimas exibições pobres, e que partiu para uma exibição bastante moralizadora e com um golo a coroar. Mas os nossos avançados também melhoraram muito ao longo do jogo. Soares começou por se mostrar muito trapalhão e André Silva caiu muitas vezes sobre a direita com resultados fracos. Na segunda parte, ambos jogaram bem melhor tendo alcançado dois golos cada um.

Individualmente, estava indeciso entre Brahimi e Oliver. Como fez os noventa minutos, dou o MVP a Oliver. Mas estes dois são a garantia de que há menos passes longos sem nexo e mais futebol. Um traz mais cérebro e outro traz mais inspiração. E assim é mais fácil para os avançados, que continuam facturar e para os defesas Danilo, Felipe e Marcano que podem enfim descansar um pouco. Estiveram todos bem e nem se notou as suas presenças. André André fez uma exibição boa e está cada vez melhor na equipa. Jota continua a fazer por merecer mais oportunidades. Já Otávio, nota-se que lhe está a custar entrar no ritmo, mas já esteve melhor.

A equipa brindou o Dragão com uma saborosa goleada. Na próxima próxima sexta-feira, temos de devolver a 'gentileza' e encher o Estádio em Arouca!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Prova superada


Se dúvidas havia sobre se o FCPorto está nesta luta para ficar, ontem terão ficado dissipadas. Em primeiro lugar, ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores e na primeira volta, defrontámos uma versão do Boavista bem mais próxima do que nos habituámos antes dos problemas que eles sofreram à cerca de 10 anos. Mérito para o seu novo treinador. Tivemos portanto um derby 'rasgadinho' e a exigir o máximo dos nossos jogadores. Depois tivemos uma autêntica invasão do Bessa numa prova inequívoca de que os adeptos se mantém firmes ao lado da equipa. Esperemos que em Arouca se mantenha. Em último lugar, a arbitragem. Costumo dizer que é nas alturas das vitórias que temos mais legitimidade para reclamar. É costume fazer-se o inverso... Esta é pois uma boa a oportunidade para apresentar o problema que parece que se vai voltar a agudizar nesta ponta final. Depois do que se passou na Luz na sexta-feira, brindaram-nos com mais um dos jovens 'talentos' da arbitragem e cedo se começou a notar a sua habilidade... André André foi o primeiro a ser amarelado num jogo que bateu o recorde de amarelos do campeonato. Foi uma falta merecedora, mas pouco antes houve uma outra sobre Brahimi bem mais grave em que o amarelo ficou no bolso. Já sabíamos ao que vinha e que teríamos de lutar contra esta dupla personalidade ao nível do critério disciplinar. Mas é demasiado penoso comparar a entrada assassina que tirou Corona do jogo com a que tirou Maxi por acumulação de amarelos. Usando a palavra que  transmitiram ao Pepa no guião  lampião que lhe deram, é 'surreal' perceber que os lances de Maxi e o de Talocha foram ajuizados com o mesmo castigo disciplinar. Isto já para não falar dos lances para penalti sobre Soares e Maxi (o segundo lance). Mais dois para a conta. 

Em suma, com o apoio de muitos portistas, jogámos num terreno extremamente hostil, perante uma adversário muito duro, e com uma arbitragem muito adversa. Prova superada com nota bem positiva. Estamos na luta!

Vamos ao jogo. Nuno apresentou uma surpresa no onze. Ou melhor, duas em uma. A saída de André Silva implicou um regresso a um esquema de 4-3-3 com dois extremos e com Oliver. O facto de ter estes três em campo fez-me crer que haveria menos daquela irritante mania de bombardear a defesa adversária com bolas pelo ar. Confirmou-se e materializou-se numa entrada forte, nos primeiro 15 minutos, que resultou num golo 'madrugador'.  Seguiu-se a nossa pior fase no jogo, com muitos passes falhados e muita bola longa até que Brahimi e Oliver conseguiram voltar a pegar no jogo. Aí podíamos e deveríamos ter posto um ponto final no jogo. A segunda parte foi mais de luta e conseguimos de uma forma geral afastar o jogo da nossa baliza. As excepções foram as bolas paradas sendo que algumas foram cirurgicamente plantadas pelo sr. do apito. Até ao final sofremos mais pela vantagem magra, do que pelo que permitimos ao adversário, que foi pouco. Apenas uma jogada perigosa cortada imperialmente por Marcano.

Individualmente dou o MVP a Soares. Já sei que foi mais perdulário do que tem sido habitual, mas é um monstro quando se trata de lutar fisicamente com os centrais. Oliver é facilmente a peça que faz este futebol de Nuno evoluir só pela sua entrada no onze. Não sabe jogar mal, não passa por acaso, não despeja a bola. Sempre com critério e sempre com qualidade. É um bom catalisador para este futebol apressado de Nuno. Brahimi é outro exemplo de um jogador que, por si, dá qualidade a qualquer equipa pela sua capacidade de resolver problemas sozinho. Marcano esteve bem e teve apenas um erro num lance, que resulta do também único erro de Oliver, e  que acaba com uma boa defesa de Casillas. Pela negativa, Boly não está ao nível da concorrência, algo que se compreende pela falta de ritmo, mas que não explica tudo. O restante teve nota média-alta.

Seguimos colocando pressão na frente.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Resultado MarTELLado


Por certo que já tinham saudades de um bom trocadilho no título dos nossos posts. Pois deliciem-se com a criatividade do menino... Graçolas à parte, até porque hoje não foi um dia para grandes alegrias, esta é a ideia reinante. Alex Telles cometeu um erro individual grave que nos retirou da possibilidade de discutir o resultado. É de facto, difícil discordar desta opinião generalizada. Posso aqui juntar as opiniões que põe a culpa no árbitro, algo que considero absurdo, porque foram boas decisões, tais como tinham sido as que nos deixaram em superioridade numérica em Roma. 

Mas pretendo sair um pouco dessa onda porque eu sou daqueles que acha que, onze para onze, o resultado seria semelhante e igualmente negativo. Isto porque continuo a achar que este sistema de Nuno está a piorar a cada jogo. Temos um jogo cada vez mais partido, com pouco recorte técnico e muito baseado em ideias de jogo de equipa que não dispõe de grande talento e recursos técnicos. Ora como eu acho que temos talento e bons jogadores, acho este modelo limitado e resultadista. Eficaz? Claro! Não há como contra argumentar. As 5 vitórias seguidas no campeonato são claras em termos de avaliação de resultados. Mas não me tentem convencer que isto funciona perante equipas como a Juventus. Até tenho dúvidas que resulte cá... Basta ver a primeira parte com o Tondela, com o Estoril, a segunda parte em Paços de Ferreira. Tudo exemplos do que pode acontecer a uma equipa que, obcecada com a transição defensiva, tenta partir o jogo e esperar que os nossos avançados ganhem os choques, os ressaltos e as lutas individuais. As melhores equipas do mundo assumem o jogo, defendem com bola. Potenciam a criatividade e o talento dos seus melhores jogadores e não os põem a 'picar pedra e assentar cimento' na defesa. Ser Porto é jogar de acordo com o nosso legado! O que nos fez grandes na Champions era o facto de não temermos nenhum adversário na nossa casa. Jogar com 8 jogadores de características defensivas e dois tolinhos a correr na frente não é jogar como equipa grande. Não é Ser Porto. Que interessa ser o primeiro a dizer uma frase icónica se não sabemos o seu verdadeiro significado? Nuno não sabe! Primeiro as arbitragens, depois os resultados tangenciais e enganadores, ontem o erro do Alex. Tudo factores que têm protegido um treinador que pratica um futebol que não está à altura do FCPorto, dos seus adeptos e do seu legado.

Individualmente, dou o MVP a Marcano. Foi o que mais se destacou em ações defensivas, mas Danilo e Felipe também estiveram bem. Alex tem nota mínima pela expulsão e vimos nos golos a falta que ele fez. Layun sempre foi fraco a defender, mas esta época está um desastre e ontem não fugiu a essa regra. Não percebo porque Soares tem prioridade sobre André Silva. Tem experiência de Champions? Tem mais resistência? Tem mais estatuto junto dos adeptos? Segura melhor a bola? Não percebo. Também não percebo a troca posicional de Herrera quando sai Rúben. Porque não uma troca directa na ala? Ainda por cima veio-se a provar que estava a jogar lesionado. Para mim, são duas substituições absurdas!

No Domingo teremos um grande duelo de futebol ao estilo boavisteiro. Esperemos que seja o FCPorto a equipa que melhor o aplica...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Resultado surrealmente escasso


Podiam certamente ter duas coisas como garantidas, depois do jogo de sexta-feira: Que eu escolheria o Ruben como MVP e que haveria polémica quanto à arbitragem. São garantidos porque são baseados em ideias fortemente pré-determinadas. De facto o Ruben é o meu jogador preferido do FCPorto e, de facto, há que começar a atacar este FCPorto de qualquer maneira, antes que se torne ainda mais perigoso. Não vão poder contar sempre com os ressaltos no pinheiro grego para sacar 3 pontos. O mais normal é ressaltar nele e sair pela linha final. Por isso, mais vale usar a influência nos media para fazer passar a ideia de que é o pelo benefício arbitral que o FCPorto se mantém na luta.

Comecemos por aí. Vamos imaginar um adepto de futebol, não necessariamente portista, que não pôde ver o jogo na sexta-feira. Saiu tarde do trabalho, não falou com nenhum amigo e o primeiro contacto que tem com o jogo são as três capas de jornais desportivas. De facto está lá um 4-0 mas o destaque é mesmo reporte dos lances mal julgados pelo árbitro. Vamos agora imaginar que este adepto resolve tirar as dúvidas e liga a TV no canal público de televisão e vê o insuspeito Jornal da Tarde: http://www.rtp.pt/play/p3071/e274571/jornal-da-tarde (por volta do minuto 33). Com a isenção que é apanágio da nossa televisão pública, temos uma primeira parte com um lance de perigo para cada lado, com um jogador do Tondela travado quando "seguia em direcção à baliza sozinho", um penalti em que  "as imagens não esclarecem quem agarra quem" e, por fim, uma expulsão "instantes depois" em que "é Soares quem promove o choque". Da segunda parte, apenas temos os três golos marcados. Resumo: alto beneficio para o FCPorto numa primeira parte que até estava a ser equilibrada, como as oportunidades de golo repartidas o demonstram. Agora vamos fazer um exercício de tentar adicionar alguma isenção a esta peça jornalística. De facto, o jogador do Tondela seguia para a baliza sozinho, mas estava ainda em frente ao seu banco de suplentes e bem longe da baliza. Além disso, este isento senhor toma como certo que o Marcano não pretendia intervir no lance, teoria com a qual não posso concordar. Depois temos o penalti em que de facto, estranhamente a Sport tv não arranjou imagens que esclareçam quem agarra quem, mas faltou dizer que apenas a camisola de Soares aparece fora do sítio. Também é preciso querer ser esclarecido e, para isso, o próprio FCPorto divulgou um vídeo em que o lance fica claro. Por último, o lance em que é Soares que promove o contacto. Em primeiro lugar faltou dizer que nos "instantes que passaram", esse mesmo jogador fez outra falta passível, no mínimo, de amarelo. Algo que deveria ser suficiente para desmontar a teoria do surrealismo para quem achar que Soares se tinha de desviar do menino amarelado, quando pretendia ir para a baliza. Para terminar, deixo apenas mais uma crítica ao senhor jornalista que montou a peça. Antes da polémica, já Otávio tinha falhado um golo quando estava mesmo isolado na área, antes de outra jogada em que André Silva centra para Otávio e Soares que não conseguem finalizar apesar de não haver guarda-redes na baliza e antes ainda de outra jogada em que André Silva isola Soares que, da cabeça da área remata, numa bola que passa perto do poste esquerdo. Tudo lances que, mesmo que houvesse benefício arbitral, tornariam diferente o guião. A ajuda arbitral soa mais grave quando se tenta vender que o jogo estava a ser complicado... Quanto aos lances falhados na segunda parte, Otávio e André Silva agradecem que não sejam divulgados aqueles falhanços. Com tanta vontade de escrever um guião diferente, o jornalista até acabou por ser benevolente... Mas tudo isto para vos alertar para lutarem contra estas versões da verdade que vos tentam passar. Nós aqui, quando vimos que a tendência ia passar a ser essa, tornámo-nos mais ativos na nossa página do facebook e temo-nos esforçado por mostrar vídeos curtos que procuram desconstruir estas supostas 'verdades' que os media tentam passar, mas também o que de bom tem esta equipa, e é muito, e que vemos constantemente omitida nos resumos. Na próxima conversa mal intencionada que tiverem no elevador ou junto à máquina de café, puxem do telemóvel, acedam a páginas como a nossa e desmascarem essa lampionagem no momento!

Quanto ao jogo, não fomos tão eficazes como nos últimos jogos. Caso contrário, teria sido um resultado surreal. Quem viu aquela segunda parte não estranharia se tivessemos marcado o dobro dos golos. Mas não convem esquecer que houve ali alguma dificuldade de construção na primeira parte. André André e Otávio perderam bolas comprometedoras que resultaram em saídas perigosas, que foram controladas quase sempre com faltas e com amarelos. Nuno resolveu poupar o meio campo e os três titulares que faltaram nessa zona fizeram-se sentir, sobretudo pela falta de combatividade perante a pancadaria que sobretudo o numero 7 do Tondela estava a distribuir. Com o passar do tempo as oportunidades foram aparecendo e o primeiro golo, seguido da expulsão tardia, ajudaram a que o FCPorto não precisasse de muito para golear. Jogo que se tornou simples e que poderíamos ter aproveitado melhor para motivar os nossos avançados, nomeadamente André Silva.

Individualmente, gostei da exibição e do grande golo de Ruben Neves. Ai se tivesse sido o Bob Marley da Musgueira, tinha direito a abertura de telejornal... Gostei também de André Silva e de Corona. Soares participa menos, mas sempre bem. Grande classe no seu golo. Jota voltou a entrar muito bem e já merece o regresso à titularidade. Não gostei tanto de André André e de Otávio, sobretudo na primeira parte. Felipe também esteve um pouco desastrado e vê-se no tal lance com Murillo. Nuno arriscou muito no onze mas acabou por sair-se bem.

Venha a Champions! Vamos ver se há mesmo fortaleza!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Mesma receita, mesmo resultado


Foram dois testes duríssimos em jornadas consecutivas. Enquanto nós defrontámos um 'grande' e o quinto classificado em sua casa, o nosso adversário teve dois jogos caseiros com equipas de meio da tabela para baixo. Na sexta-feira até apanhou um adversário com treinador a fazer as malas. Bizarrias do futebol português. Pois a distância mantém-se e vem aí uma visita a Braga que nos pode trazer boas notícias. A conclusão óbvia é que estamos na luta e que a nossa dinâmica de resultados é já incomodativa para o nosso adversário, e isso começa a notar-se. Notou-se na nomeação de Xistra. Nota-se em pequenas intrigas como a suposta impossibilidade de se usar Soares, porque o negócio era de um suposto empréstimo. Nota-se nesta tentativa de passar a ideia de que o FCPorto joga pouco e de forma demasiado defensiva. Que é apenas sorte. Até é verdade que ainda não estamos a um nível que gostaríamos, mas falta analisar o recente poder pífio da inexistente 'avalanche' ofensiva do Benfica. Nós aqui preocupamo-nos com o FCPorto e temos admitido que ainda jogamos pouco. Mas se tentarmos fazer uma análise comparativa com o que joga o outro candidato ao título, logo nos animaremos porque, ao contrário do que a propaganda vem pregando, eles têm problemas tão ou mais graves que os nossos. Será por isso interessante seguir os resultados desta semana.

Deixando as comparações de fora, vamos ao FCPorto em Guimarães. Mais uma vez, pobre, muito pobre ofensivamente. Seria fácil dizer que a culpa é do facto de termos jogado com o André André e com o Herrera, mas foram apenas intérpretes diferentes, com mais músculo, numa estratégia semelhante à da semana passada no Dragão. Herrera fechou junto ao lateral como aconteceu com Corona, e André esteve muitas vezes ao lado de Danilo, como aconteceu com Oliver. Ofensivamente, voltamos a chegar lá poucas vezes e sempre com perigo. As únicas diferenças que notámos foram, por um lado, o Vitória foi muito menos perigoso do que se esperava perante os níveis de posse que teve, e o Jota que entrou muito melhor do que na semana passada, resolvendo o jogo à terceira oportunidade de que dispôs. Ou seja, mais um bom resultado, fruto de um futebol que eu não gosto, assente numa muralha defensiva impressionantemente eficaz. E a eficácia tem sido o destaque destas últimas exibições: soberba eficácia defensiva e cirúrgica eficácia da finalização. Mas todos nos lembrámos do que aconteceu quando não houve essa eficácia: 0-0. Esse mesmo resultado que nos veio à cabeça quando vimos o onze inicial...

Individualmente, destacou-se mais uma vez o nosso MVP da época: Marcano. O verdadeiro capitão de equipa. Alex voltou às boas exibições com actuação determinante nos dois golos. Soares continua letal e muito combativo. A André tem-lhe faltado a parte do 'letal'. Jota entrou muito bem e muito melhor do que Corona. Brahimi, André André e Herrera, não estiveram mal, mas destacaram-se mais pela luta do que pelo desequilíbrio ofensivo. Maxi entrou bem no jogo mas foi baixando o rendimento.

Na sexta-feira, espero que se volte aos jogos de posse de bola superior a 50%. Mas mais importante que isso será a vitória, para que o Benfica entre em Braga em segundo lugar.